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Até dezembro, 13º salário vai injetar R$ 15,4 bilhões nas carteiras de 8,9 milhões do mineiro

São R$ 15,4 bilhões injetados na economia do estado e R$ 2,77 bilhões em Belo Horizonte. Até dezembro, o 13º salário vai engordar a conta de 8,9 milhões de mineiros, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese). Para não ficar perdido em meio a um turbilhão de compromissos, tentações e destinos para o 13º, cuja primeira parcela será paga pelas empresas amanhã, o melhor é fazer um planejamento e, o mais importante, se livrar de dívidas para entrar mais leve em 2016, período onde a economia deve ter retração de 2%, segundo previsão de analistas divulgada pelo Banco Central do Brasil.

Pesquisa do Sistema de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que 41% dos brasileiros pretendem gastar parte do seu décimo terceiro salário com presentes de Natal, um terço vai poupar e 24% vão usar o benefício para se livrar das dívidas.

Comprar presentes de Natal, investir nas festas de fim de ano, em roupas novas, um carro, pagar os impostos, ou investir no próprio negócio, os planos dos brasileiros são muitos. Mas os especialistas são unânimes ao afirmar que os juros altos são um incentivo a mais para se livrar, em primeiro lugar, da bola de neve do crédito caro, que pode alcançar 300% ao ano no rotativo do cartão. Quitando as dívidas, o planejamento dá espaço para toda sorte de investimentos.

“Quatro em cada 10 brasileiros vão usar parte do seu 13º para comprar presentes, mas há uma fatia que está preocupada. Isso mostra que o Natal vai movimentar a economia e o comércio, em menor escala que no ano passado”, comenta Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. Segundo ela, a pesquisa mostrou que dentro da parcela de quatro a cada 10 que vai gastar o benefício com presentes, só 5% vão usar o 13º integralmente para essa finalidade. “O que é bom, porque significa que o comércio vai ter um movimento, mas mostra que o brasileiro também está preocupado com a vida financeira, pagar dívidas e poupar.”

Segundo o SPC, o valor médio que os entrevistados declararam que vão gastar com os presentes, de R$ 107, é 22% menor do que a verba do ano passado e também revela uma cautela. “É muito importante essa intenção de poupar. O ano que vem vai ser difícil e é importante ter recursos para imprevistos, como a perda do emprego”, recomenda a economista.

Marcos de Souza Oliveira, de 34 anos, é mensageiro ciclista e também triatleta. Ele não tem dúvidas quanto ao destino do seu décimo terceiro e responde de pronto o que vai fazer com o seu salário extra: “Vou guardar”. Geralmente, ele usa os recursos para compras de Natal, mas este ano tem planos maiores, vai poupar para comprar um carro novo. Apesar de pedalar pela cidade em sua bike, Marcos também é triatleta e precisa do carro tanto para viajar durante as competições quanto para transportar a família. “Vou dar o décimo terceiro de entrada e já abater o valor da prestação.”

A ideia de Marcos é boa, conforme explica o especialista em finanças e professor da Una Bruno Flávio de Araújo. Segundo o professor, para quem já cumpriu etapas, pagou as dívidas, tem uma reserva de emergência, é interessante usar o 13º como início de uma poupança para compras a prestação, como fez o ciclista Marcos de Souza. A poupança vai propiciar pagar a dívida em um tempo menor e ajudar o consumidor a fugir de parte dos juros.

INJEÇÃO NA ECONOMIA O 13º salário vai injetar na economia do país R$ 173 bilhões. O volume representa 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Em Minas, que fica com fatia de 9% do total, o volume corresponde a 2,8% do PIB, segundo pesquisa do Dieese. Este ano, como explica Fernando Ferreira Duarte, supervisor e técnico do Dieese em Minas, apesar de o valor nominal do 13º ter crescido 8,6%, a alta é menor do que a inflação projetada para 2016, próxima a 10%, e contempla um número menor de trabalhadores.

Em Minas, o número de beneficiários encolheu em 85 mil trabalhadores em 2015. “Já um reflexo da retração do mercado de trabalho”, observa Fernando Duarte. O economista e técnico do Dieese diz que apesar de o volume de recursos ter crescido em 2015, o ritmo foi menor que o da inflação do país. Pensando individualmente o consumidor está mais retraído em relação ao seu benefício. Fernando Duarte aponta, no entanto, que é importante para o trabalhador fazer sua poupança, mas para que a economia do país gire, uma certa medida de gastos  é necessária.

O décimo terceiro será pago aos trabalhadores do mercado formal, aos beneficiários da Previdência Social; e aos aposentados e beneficiários de pensão da União, dos estados e dos municípios. Perto de 84,4 milhões de brasileiros vão receber o benefício com um rendimento adicional, em média, de R$ 1.851, segundo as estimativas do Dieese. Marcela Kawauti diz que o Natal vai continuar sendo a melhor data para o varejo. Este ano, pesquisa do SPC aponta que, como o tíquete médio caiu, os produtos mais procurados serão aqueles de menor valor, como roupas calçados e brinquedos. Os eletrônicos ocupam a sétima posição. Atrás ainda de livros, perfumes e acessórios.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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