Bicicletas ganham espaço nas salas de aula

Algumas escolas do Recife estão incluindo em sua grade curricular ações educativas que promovem modais sustentáveis, como a bicicleta. Palestras, debates, feiras de conhecimento e pesquisa, atividades em campo e referências dentro da sala de aula são as didáticas utilizadas para desconstruir o conceito do automóvel como sinônimo de status social e financeiro. Embora incipiente, a educação cidadã está sendo incluída paulatinamente nos mais diferentes métodos de ensino, na tentativa de inverter a ordem de importância dos valores sociais: sai o individual e entra o coletivo.

A coordenadora de projetos sustentáveis do Colégio Fazer Crescer, Denise Paranhos, explica que existe um trabalho de educação no trânsito e promoção da bicicleta dentro da escola. “Queremos que o aluno veja a bicicleta não apenas como instrumento de lazer, mas como um meio, uma alternativa sustentável de locomoção dentro da cidade, seja para ir à escola, ao trabalho ou às atividades de lazer”, conta. Um dos grupos da feira de conhecimento da escola deste ano estuda o Plano Diretor Cicloviário (PDC).

Além de se debruçar sobre o conteúdo do PDC, os estudantes são instruídos sobre a estrutura urbana do Recife e suas vias públicas. “Montamos uma cartilha com direitos e deveres dos ciclistas e com informações sobre a infraestrutura da cidade, por questões de segurança, porque sabemos que o Recife não está preparado para a bicicleta. E fizemos a campanha de 1,5m”, completou Paranhos. Outras ações complementam o trabalho de educação cidadã: passeios ciclísticos entre professores, pais e alunos, implantação de bicicletários e vestiários. A escola já recebeu o selo de “Amigo do Ciclista”.

E não basta ensinar. Tem que o dar exemplo. Por isso, muitos funcionários do Fazer Crescer e a própria diretora vão de bicicleta para a escola. “É um trabalho lento, de formação e o resultado não é imediato mas fundamental. De nada adianta se não oferecermos consciência cidadã a quem fará a nossa cidade”, defende Paranhos.

No Instituto Capibaribe a lógica da humanização do trânsito é a mesma. “As atividades visam sensibilizar sobre a forma de ocupar a cidade. Temos um cenário de adensamento, as cidades entrando em colapso e a precarização do transporte público. Para além da bicicleta e das regras técnicas de trânsito, procuramos ensinar o peso do carro na vias, os males trazidos pelo automóvel e como percebemos o outro na rua. O objetivo é colocar o aluno no lugar do outro”, explica a psicóloga, Maria Sobral.

O Arruando é um trabalho em campo do Instituto Capibaribe, nas vias públicas, através do qual os alunos são estimulados a perceber o estado das calçadas, a quantidade de árvores, estacionamentos irregulares, entre outros pontos. “Percebo que os alunos voltam dessas atividades, estão com outro olhar”.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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