‘Miss Brau’: Ludmilla é comparada a protagonista de série por conta das festas bombadas em casa: ‘Aceita que dói menos’

“Nete, frita um ovo para mim com gema mole? Quero o ovo e seu coração!”. O pedido vem em alto e bom som da dona da casa. Desde que botou os pés no Jardim Guanabara, há seis meses, Ludmilla mudou a rotina do pacato bairro de classe média alta da Ilha do Governador. Estar ali é ter a certeza de que se está no próprio lar. Tem aquela confusão típica de qualquer família. Grita para abrir o portão. Cata os cachorros para não fugirem. Chama alguém para pegar algo esquecido no segundo andar.

A rotina inclui ainda festas regadas a música, comida farta e alegria. O que tornou a vizinhança desconfiada e, até por vezes, irritada. Não à toa, Ludmilla é chamada pelos amigos de Miss Brau. Nas adjacências também. Uma alusão ao protagonista do seriado “Mr Brau”, que subiu na vida, comprou uma mansão e dali fez seu refúgio e local preferido para reunir a galera. “Sou a própria Miss Brau! Gosto de festa, casa cheia. Isso aqui parecia um asilo, gente! E sabe que agora me pedem pra serem convidados?”, conta a funkeira: “Outro dia um vizinho até ajudou a resgatar meu cachorro. Passaram dois meninos, levaram meu Pincher. Todo mundo correu e conseguimos recuperar”.

Ludmilla gosta de reunir os amigos para cantar e dançar como já fazia em Caxias

Ludmilla gosta de reunir os amigos para cantar e dançar como já fazia em Caxias Foto: Luis Alvarenga

Ludmilla já não é mais “a inimiga pública nº1” da rua. A casa, que comprou do cantor Buchecha, diz uma vizinha faladeira, custou R$ 1,5 milhão. Ludmilla rebate: “Mentira!”. Mas ali os imóveis giram em torno desse valor. Com ela, vivem mais cinco pessoas. O que já vale por uma turma.

Já era assim em Caxias, onde Ludmilla nasceu. Silvana, mãe da cantora, nunca deixou de comemorar datas importantes. “Até as que não eram. Vim de comunidade. Ali acontece o batidão e você dança junto. Sempre foi assim lá em casa e aqui continua”, observa a matriarca, que é responsável pela iguaria mais esperada dos churrascos à beira da piscina: “Se faltar minha macarronese o povo pira! Já faço uma quantidade boa e vou renovando para não estragar no dia. Faz um sucesso danado”.

Ludmilla se mudou para a Ilha do Governador há seis meses, mas quase não é vista pelos vizinhos

Ludmilla se mudou para a Ilha do Governador há seis meses, mas quase não é vista pelos vizinhos Foto: Luis Alvarenga / Agência O Globo

O orgulho de Silvana foi passado para Ludmilla. Festa na casa dela não tem miserinha, não. Nem contratação de bufê. “Sai mais caro e acaba faltando. É melhor sobrar do que faltar”, ensina a cantora. Se antes ela foi alvo dos olhares atravessados, agora é a estrela do bairro. “Acho legal ter uma vizinha famosa e festas de vez em quando para animar”, diz uma das moradoras: “Até a Sabrina Sato já esteve aqui. Muito chique”. Obviamente, Ludmila não agrada a todos. “Ela fala alto, né? E fala muito palavrão também, canta o dia inteiro. Até conheço uma música dela, aquela do É hoje, hoje, hoje…”, conta um outro vizinho, de 69 anos.

A última festança aconteceu no dia 12 de outubro. Aniversário de 9 anos de Yuri, um dos irmãos da moça. Rolou das 11h às 21h. Mais que isso, só quando tiver isolamento acústico, como o amigo Ronaldinho Gaúcho na casa dele, na Barra: “Vieram umas 200 pessoas. Quando faço alguma coisa aqui em casa vem van e kombi de Caxias”, avisa ela, que faz uma ressalva: “Uma vez por mês a gente reúne todo mundo. Mas faço umas comemorações menos cheias. Chamo de resenha. São durante a semana, aqui na sala mesmo”.

As festas rolam à beira da piscina, Ludmilla dá a comida, mas convidados levam a bebida: “Aí a gente vê quem só quer ficar na aba”

As festas rolam à beira da piscina, Ludmilla dá a comida, mas convidados levam a bebida: “Aí a gente vê quem só quer ficar na aba” Foto: Luis Alvarenga / Agência O Globo

As festas não seguem um protocolo. Existe um grupo no WhatsApp chamado Fervo da Ludmilla: “A comida a gente faz. A única coisa que pedimos é que tragam as bebidas. É assim que a gente vê quem está do nosso lado ou só na aba”.

Tudo mudou muito na vida de Ludmilla. A fama trouxe novas pessoas. Mas os amigos íntimos continuam sendo os da Baixada. “Tem gente que diz que eu saí de Caxias e Caxias não saiu de mim. Era para sair? Tenho orgulho e para quem fala de mim só digo uma coisa: aceita que dói menos”.

“Isso aqui parecia um asilo!”

“Isso aqui parecia um asilo!” Foto: Luis Alvarenga / Agência O Globo

O Fervo da Ludmilla é o nome do grupo em que os eventos são planejados

O Fervo da Ludmilla é o nome do grupo em que os eventos são planejados Foto: Luis Alvarenga / Agência O Globo

Fonte: Jornal Extra (http://extra.globo.com)

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