Superintendente da PF-AL detalha esquema de fraude em concursos

Dez suspeitos foram presos em cidades de AL e mais quatro estados. Candidatos pagavam 10 vezes o salário inicial para conseguir respostas

 

O superintendente da Polícia Federal em Alagoas, Bernardo Torres, detalhou em entrevista exclusiva à TV Gazeta como agiam os suspeitos de fraudar concursos públicos presos na Operação Afronta, realizada na manhã desta quarta-feira (21) em Alagoas, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Rondônia (assista no vídeo acima).

De acordo com o delegado, os candidatos que prestavam o concurso pagavam uma quantia que era 10 vezes o valor do salário inicial do cargo pretendido para que os criminosos conseguissem as respostas das questões para eles.

“Eles trabalhavam na própria residência, recrutavam candidatos interessados em fraudar os concursos públicos e cada candidato pagava pelo menos 10 vezes o salário inicial para eles”, explica o susperintendente da PF no estado.

Em Alagoas, estado onde residiam os principais líderes do grupo criminoso, segundo a PF, foram cumpridos mandados nas cidades de Palmeira dos Índios e Maceió, onde cinco pessoas foram presas. Outras cinco foram presas nos outros estados.

As investigações apontam que a fraude foi detectada em uma prova do concurso público do Tribunal Regional Federal, aplicada em Sorocaba, no interior paulista, em 2014. Segundo a PF, policiais civis do Estado estariam envolvidos no esquema, mas a identidade de nenhum dos suspeitos foi divulgada.

Como funcionava o esquema
De acordo com a PF, os criminosos fotografam o caderno de questões com microcâmeras durante a prova. Eles ficavam o tempo obrigatório de permanência na sala de aula em que o concurso estava sendo realizado e, quando saíam, repassavam as respostas aos candidatos por meio de ponto eletrônico, dispositivo intra-auricular de comunicação, que se conecta ao celular do candidato.

Foram apreendidos diversos celulares, pontos eletrônicos e ainda cartão de crédito falso para esconder celular. Segundo a PF, eles colocavam o cartão no bolso da camisa para parecer ser um conjunto de cartões, só que dentro está o celular escondido.

A fraude foi detectada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região de Sorocaba, que detectou irregularidades no último concurso público para os cargos de analista judiciário e técnico judiciário e encaminhou os documento para a Polícia Federal para instauração do inquérito.

Ainda segundo a PF, os líderes da organização criminosa monitoravam a publicação de editais de concursos públicos, em seguida, quando o edital era publicado, os candidatos em ingressar na carreira através da fraude e integrantes da quadrilha, chamados “pilotos”, se inscreviam.

Durante as investigações, a Polícia Federal utilizou o Sistema de Prospecção e Análise de Desvios em Exames (SPADE), um software desenvolvido pelo órgão para apurar as fraudes nas provas. O sistema é alimentado com gabaritos dos candidatos que fizeram a prova e varre as respostas em busca de coincidências, apontando os candidatos que apresentarem maior número de respostas semelhantes.

O software também indica se as coincidências eram esperadas ou não. Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa e fraude em certames de interesse público, podendo levar de 4 a 12 anos de reclusão.

 

G1

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