Jack Black diz que Goosebumps não renderia uma franquia

Goosebumps: Monstros e arrepios é uma comédia que parece um desenho animado. No enredo, alienígenas, plantas carnívoras, um brinquedo assassino, gnomos diabólicos, uma bolha gigante, um lobisomem e um pé-grande estão entre as criaturas que aterrorizam uma cidade de interior. O único que pode enfrentá-las é o homem que as criou, o escritor Robert Lawrence Stein, autor dos livros de terror que deram origem ao filme. Na tela, o escritor é interpretado por Jack Black, que também parece um personagem de animação, especialista em engraçadas expressões faciais e trejeitos. A voz dele ainda é usada para mais dois personagens, o boneco malvado Slappy e a assombração Menino Invisível. O comediante veio ao Brasil para divulgar o filme e cedeu uma entrevista coletiva, com a presença do Viver. Os monstros do filme divertem mais do que assustam, já que a maioria tem um visual cartunesco. Segundo Black, a intenção é resgatar o clima de comédias infanto-juvenis fantásticas da década de 1980, estilo que ultimamente tem sido mais explorado em animações como A casa monstro (2006) e Frankenweenie (2012). A intenção é válida, mas a química não dá tão certo, já que alguns atores e núcleos prejudicam o resultado.

Leia trechos da coletiva cedida por Jack Black:

Personagens reais
“Já interpretei personagens baseados em pessoas reais em filmes como Bernie: Quase um anjo. Naquele caso, eu tentei interpretar a pessoa perfeitamente, fazer tudo correto e reproduzir até o tom de voz. Em Goosebumps, preferi não fazer uma imitação de Stein. Por razões dramáticas, criei um personagem mais sinistro, anti-social, que no começo do filme supostamente é um vilão. É um trabalho de criação artística, que o próprio Stein recebeu muito bem, já que ele tem um grande senso de humor. Construí o personagem inspirado no trabalho de Orson Welles em Cidadão Kane.”

Papel marcante
“Alta fidelidade foi o filme que me transformou em uma estrela. Foi também meu primeiro papel realmente bom, como se ali eu tivesse encontrado minha voz. Era um período muito criativo para mim e para minha banda Tenacious D.
Depois daquilo, não precisei fazer mais audições e testes de elenco. Começaram a me convidar para os papéis pelo meu próprio estilo. Foi uma grande mudança pra mim.”

Escola do rock
“Escola de rock também foi importante para minha afinação. Existem projetos de um seriado e de um espetáculo musical na Broadway, mas eu não estou envolvido e não sou eu que vou ganhar um bilhão de dólares com isso. O diretor do filme, Richard Linklater, promoveu uma reunião com o elenco, dez anos depois. Foi bem legal. Eu toquei com minha banda. Esse tipo de reencontro deveria acontecer mais para manter vivas as famílias formadas na produção dos filmes.”

Superproduções e independentes
“Trabalhar em superproduções do mainstream, para mim, é tão importante quanto fazer filmes de orçamento menor. Um projeto como Goosebumps, que tem pretensões comerciais óbvias, voltado para crianças, me proporciona uma satisfação artística plena. Em filme independentes, de orçamento menor, todo dia é um grande desafio, já que temos menos tempo para filmar. Nas superproduções, passo muito tempo no camarim, esperando pra filmar.”

Goosebumps
Goosebumps é um filme ao mesmo tempo aterrorizante e amedrontador, mas também divertido para as crianças. A não ser em animações, esse tipo de combinação é difícil de ver hoje em dia no cinema. É algo que resgata o clima de clássicos dos anos 80, como Os Goonies, ET: O extraterrestre, Deu a louca nos monstros e Os caça-fantasmas. Eu não conhecia os livros da série Goosebumps. Quando eles foram lançados, na década de 1990, eu não era mais criança ou adolescente. Eu já estava na faculdade e só pensava em ouvir Nirvana. Eu estudei artes cênicas na Universidade da Califórnia, mas caí fora antes de me formar. Espero que não façam continuações de Goosebumps. Vai ser difícil fazer uma sequência porque já usamos todos os monstros no filme. Uma franquia precisaria lançar cada um separadamente e depois reuni-los, como nos Vingadores. Seria mais interessante fazer um filme em que RL Stein lutasse contra JK Rowling.

Monstros
O monstro que mais me traumatizou foi Alien: O oitavo passageiro. Fiquei semanas sem dormir por causa daquela boca que sai de dentro de uma boca que sai de dentro da boca daquela criatura construída por Giger. Eu nunca havia feito filmes de monstros. Não considero King Kong um monstro, pois ele tem um coração doce e gentil.

Efeitos especiais
Tenho bastante experiência com efeitos especiais de computação gráfica. Nas filmagens de King Kong, por exemplo, eu ficava o tempo inteiro correndo e fugindo de nada. É como quando você é criança usa a imaginação para brincar no quintal.

The brink
The brink e Goosebumps são bem diferentes, mas são projetos que têm similaridades porque são combinações de comédia com outros gêneros. Em Goosebumps, misturamos humor com terror. The brink combina meu estilo cômico com uma trama de investigação política. A segunda temporada já está garantida. O seriado é uma nova parceira entre Tim Robbins e eu. Já havíamos trabalhado juntos em 1991 no filme Bob Roberts, que foi meu primeiro papel no cinema.

Seriados
Minhas histórias favoritas atualmente estão sendo contadas na TV. Os seriados estão fazendo o cinema comer poeira. Gostei da primeira temporada de True detective. A segunda é horrível. Fargo também é incrível. Espero que a segunda temporada seja tão boa quanto a primeira. Obviamente gosto de Breaking bad e daquela outra dos dragões. A melhor coisa de trabalhar com TV é ter mais chances de ficar em Los Angeles, perto da minha família, já que a maioria dos filmes hoje em dia é filmada em lugares como Atlanta, por questões econômicas. Economizamos dez milhões de dólares para fazer Goosebumps na Geórgia, mas até que foi legal porque lá há muitas casas sinistras, que parecem mal assombradas.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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