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Autores como Mário Prata, Eric Nepomuceno e Pasquale Cipro Neto estão em Olinda para a Fliporto

Mineiro Mario Prata é um dos convidados do evento. Foto: Fliporto/Divulgação
Mineiro Mario Prata é um dos convidados do evento. Foto: Fliporto/Divulgação

Olinda tem quatro dias dedicados à literatura – com participação de outras artes coirmãs – a partir desta quinta-feira (12), com o início da 11ª Festa Literária Internacional de Pernambuco. Autores como Mário Prata, Eric Nepomuceno e Pasquale Cipro Neto integram a programação, embora o maior destaque deste ano seja o romancista, tradutor e professor espanhol Javier Cercas (sábado, 18h30). Ele se tornou mundialmente conhecido com o livro Soldados de Salamina. No Congresso Literário, ele conversa, entre outros temas, sobre os “romances de não ficção” e lança o novo livro, O impostor, sobre Enric Marco, “o maior impostor da história”.>>voltei, Recife

O cantor, cineasta e escritor Alceu Valença dá as caras em Olinda, nesta quinta-feira (12), às 19h30, para sessão de autógrafos do livro A luneta do tempo (cujo conteúdo é centrado nos bastidores do filme homônimo, dirigido pelo compositor pernambucano). Ele também lança seu livro de poemas, O poeta da madrugada. Mais tarde, às 21h, o filme de Alceu será exibido.

>>mergulho em Pessoa

Neste ano, boa parte do Congresso Literário da Fliporto será concentrada no escritor homenageado. A abertura do evento, nesta sexta (13), às 19h, traz os relatos da sobrinha de Fernando Pessoa; no domingo, às 15h, conversa entre dois tradutores do autor português, Richard Zenith (para a língua inglesa) e Arnaldo Saraiva (para o hebraico). Às 17h, dois escritores lusitanos falam sobre Pessoa: Alfredo Antunes e Paulo José Miranda.

>>para comprar

A partir de hoje, a 6ª Feira Internacional do Livro de Pernambuco promove o lançamento de cerca de 50 livros. Entre os autores, Mário Prata e Miguel de Sousa Tavares e a dupla André Morgado e Alexandre Leoni, ilustrador e roteirista da HQ A vida oculta de Fernando Pessoa. O pesquisador Cândido Pinheiro lança a obra sobre genealogia Branca Dias, filhos, netos e a inquisição. O pavilhão funciona das 10h às 22h, com estandes de livrarias, sebos e distribuidores de livros. A Companhia Editora de Pernambuco lança quatro títulos: A década de 20 em Pernambuco, de Manoel de Souza Barros, Pernambucânia, de Homero Fonseca e ilustrações de Samuca, castunista do Diario de Pernambuco, O repórter amador e as motivações para a produção da notícia, de Sheila Borges, e Corpo púlpito, de Clarisse de Figueirêdo.

>>criança tem vez

A partir de amanhã, a Fliporto Galera e Galerinha tem programação voltada para crianças e adolescentes, com oficinas de máscaras, azulejos portugueses, criação literária. Entre as atividades, também haverá contação de histórias, apresentação de banda e lançamento de livros.

>>Javier Cercas, escritor

Truman Capote dizia estar inaugurando o romance de não ficção em 1966, com A sangue frio. Quais as semelhanças e diferenças desse estilo, do new journalism, com suas obras?

A sangue frio me parece um livro excelente, mas as diferenças entre ele e os meus romances de não ficção ou relatos reais são enormes: de estilo, estrutura, tudo. Capote quería escrever um clásico, moderno, à maneira de Flaubert; eu, por outro lado, quero escrever obras pré-moderna ou pós-moderna, à maneira de Cervantes: um livro que seja crônicia, ensaio, história, biografia e autobiografía. Ou, se prefere: quero escrever uma novela “pós-pós-moderna”, que combine a liberdade e a pluraridade genérica de Cervantes com o rigor estrutural de Flaubert.

Valor literário à parte, você considera o registro dos fatos históricos uma vantagem do romance de não ficção? Por quê?

Não considero uma vantagem, considero uma obrigação. Cada obra deve criar as próprias regras, e a primeira regra de O impostor [livro mais recente de Javier] – como a de qualquer obra de não ficção – consiste em construir um relato costurado à realidade, desprovido de ficção. No caso do meu livro, por uma razão muito simples: trata-se de uma enorme ficção ambulante, Enric Marco – “o maior impostor da história”, como o chamou Vargas Llosa – e desde o começo me pareceu que era redundante, literariamente irrelevante, escrever uma ficção sobre outra ficção, e que eu devia me prender à realidade ou, melhor dizendo, organizar um combate até a morte entre a mentira e a verdade ou entre a ficção e a realidade. Este é o livro.

Em O impostor existe limite para a liberdade criativa em detrimento do compromisso com os fatos? Quais são eles?

A liberdade absoluta é a absoluta escravidão. Igual à vida, em que a arte da liberdade não consiste em não obedecer a nenhuma regra, mas em obedecer somente as que realmente importam. Em O impostor, me impus a regra de renunciar à ficção, embora o livro tenha muitas ficções (sobre todas as que o próprio Marco inventou, o alguma que eu mesmo invento, advertindo ao leitor que se tratam de invenções). Essa regra não é um limite a à mina liberdade: é a sua condição e sua garantía.

Qual sua opinião sobre o jornalismo que é praticado hoje, no mundo?

Há bom, mau e regular. Não sou jornalista e, ainda que goste muito de jornalismo, não vou dizer que seja um dos gêneros maiores do nosso tempo, porque creio que haja gêneros maiores e menores, ao menos formas maiores ou menos de praticá-los.

Serviço

11ª Festa Literária Internacional de Pernambuco
De quinta (12) a domingo, das 9h às 21h
Onde: Colégio São Bento (Avenida Sigismundo Gonçalves, 375, Varadouro, Olinda)
Entrada Gratuita

>> Congresso Literário
Confira a programação:

Sexta-feira (13)
19h – Abertura: Manuela Nogueira conversa com Arnaldo Saraiva

Sábado (14)
15h – Passado: presente! Glórias e mazelas da memória e da história – Eric Nepomuceno e Luize Valente, com mediação de Mona Dorf.
17h – Mentiras sinceras, verdades fingidas: As vidas duplas (e múltiplas) do escritor – Sérgio Godinho e Ioram Melcer, com mediação de Norma Couri
18h30 – As máscaras e imposturas na realidade e na literatura – Javier Cercas conversa com Eric Nepomuceno
20h15 – Portugal e Brasil: o que nos une, o que nos afasta – Miguel Sousa Tavares e Mario Prata, com mediação de Norma Couri

Domingo (15)
15h – Fernando Pessoa traduzido, Fernando Pessoa tradutor – Richard Zenith e Arnaldo Saraiva conversam com Ioram Melcer
17h – Por que Pessoa nunca enjoa? A vida-obra de um gênio universal – Alfredo Antunes e Paulo José Miranda, com mediação de Mona Dorf
18h30 – A vida oculta de Fernando Pessoa — André Morgado e Alexandre Leoni, com mediação de Mona Dorf
20h15 – Encerramento – As nossas – e as outras – línguas portuguesas – Pasquale Cipro Neto conversa com Mona Dorf

>> Fliporto Galera
Sexta-feira (13)

10h às 11h – Aforismos e Aflorismos – Oficina de Criação Literária com Wilson Freire
11h – Bate-papo com o escritor e editor Rodrigo de Faria e Silva (SP)
14h – Bate-papo – Narrativas Assombrosas de uma Sexta-feira 13, com Gilberto Freyre Neto e Roberto Beltrão

Sábado (14)

10h às 12h – Vivência de Literatura Cartoneira com o Projeto Pé de Letra e Mariposa Cartoneira (PE)
14h – Jam Session – Microfone aberto pra Galera e apresentação de escolas convidadas
15h às 16h30 – Tarde de Contos: “Contos de dar Nó na Língua”, com Adélia Oliveira e Cia. (PE), Brunna Raniere, Filipe Nicodemos e Yves Guet e “Era Pois Pois Uma Vez”, com Clara Haddad.
16h30 – Pocket Show – O Som da Galera, com Sofia Freire e Banda (PE)

Domingo (15)

10h – Lançamento de livro e bate-papo com o autor Clóvis Levi (RJ)
11h – Premiação da Maratona Literária Quiz
11h30 – Lançamento do Livro O Pequeno Príncipe em Cordel, com Josué Limeira, Vladimir Barros de Souza e Gleison Nascimento
14h – Workshop de Jornalismo Colaborativo, com Stephany Cardoso
15h30 – Bate-papo – A Mídia e a Galera, com Ivan Morais Filho e Pedro Jatobá
16h30 – Sarau – Com a Palavra, a Galera, com Gleison Nascimento, Luna Vitrolira, André Monteiro e Teresa Coelho

>> Fliporto Galerinha
Sexta-feira (13)

10h – Oficina de Máscaras Africanas
11h – Apresentação “Parceiros da Energia” da Celpe
14h – Contação de Histórias –  Espetáculo “Luanda, Ruanda”

Sábado (14)
10h às 12h30 – Bom dia, Galerinha!, com apresentações “Esse Mar Tá Pra Peixe” – Cia. Agora Eu Era (PE), “Pequenas Histórias de Cantar” – Cristiano Gouveia (SP) e “Histórias Fantásticas da Literatura de Cordel” – Susana Morais e Tio Diego (PE)
14h – Apresentação “Parceiros da Energia” da Celpe
14h30 – Lançamento do Livro Carvão, um gato diferente, de Márcio Renné
15h às 17h –  Vivência de Literatura de Cordel para Crianças, com Susana Morais

Domingo (15)

10h – Banda Cordelândia
11h – Apresentação “Parceiros da Energia” da Celpe
11h30 – Encontro de autores mirins com Frederico, Isadora Fernandes e Marina Cavalcante
14h – Lançamento do Livro A Viagem de Marino, com Paulo André Viana e Cia.
15h às 17h – Oficina de Azulejos Portugueses para crianças, com Emerson Pontes

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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