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ONU acha inaceitável que futuro de Assad paralise discussão sobre a Síria

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, considera injusto e inaceitável que o futuro do presidente sírio Bashar al Assad esteja paralisando o processo de negociação da crise, em uma entrevista publicada neste sábado por quatro jornais espanhóis.

“O futuro do presidente Al Assad deve ser uma questão decidida pelo povo sírio”, afirmou Ban ao El País, El Mundo, ABC e La Vanguardia.

“É totalmente injusto e nada razoável que o destino de uma pessoa esteja sequestrando todo o processo de negociação política. Isso não é aceitável”, enfatizou.

Ban resumiu as posições divergentes no que se refere à proposta de criar um governo de transição. “O governo sírio insiste que o presidente Assad deve ser parte (de um governo de transição), muitos países, em particular os do Ocidente, dizem que não há lugar para ele”.

“Mas, por causa disso, perdemos três anos com mais de 250.000 muertos, mais de 13 milhões de pessoas deslocadas dentro de Síria (…), mais de 50% dos hospitales, escolas e infraestruturas destruídas. Não há mais tempo a perder”, concluiu.

A reunião realizada na sexta-feira, em Viena, sobre a crise síria estagnou em muitos pontos, principalmente sobre o destino do presidente al-Assad, mas um processo foi iniciado, num momento em que os Estados Unidos anunciaram o envio dos primeiros soldados americanos no terreno.

Enquanto os principais atores diplomáticos discutiam a questão síria, incluindo pela primeira vez o Irã, os Estados Unidos anunciaram o envio de um pequeno contingente de soldados de elite para a Síria, assegurando, no entanto, que esses agentes não vão participar diretamente dos combates.

“O principal ponto de desacordo é o futuro papel de Bashar al-Assad”, acrescentou o chefe da diplomacia francesa Laurent Fabius. “Mas há uma série de pontos em que estamos de acordo, principalmente sobre o processo de transição, a perspectiva de eleições e como tudo isso deve ser organizado e o papel das Nações Unidas”.

Os participantes consideraram que o Estado sírio deve ser preservado e encarregaram a ONU de negociar um cessar-fogo, indicou à imprensa o secretário de Estado americano, John Kerry.

Enquanto os diplomatas trabalhavam em Viena, Washington anunciou o envio para a Síria de cerca de cinquenta membros de suas forças especiais, bem como o envio de aeronaves de ataque no solo A-10 e caças F-15 para uma base aérea turca, a fim de aumentar a capacidade dos Estados Unidos em sua luta contra os grupos extremistas radicais, particularmente o Estado Islâmico.

Apesar de ninguém esperar um grande avanço diplomático em Viena, incluindo sobre o futuro papel do presidente Assad, apoiado por Moscou e Teerã, a simples presença dos protagonistas, cujas posições  são extremamente divergentes, é vista como um progresso.

A Rússia, que insiste com o Irã para que o presidente sírio desempenhe um papel na transição política, iniciou em 30 de setembro uma campanha de bombardeios aéreos na Síria que, desde então, teria destruído 1.623 “alvos terroristas”.

O Irã fornece apoio financeiro e militar direto a Damasco, enquanto a Arábia Saudita apoia os grupos rebeldes e participa dos ataques aéreos da coalizão internacional

Também participaram da reunião de Viena representantes chineses, libaneses e egípcios, assim como os chanceleres francês, britânico e alemão.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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