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Atentados afetam a bolsa e a economia

Diogo Velho Barreto destaca a expectativa do mercado em torno do lucro que as empresas podem gerar. Foto: Bruna Monteiro DP/D.A Press
Diogo Velho Barreto destaca a expectativa do mercado em torno do lucro que as empresas podem gerar. Foto: Bruna Monteiro DP/D.A Press

Na última segunda-feira, primeiro dia de abertura do mercado financeiro após os atentados ocorridos na França e o início dos bombardeios à Síria, o jornalista norte-americano Aaron Cantú teve um interessante insight. Pelo Twitter, ele postou capturas de tela do site especializado em economia MarketWatch, no qual era possível observar o crescimento nos valores das ações das empresas Raytheon (4,1%), Northrop Grumman (4,3%) e Lockheed Martin (3,5%) – conglomerados da chamada indústria de defesa.

Pragmaticamente falando, como a alta dessas ações interfere na economia? O consultor financeiro Diogo Velho Barreto explica a lógica por trás dessa valorização, lembrando a expectativa do mercado em torno da margem de lucro que estas empresas poderão gerar. “Quando há a valorização de uma empresa é porque existe uma expectativa em torno do aumento da demanda de seus produtos, e do aumento de seus lucros, subindo o valor de seus dividendos”, comenta.

Quando ocorreram os ataques terroristas do 11 de setembro, em Nova York, as ações da Raytheon, da Lockheed Martin e da Northrop Grumman subiram, respectivamente, 26,7%, 14,6% e 15,6% no primeiro dia de mercado aberto após os ataques ao World Trade Center. Para simplificar, Velho Barreto faz uma comparação local. “Com o revogamento do estatuto do desarmamento no Brasil, como você acha que ficariam as ações da Forjas Taurus, maior empresa nacional de armamentos?”

A provável continuidade dos ataques mútuos entre o Estado Islâmico e os países da reestruturada coalizão EUA-França-Rússia está levando os investidores a apostarem suas fichas na indústria armamentista. Na última terça-feira, a Raytheon, em parceria com a Boeing, fechou uma venda de bombas, munições, armas e equipamentos de guerra no valor de U$ 1,3 bilhão com a Arábia Saudita, segundo informou o site de notícias independentes CommonDreams.

Apesar de aprovado pelo pentágono, o negócio fechado entre as multinacionais e o país árabe acende um alerta. Isto porque, segundo as leis americanas e internacionais, é ilegal a venda de armas para países que tenham cometido abusos de direitos humanos, como é o caso da Arábia Saudita.

Em entrevista ao CommonDreams, Raed Jarrar, gerente de relações governamentais da American Friends Service Committee (AFSC), alertou: “Enviar mais armas ao Oriente Médio não vai estabilizar a região ou colocar um fim na violência e no extremismo. Apoiar guerras por procurações, intervenções e ocupações militares só vai adicionar combustível ao fogo.” E não seria essa exatamente a intenção dos gigantes da indústria bélica?

Independentemente das atrocidades cometidas durante qualquer que seja a guerra, há sempre alguém ganhando com isso. Enquanto a Raytheon fechava seu negócio bilionário com a Arábia Saudita, os logotipos da Northrop e da Lockheed sobrevoavam a Síria nos aviões modelo A-10 Thunderbolt e AC-130 Gunships, usados no bombardeio à Raqqa, a “capital” do Estado Islâmico.

 
Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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