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Hora de ensinar o valor do dinheiro para as crianças

Toda criança gosta de ganhar presente. O que os pequenos muitas vezes não sabem é o esforço que os pais fazem para garantir aquele brinquedo ou videogame no dia 12 de outubro. Um estudo realizado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) aponta que os  brasileiros gastam R$ 6,6 bilhões anualmente com brinquedos e jogos.

A Fecomercio-SP indica que o cenário de crise econômica deve afetar as vendas do Dia das Crianças neste ano. Com o aumento da inflação e do desemprego, os pais estão evitando gastar muito. Para o educador financeiro Rafael Seabra, o momento é ideal para repensar os hábitos financeiros e ensinar às crianças desde cedo o valor do dinheiro.

“As crianças, de maneira geral, não têm noção do preço das coisas”, diz. “Por isso que é importante não ficar dando muitas coisas para elas, mas se o preço for baixo. A criança cresce achando que pode ter tudo na hora que quer, o que pode causar problemas no futuro.”

Segundo o educador, a principal lição que os pais devem passar aos filhos é o adiamento da gratificação. “A melhor maneira de começar é dizer para a criança não gastar todo o dinheiro da mesada de uma só vez”, aconselha. “Assim, o filho ou filha aprende as vantagens de juntar dinheiro para comprar algo com um valor mais alto.”

Outra técnica é dar um pequeno prêmio para que a criança se sinta estimulada a poupar. “Pode ser feito um acordo entre pais e filhos. A cada quantia poupada, os pais podem dar 10% a mais, por exemplo”. É uma boa maneira de criar futuros adultos menos dependentes do crédito e com menos riscos de endividamento.

Andrezza Galindo e seu filho Gabriel Antônio: consciência financeira desde cedo. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press
Andrezza Galindo e seu filho Gabriel Antônio: consciência financeira desde cedo. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

A funcionária pública Andrezza Galindo cuida para que seu filho Gabriel Antônio, de 11 anos, tenha consciência financeira desde cedo. “Comecei a dar dinheiro quando ele tinha 8 anos. Era bem pouco, algumas moedas para ele comprar figurinhas”, diz. Com o tempo Gabriel também teve cofrinhos para guardar o dinheiro que ganhava. “Foi assim que ele aprendeu que, se quiser comprar algo maior, tem que se privar das pequenas compras.”
Andrezza mantém uma conversa aberta com Gabriel sobre finanças, e chegou inclusive a diminuir a mesada dele depois que a avó também passou a contribuir. “Quando o dinheiro é demais, principalmente numa idade tão nova, acaba deseducando a criança.”

Como educar os filhos financeiramente

Dê a eles o controle do dinheiro
Se as crianças não tiverem controle do dinheiro antes de se tornarem adultas, elas vão aprender que o dinheiro sempre será provido por alguém e que não precisam se responsabilizar pelos seus gastos ou seu futuro.

Ajude a elaborar um orçamento
Algo realmente muito simples, como, por exemplo, R$ 30 para a poupança de uma bicicleta; R$ 30 para investir em um objetivo de longo prazo; R$ 20 para o presente de aniversário da mãe; e R$ 30 para gastar livremente. Caso o orçamento se torne um hábito agora, a recompensa será imensa quando eles crescerem.

Ensine sobre compras por impulso
A compra impulsiva é a consequência da publicidade e da psicologia de consumo. Ensine seus filhos a refletir antes de comprar e a reconhecer os sinais da compra por impulso. Uma boa estratégia é usar uma lista na qual devemos marcar as coisas supérfluas que queremos comprar e esperar por 30 dias para tomar a decisão.

Deixe que eles paguem pequenas contas
Dê a eles o montante orçado para ser gasto mensalmente e os autorize a pagar a conta a cada mês. Se eles atrasarem o pagamento do celular, por exemplo, o serviço será cortado. Assim, aprenderão a pagar a conta em dia.

Fonte: Rafael Seabra, educador financeiro

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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