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Casos de microcefalia assustam interior de Pernambuco

Vitória de Santo Antão – Fernando comprou um berço rosa para a menina dele que iria nascer. Agricultor em Vitória de Santo Antão, a 52 quilômetros do Recife, passou quase nove meses de gestação da mulher, Francielle, dando beijos na barriga dela com o desejo de que o carinho fosse sentido por Maria Fernanda, sua primeira filha. Armou o móvel ao lado da cama do casal faz dois meses. Na madrugada de quarta-feira, Fernando juntou R$ 80 às carreiras e pagou um carro de aluguel para levar Francielle até a maternidade de serviço público. A bolsa havia estourado. Um pai de 22 anos e uma mãe de 21 anos tinham trinta minutos do Engenho Serra Branca, na zona rural, até o Hospital João Murilo Oliveira. Maria Fernanda nasceu às 11h30. Fernando não estava: já trabalhava sob o sol da roça para ganhar o sustento da família. À noite, fim da lida, envolveu pela primeira vez o novo amor nos braços musculosos. Chorou de alegria.

Maria Fernanda, pernambucana, 4 dias de nascida, 2.700 gramas após 38 semanas de gestação, 31 centímetros de perímetro encefálico. É o mais recente caso de bebês notificados com suspeita de microcefalia aqui. A recomendação do Ministério da Saúde para o Nordeste é que as crianças com menos de 32 centímetros sejam registradas para que se verifique se é microcefalia ou uma criança com tamanho pequeno para a idade gestacional. Um Pig, segundo a sigla usada.

Levantamento feito pelo Diario mostra que em Vitória de Santo Antão a taxa de notificados por desconfiança de microcefalia é de 9,6 por 100 mil habitantes. Alta. No Recife, a incidência é de 6,0 por 100 mil habitantes. Com 134,8 mil habitantes, em Vitória de Santo Antão a cada 10.374 mil pessoas há um bebê investigado por microcefalia. Foram 13 bebês, informa último boletim da Secretaria de Saúde. A diretoria do João Murilo Oliveira contabilizava 26 casos pré-notificados desde o dia 30 de outubro. Esta estatística tem dinâmica acelerada.

A negação
“Verifiquei as mãos e os pezinhos. Ela é perfeitinha. Só é pequena, mas isso é questão de tempo”, dizia a tia e acompanhante da mãe, dona Marli Santos, de 43 anos. “Estou mais preocupada com a pele amarelinha”. Francielle, só balançando a cabeça, contou que não tem tensão quanto à saúde da filha. O pai deu um sorriso nervoso, disse que ele tem, sim. Fez gosto de posar para foto com a garotinha. Francielle não acompanhou o noticiário recente sobre o “boom” da microcefalia, malformação congênita na qual o cérebro do bebê se desenvolve menos que o esperado. O perímetro encefálico menor é relacionado a retardo mental e sequelas neurais diversas.

Como em Vitória, a incidência proporcional da microcefalia é relevante do ponto de vista estatístico. Ajuda a compreender um conjunto. O como, por exemplo, Moreilândia (Sertão), com 11.245 mil habitantes, está no topo da lista de incidência de acordo com habitantes. Lá, foram cinco casos (veja quadro).

No momento, tudo que se busca é respostas para o fenômeno. Em cada número, há tensão, um drama familiar novo, assim como o que acompanha Fernando, Francielle e a pequena Maria Fernanda.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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