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Negociações multilaterais sobre a Síria com presença do Irã começam na Áustria

Viena (AFP) – Os principais personagens diplomáticos para a questão síria, incluindo Estados Unidos e Rússia, assim como os rivais Irã e Arábia Saudita, iniciaram nesta sexta-feira uma reunião em Viena para tentar encontrar uma solução política para o conflito, que devasta o país desde 2011.

O encontro não deve resultar em nenhum acordo decisivo sobre o futuro do regime de Bashar al-Assad, mas a presença de países com posições tão divergentes já é considerada um avanço.

A principal novidade diplomática é a presença do Irã, aliado de Damasco, o que marca o retorno do país ao cenário internacional após o histórico acordo sobre seu programa nuclear.

Na semana passada, em uma primeira rodada de negociações em Viena, os chefes da diplomacia dos Estados Unidos, Rússia, Arábia Saudita e Turquia —que discordam em diversos pontos – concordaram com a possibilidade de negociar juntos.

A reunião desta sexta-feira foi ampliada a 19 participantes, com representantes da ONU, China, Líbano, Itália, Jordânia, Iraque, Catar, Egito, Emirados Árabes Unidos e Omã. Também participam os ministros das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, Grã-Bretanha, Philip Hammon, Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, e a Alta Representante de Política Externa da União Europeia, Federica Mogherini.

“Finalmente conseguimos reunir à mesma mesa todo mundo, sem exceções”, disse o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, que se reuniu com o chanceler iraniano na quinta-feira, assim como o secretário de Estado americano, John Kerry.

No momento, no entanto, não existe a previsão de uma participação do governo sírio, nem de representantes da oposição.

O primeiro obstáculo das negociações é o futuro de Assad: Washington e seus aliados ocidentais e árabes querem negociar um “calendário preciso” de saída do presidente sírio, de acordo com Laurent Fabius.

Do outro lado, Moscou e Teerã insistem que o presidente sírio tenha um papel na transição política na Síria.

A Rússia, que desde 30 de setembro bombardeia de maneira oficial grupos “terroristas” na Síria, é acusada de atacar rebeldes sírios para reforçar a posição de Assad. O Irã fornece apoio militar e financeiro direto a Damasco.

A Arábia Saudita apoia os rebeldes e participa na coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), mas sua opinião sobre Assad é ambigua.

“Ele sairá depois de um processo político ou quando for expulso pela força”, afirmou na quinta-feira à BBC o ministro saudita das Relações Exteriores, Adel al-Jubeir.

Nesta sexta-feira, pelo menos 40 pessoas morreram em ataques com foguetes do regime sírio contra um mercado em Duma, um reduto rebelde ao leste de Damasco, anunciou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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