Conscientes ou reféns do modismo?

Um fato inusitado aconteceu em nossa cidade na manhã desta segunda feira 16, membros ligados ao Movimento Sem-Terra (MST) invadiram a sede da Codevasf para exigirem a aplicação de políticas públicas com relação à disponibilidade de água para os assentamentos.

Como hoje vivemos antenados nas redes sociais, a notícia logo se espalhou, inclusive munida com fotos e tudo mais. A partir desse momento “pipocaram” opiniões sobre o movimento que há décadas luta por uma distribuição igualitária de terras para a sobrevivência daquelas famílias.

“Pessoal, os sem-terra invadiram a Codevasf!!” bradou um internauta. “Meu Deus, tomaram conta mesmo” retrucou outro. “Povo que não tem o que fazer. Vagabundos sustentados pelo governo” inflamou outro. “Bando de desocupados”, “deus me perdoe, não gosto dessa gente” e assim por diante foi pautada a reação dos internautas ao saber da ocupação das famílias ao órgão federal.

Liguei aquelas declarações com o que eu vi ao tentar dar cobertura ao inusitado fato; o que vi ali foram trabalhadores de mãos calejadas, homens, mulheres e crianças lutando para tentar remediar uma injustiça social que paira em todo o país onde poucos senhores detêm grandes áreas, muitas vezes improdutivas, enquanto famílias inteiras correm atrás de um pedaço de chão para sobreviver.

Entendo que dentro do movimento existem aqueles picaretas que estão ali para tentar se dar bem, arrumar um pedaço de chão e vender, no afã de arrumar um dinheiro fácil às custa do suor dos trabalhadores e sua luta. Por outro lado, vejo uma mídia conservadora e elitista que discrimina os movimentos sociais, em detrimento dos interesses dos poderosos, e que incute na mente da sociedade desavisada a criminalização das ações dos movimentos taxando-os de bandidos sanguinários.

Dou com exemplo, algumas denúncias em alguns programas de rádio em nossa cidade dando conta da venda de casas em conjuntos habitacionais custeados pelo governo federal; quer dizer que ali não tem pessoas carentes e que precisam urgentemente de uma moradia decente? Ou são todos mal intencionados a fim de abocanhar uma casa e vendê-la a preço de banana?

Por isso temos que estar bem cientes de todas as questões, inclusive às ligadas à reforma agrária e a luta dessas famílias para não incorrermos na questão do modismo midiático que ceifa nosso raciocínio e nos deixa reféns de seus posicionamentos obscuros.

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1 comentário

  1. Olá Fábio! Parabéns pela abordagem sensata e equilibrada sobre o fato, bem ao contrário da grande mídia que criminaliza este movimento de cidadãos brasileiros que só querem, na sua imensa maioria, terra e condições para trabalhar.
    Abraço!

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