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Da A para a D, da D para A: a história do Santa Cruz é sem precedentes no futebol brasileiro

Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

Torcida do Santa Cruz empurrou time em arrancada histórica da Série D para a Série A do Brasileiro

Com o acesso à Série A matematicamente assegurado, o Santa Cruz se tornou um exemplar único na história do futebol brasileiro: é o primeiro clube a acumular rebaixamentos, cair da primeira até a quarta divisão e retornar à elite – na bola, sem qualquer ajuda extracampo. Feito inédito no país e extremamente raro numa escala global. O Superesportes pesquisou as principais ligas do mundo e encontrou cinco clubes com trajetórias semelhantes. Alguns deles, gigantes de muitas conquistas; outros, meros coadjuvantes em seus países, que tiveram, porém, a grandeza para superar um declínio vertiginoso. Em comum com o Santa, a altivez de se reencontrar com as próprias pernas.

palermocalcio.it/Divulgação

Palermo (Itália) // 18 anos fora da elite
Presença constante na Primeira Divisão italiana durante a década de 1950, o time rosanero chegou até a disputar competições europeias como a extinta Copa dos Alpes no período. Os anos 1960 foram de grande instabilidade, com quedas e retornos, mas o clube ainda conseguiu frequentar a Série A por mais cinco anos. A temporada 1972/73 marcou, no entanto, a sua última participação na elite do futebol italiano. A partir daí, o Palermo vagou por divisões inferiores até falir, em 1986. Foi preciso recomeçar da Série C2, a última divisão da Itália. Depois de muito lutar e se reorganizar financeiramente, o clube conseguiu o retorno à Série A na temporada 2003/04, conquistando o título da Série B.

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Swansea City (País de Gales) // 28 anos fora da elite
“Não somos apenas um clube, mas uma família que atravessa os maus momentos e chega ainda mais forte aos bons.” Segundo o site do Swansea, esse é o lema perfeito para contar a história de superação protagonizada pela equipe galesa. Após atingir a elite do futebol britânico no início da década de 1980, o time foi sucessivamente rebaixado e virou figurinha carimbada da quarta divisão. Durante os anos 1990, os problemas financeiros criaram uma dívida impagável de mais de 4 milhões libras. O clube foi à venda, mas não apareceram interessados. Coube ao empresário Tony Petty arrematar a agremiação em 2001, por um valor simbólico de uma libra. Nos dez anos seguintes, o Swansea se reestruturou e alcançou o que parecia impossível: tornou-se o primeiro clube galês a disputar a Premier League, em 2011. E foi além, conquistando o título da Capital One Cup, na temporada seguinte.

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Napoli (Itália) // 6 anos fora da elite
Após viver um período de ouro nos fim dos anos 1980, quando contou com craques da estirpe de Maradona e Careca, os azzurri viveram uma década de 1990 conturbada financeiramente. Depois de provocar muitos rebaixamentos, os problemas culminaram com a falência da agremiação, em 2004. O cineasta Aurelio de Laurentiis, então, refundou o clube, que teve que recomeçar a sua trajetória no futebol italiano a partir da última divisão. A ascensão, no entanto, foi acelerada: em 2007, os Partenopei voltaram a figurar na Série A, e desde então já passaram a ser presença constante no topo da tabela da competição, além de participarem da Liga dos Campeões com frequência.

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KV Mechelen (Bélgica) // 4 anos fora da elite
Assim como o Napoli, o Mechelen (também conhecido como FC Malines no ‘lado francês’ da Bélgica) também viveu um período de glórias no fim da década de 1980. Foi quando o clube conquistou seu quarto título nacional e a maior glória de sua história: a extinta Recopa Europeia, conhecida em inglês como “Winners Cup”, superando o Ajax na final. O time “sang et or” seguiu nesse auge até o ano de 1992, quando o presidente John Cordier deixou o cargo. Os dez anos seguintes foram de rebaixamentos e problemas financeiros. Até que, afundado em dívidas, o Mechelen pediu falência em dezembro de 2002, disputando o restante da temporada com atletas da base. No ano seguinte, três torcedores montaram, então, uma ONG chamada “Red KV” para salvar o clube, pedindo que cada colaborador doasse mil euros. O slogan: “Faremos nós mesmos”. Eles negociaram as dívidas com os funcionários e registraram a agremiação sob uma nova licença: Yellow-Red KV Mechelen. Recomeçaram na terceira divisão na temporada 2003/04, e a conquistaram no ano seguinte. Em 2007, foram campeões da Segundona e, enfim, retornaram à elite belga.

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stade-de-reims.com/Divulgação

Stade de Reims (França) // 33 anos fora da elite
Soberano do futebol francês na década de 1950, o clube da região de Champagne chegou a ser vice-campeão da Copa dos Campeões por duas vezes, sendo derrotado pelo Real Madrid de Di Stéfano e Puskas. Nessa fase gloriosa, o time era conhecido como “Grand Reims” e contava com craques como Just Fontaine, artilheiro da Copa de 1958, e Raymond Kopa, também referência da seleção francesa. Após esse período, o clube passou a fazer campanhas medianas até o ano de 1979, quando participou pela última vez da primeira divisão francesa. Desde então, vagou por divisões inferiores enquanto acumulava uma dívida imensa. Em 1991, ela totalizava mais de 50 milhões de francos. O Reims entrou, então, em processo de liquidação judicial e teve até os seus troféus vendidos. Desde então, o time foi refundado sob outro nome (Stade de Reims Champagne) e começou sua escalada para retornar à elite. Subiu para a quinta divisão em 1994; para a quarta em 1998; para a terceira no ano seguinte e para a segunda em 2002. Ainda foi rebaixado para novamente em 2003, mas logo na temporada posterior voltou à Segundona, onde ficaria até 2012 quando, enfim, conseguiu voltar à Ligue 1.
Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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