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Após morte de detento, governo do estado diz que terá mais cuidado com alváras de soltura

Após a morte do detento Anderson José do Nascimento, 25 anos, assassinado a facadas dentro do Centro de Triagem e Observação Professor Everaldo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, o governo do estado prometeu mais rigor no cumprimento dos alváras solturas. O detento foi morto no dia 1º de novembro durante uma briga na unidade prisional, mas deveria ter sido posto em liberdade desde o dia 22 de outubro. Anderson não foi liberado do presídio sob a alegação de que não havia tornozeleira eletrônica disponível, o que foi negado pela Secretaria de Ressocialização do estado (Seres). O episódio resultou na exoneração do então diretor do Cotel, Josafá Reis, que foi substituído pelo agente penitenciário Rubson Fernando de Vasconcelos.

De acordo com o Secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, o estado terá mais cuidado com casos semelhantes. “Todo alvará de soltura que chegar agora numa unidade prisional, a Secretaria Executiva de Ressocialização tem que receber por qualquer tipo de informação online e ele tem que ser cumprido de imediato, porque o estado tem que garantir a vida e a liberdade. Nós não podemos ter um detento preso ilegalmente”, ressaltou. O secretário pediu desculpas à família do detento e à sociedade pela morte dentro do presídio. “Somente ao Estado é dada a ordem do uso da força e ele é responsável pela integridade da pessoa, principalmente num caso em que já havia um alvará de soltura determinando a liberdade do preso”, afirmou Eurico.

Ainda segundo o secretário, quatro detentos são suspeitos de envolvimento com a morte de Anderson. A investigação está sendo feita pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Também será encaminhado ofício à delegacia para que seja apurado no inquérito uma eventual omissão por parte de agentes públicos, possibilitando a atuação do Ministério Público. “Estamos apurando com rigor para não cometermos injustiça, mas todos os agentes públicos envolvidos devem ser responsabilizados. A alegação de que não havia tornozeleira não se justifica. Temos um estoque suficiente para atender os casos”, complementou.

A mãe do detento assassinado cobrou punição para os culpados. “Entreguei meu filho vivo e ele voltou para mim morto. Além disso, ninguém telefonou para avisar. O filho da gente pode ser o que for, mas a mãe tem que ser a primeira a saber o que acontece com ele”, desabafou a cabeleireira que preferiu não se identificar. Anderson Nascimento estava no Cotel desde dezembro de 2014 e respondia por tráfico de drogas.

De acordo com a assessoria de imprensa da Seres, Pernambuco possui 1.200 tornozeleiras eletrônicas que são disponibilizadas para os detentos. Dos 4 mil presos do regime semiaberto, apenas 700 utilizam o sistema de monitoramento para trabalhar fora das unidades prisionais. Ainda segundo a Seres, quatro agentes penitenciários são responsáveis por monitorar a rotina dos reenducandos online.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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