Consumidor vai às compras na Black Friday, que acontece às vésperas do pagamento do 13º

Milena e Paulo resolveram pesquisar mais depois de comprovar que os preços de eletrodomésticos não estavam atrativos. Foto: Paloma Amorim
Milena e Paulo resolveram pesquisar mais depois de comprovar que os preços de eletrodomésticos não estavam atrativos. Foto: Paloma Amorim

Às 7h da manhã de hoje, o RioMar Shopping já estava pronto para abrir as portas de olho na Black Friday 2015, a queima de estoque criada nos EUA que virou febre no Brasil. Logo cedo, o centro comercial começou a receber centenas de clientes dispostos a conferir as promoções e, dependendo das oferas e do bolso, comprar. Ao longo da manhã, foi grande a procura por eletrodomésticos, roupas, calçados e artigos de cama, mesa e banho.

Os valores dos produtos e os esperados descontos, no entanto, não agradaram a todos. A enfermeira Milena Coelho e o marido, o empresário Paulo Prado, chegaram no início da manhã ao RioMar na esperança de gastar cerca de R$ 8 mil, dinheiro reservado somente para a Black Friday. O casal mudou recentemente de casa e está montando o novo lar com muita paciência. A ideia era levar TV, depurador de ar, laptop, camas box e outros itens. Até o momento em que a reportagem do Diario os entrevistou, nenhuma mercadoria tinha sido comprada.

[embedded content]“Percebemos que os preços ainda não estão bons, com muitos produtos apresentando descontos que não condizem com a Black Friday. Vimos uma TV em um hipermercado por um valor e arriscamos no shopping para tentar mais barata. Mas estava R$ 200 mais cara. Pode estar bom para outros grupos de produtos, eletrodomésticos não”, afirmou Milena. “Não basta apenas chegar e comprar. É importante demais cotar os preços e pesquisar aquilo que você quer comprar. O segredo é a pesquisa antes de pagar”, adverte Paulo.

Ricardo Ferreira queria um smartphone novo e achou o modelo, mas não sabia se ia levar por conta do preço. Foto: Paloma Alecrim
Ricardo Ferreira queria um smartphone novo e achou o modelo, mas não sabia se ia levar por conta do preço. Foto: Paloma Alecrim

Diante do alvoroço de pessoas dentro da loja das Casa Bahia, o funcionário público Ricardo Ferreira, 51, procurava um smartphone de uma marca asiática para comprar. Segundo ele, o máximo que desembolsaria pelo telefone seria entre R$ 1 e R$ 1,1 mil. “Pesquisei muito na internet antes de tentar a compra durante a Black Friday, mas na loja os modelos que eu poderia comprar estavam, pelo menos, 10% mais caros. Tem que pesquisar em várias lojas até achar a melhor oferta”.

Apesar da cautela demonstrada por alguns consumidores, clientes carregando TVs, micro-ondas, ventiladores, computadores, artigo do lar, roupas e calçados eram vistos atravessando os corredores do shopping. Movimento, aliás, incomum para um fim de ano com recessão e desemprego em alta, ainda que esperado,  considerando que, na próxima segunda, é dia de os trabalhadores receberem a primeira parcela, e maior, do 13º salário.

Bom para os lojistas, que mantém as esperanças em recuperar, ou ao menos tentar, parte do que perderam em vendas neste ano difícil para o comércio varejista. Hoje, os shoppings só vão fechar as portas às 23h e, até lá, muita gente vai gastar dinheiro. “Tivemos uma Black Friday em 2014 muito boa, com cerca de 100 mil visitantes. Este ano, fizemos uma divulgação mais forte estendendo o horário de funcionamento. Acreditamos que será melhor que o ano passado”, explicou Denielly Halinski, gerente de marketing do RioMar.

Para ela, a crise econômica que assola o Brasil não vai atrapalhar as vendas. Grupos de produtos como eletrodomésticos e eletroeletrônicos dominam a preferência dos clientes, uma vez que o pagamento em forma de cartão ou crediário ajuda. Mas há outros nichos que tendem a crescer este ano em termos de venda. “Moda, brinquedos e vestuário devem surpreender. Temos marcas internacionais no mall com descontos de 50% que atraem os consumidores. Reforçamos os serviços, dinamizando os setores e buscando atender os clientes em suas necessidades. A data ajuda e com o 13º salário acreditamos em uma boa Black Friday. Há descontos associados no pagamento com cartão, que também potencializam as vendas”, disse Denielly.

Variação
De fato, os grupos de produtos com descontos são variados. Teve loja que uniu promoção semanal com a Black Friday. Caso da Loungerie, umas das queridinhas do público feminino, que vende calcinhas, sutiãs e acessórios. “A campanha este ano é mais forte, com descontos de 70%, 50%, 40% e 30%, por coleções e por peças. Temos a Pink Week aliada à Black Friday, duas promoções juntas, além de um revezamento entre oito e dez vendedoras, e também quatro marcas de calcinha importadas que as clientes gostam muito. O movimento vai ser bom”, cravou a Ana patrícia Santos, gerente da Loungerie.

Loungerie resolveu apostar em duas promoções juntas, a Pink Week e a Black Friday. Foto: Augusto Freitas/DP/D.A.Press
Loungerie resolveu apostar em duas promoções juntas, a Pink Week e a Black Friday. Foto: Augusto Freitas/DP/D.A.Press

No intervalo do trabalho, a gerente de loja Ana Karina Silva foi à procura de um brinquedo para a sobrinha. Queria gastar entre R$ 100 e R$ 150. Em uma loja conhecida, achou o que desejava. “Tem descontos de 40% e 50%, preços bons. Ano passado comprei um celular durante a Black Friday com 30% de abatimento. Volto para comprar mais tarde”, disse, convicta.

A variação das promoções também se estende a lojas menos visadas pelos consumidores durante a queima de estoque. Um deles, o de bijouterias e semijoias, deve turbinar as vendas. Na Rommanel, por exemplo, cuja marga registrada é a venda de joias folheadas, havia bons descontos nas vitrines. De acordo com a gerência, anéis, colares e brincos têm ofertas com 55% e 75% a menos nos valores.

Fiscalização
Diante do interesse dos clientes em aproveitar os descontos da Black Friday, e também do desrespeito às normas de defesa do consumidor durante algumas edições do evento, a Procon-Pernambuco resolveu atestar se os preços realmente condizem com o anunciado pelas lojas. Na chegada ao RioMar, a reportagem do Diario encontrou dois fiscais do órgão que aguardavam uma cliente chegar após ela denunciar uma loja que apresentou preço diferente do anunciado. Nenhum deles, no entanto, quis falar, alegando que não estavam autorizados pela gerência de fiscalização do Procon. Posteriormente, seguiram direto para uma conhecida rede varejista de eledromésticos. 

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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