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Tribuna SBTpedia: Silvio Santos precisa de um novo game show – Parte 2, por Gabriel Reis

Silvio Santos precisa de um novo game show – Parte 2

  

Por Gabriel Reis* (gabrielviannareis@gmail.com)
Na última semana discorri sobre a necessidade e o dever que o SBT tem de melhorar as atrações apresentadas por Silvio Santos (leia aqui). Tem-se um excepcional artista nas mãos e cometem-se erros como: desgaste excessivo de formatos; erro na escolha dos participantes; baixo investimento. Abaixo, conforme foi prometido, listo uma série de formatos que poderiam ser lançados ou resgatados e poderiam ajudar o SBT a ter um melhor desempenho de audiência nas noites de domingo. 


Show do Milhão


Mania nacional, o game show foi lançado em 1999 ainda com o nome de “Jogo do Milhão” e foi sucesso em audiência até a emissora insistir em emendar temporadas. Bordões inesquecíveis são lembrados até hoje como: “Está certo disso?”; “Posso perguntar?”; “Você quer pedir ajudar aos universitários?”. Na última versão apresentada em 2009 o SBT pecou na escolha dos participantes (que não conseguiam avançar no jogo), na diminuição dos prêmios (o caminho até R$ 1 milhão ficou maior) e na pouca promoção, que nem se compara a histórica campanha publicitária dos “22 dias” que marcou a estreia em 1999.

A campanha “Os 22 dias estão chegando” marcou a estreia do game-show no SBT 

Neste vídeo é possível conferir o programa de estreia, na íntegra


Um Milhão na Mesa


Apesar do desempenho mediano em 2011, o game show de perguntas e respostas se destaca pelo fato do competidor já começar o jogo com um milhão de reais. A fraca seleção dos participantes e a baixa audiência que o SBT enfrentava naquela faixa horária (quarta-feira à noite) prejudicaram o programa, que teve poucas exibições. Com um bom trabalho, pode servir de alternativa ao “Show do Milhão”, principalmente se bem programado. A avant-premiére exibida no final do “Programa Silvio Santos” ficou na liderança junto com Globo e Record, mesmo tendo iniciado a sua exibição em terceiro lugar no IBOPE. 


Qual é a Música


Dentre todos os formatos citados até agora, é o que Silvio Santos apresentou por mais tempo, mas mesmo assim ainda dá grandes demonstrações de força. No penúltimo domingo (18), o “Não Erre a Letra”, quadro musical que é exibido dentro do “Programa Silvio Santos” alcançou 14 pontos de pico, numa exibição sem muito alarde ou investimentos e dentro de um programa que pouco antes chegou a marcar metade disso. A gincana musical ainda tem força.

No vídeo, Ratinho e Moacyr Franco participam do “Qual é a Música” com Silvio Santos (programa na íntegra)


Topa ou Não Topa


O “jogo da maleta”, que chegou a picar 20 pontos com facilidade em seus primeiros programas, é o maior sucesso de Silvio Santos nos últimos dez anos. A ganancia por audiência levou a exaustão do formato em suas exibições com Silvio Santos, além da fatídica temporada com Roberto Justus, uma tentativa de apresentador. Tais medidas acabaram prejudicando a imagem de um grande sucesso. 


Identidade (“Identity”)


Cogitado mais de uma vez para ser exibido pelo SBT, a versão brasileira do “Identity” nunca entrou no ar. O game show consiste na descoberta por parte de um participante sobre a identidade de doze convidados. O cenário, muito parecido com o “Topa ou Não Topa” coloca os doze frente a frente com o competidor que possui alguns auxílios ao longo do jogo: “Mistaken Identity”, que permite que ele erre uma vez no game; “Experts”, que são profissionais especialistas em investigação e comportamento humano para ajudar o participante uma vez ao longo do jogo; “Tri-dentity”, que quando o participante escolhe uma identidade qualquer, o programa atribui a ela apenas três dos doze convidados no palco, diminuindo assim a chance de erro. O game show foi sucesso nos Estados Unidos, na NBC e traz uma dinâmica entre apresentador e participante próxima ao que Silvio Santos fez com muito êxito no “Topa ou Não Topa”.

No vídeo, um dos episódios do “Identity”, na íntegra, exibido originalmente pela NBC dos Estados Unidos


500 Questões (“500 Questions”)


Lançado pela rede norte-americana ABC em maio deste ano, o “500 Questões” teve como mote de estreia o fato de ser um “evento de sete noites” remetendo muito ao lançamento do “Jogo do Milhão” pelo SBT em 1999 (“Os 22 dias estão chegando”). O game show é baseado em perguntas e respostas, mas possui uma dinâmica diferente de programas anteriores do gênero. O objetivo de cada participante é responder quinhentas perguntas ao longo do show e para cada uma delas, recebe-se mil dólares. As perguntas são respondidas em rodadas de cinquenta questões (divididas em dez temas). Em cada rodada, cada participante não pode cometer três erros em sequencia, se não será eliminado. Ao final de cada rodada, o dinheiro conquistado, fica “fora de perigo”, isto é, o participante pode ser eliminado nas rodadas subsequentes sem perder o que ganhou anteriormente. Um outro fator do jogo é que cada participante tem que duelar com um “desafiante” (challenger) nas chamadas batalhas (battles) de perguntas e respostas. O objetivo deste segmento no programa é pressionar o participante e deixa-lo mais próximo de ter seu lugar literalmente tomado pelo desafiante. Outro ponto que difere dos game shows tradicionais é que nas perguntas regulares o participante do programa pode dar quantas respostas quiser num prazo de dez segundos, desde que uma delas esteja correta.

Anúncio do programa “500 Questions” destacando que o game show é um evento de sete noites

Uma das chamadas de estreia do game show

No vídeo, um dos episódios do “500 Questions” (na íntegra), uma das novidades da rede americana ABC em 2015

Há uma série de formatos novos e antigos que Silvio Santos, especialista em game shows, apresentaria com facilidade e alta probabilidade de sucesso, mas tudo precisa ser feito com investimento, divulgação e cuidado. O próprio “Pergunte aos Universitários” (que tem todo o jeito de ser baseado no “500 Questions”) sofre com uma produção totalmente capenga e improvisada. A estreia teve direito até a cenário montado na hora. Além de outros erros: se o “500 Questions” se propõe a um duelo entre as pessoas mais inteligentes do mundo, o “Pergunte aos Universitários” foca em jovens estudantes; se o “500 Questions” apresenta questões difíceis, a versão do SBT foca em perguntas intencionalmente e demasiadamente fáceis. Sem contar o abismo de produção e investimento existente entre os dois programas. Silvio Santos pode fazer muito mais, o SBT precisa investir em sua maior “joia”.

*É graduando em Comunicação Social (Rádio e TV) pela Escola de Comunicação da UFRJ. Teve passagens pela TV Boas Novas e pelos canais Esporte Interativo, onde foi coordenador de programação. Atualmente escreve artigos de opinião às segundas-feiras no “SBTpedia”

Fonte: SBTpedia (www.sbtpedia.com.br)

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