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Erros técnicos e humanos explicariam ataque a hospital no Afeganistão

Hospital da MSF foi destruído num bombardeio em Kunduz, no Afeganistão, em outubro. Foto: AFP NAJIM RAHIM
Hospital da MSF foi destruído num bombardeio em Kunduz, no Afeganistão, em outubro. Foto: AFP NAJIM RAHIM

O ataque a um hospital da organização Médicos sem Fronteiras que deixou 30 mortos no Afeganistão em outubro resultou de uma série de erros e visava a um edifício controlado pelo Talibã, indicaram militares americanos, a poucas horas da apresentação da investigação do Pentágono nesta quarta-feira.

O general americano John Campbell, que comanda 13.000 soldados estrangeiros da Otan no Afeganistão além das tropas americanas no país, deve falar durante uma coletiva de imprensa marcada para às 14h30 GMT (12h30 de Brasília). Ele deve apresentar as conclusões do inquérito realizado pelo exército americano sobre o ataque de 3 de outubro, uma das três investigações em curso com as da Otan e do exército afegão.

“Foi uma combinação de fatores”, declarou uma autoridade do departamento americano de Defesa, entrevistado pelo  New York Times antes da explicação oficial.

Duas outras autoridades americanas familiarizadas com a investigação evocaram uma cadeia de erros humanos, violações de procedimentos e falhas técnicas, segundo o jornal americano.

Inicialmente, o ataque tinha como alvo um edifício dos serviços de inteligência afegãos em Kunduz (norte), conquistado pelo Talibã. Mas “os membros da tripulação não puderam contar com as ferramentas de navegação da aeronave para localizar o alvo”, indica o jornal. “Desta forma, basearam-se na descrição do local pelas tropas terrestres” e atingiram “por engano” o hospital localizado nas proximidades.

Mas desde 3 de outubro, a direção da MSF refuta categoricamente o termo “erro”. Seu presidente Joanne Liu chegou a evocar “suspeitas de crimes de guerra” e exigir uma investigação internacional independente, assegurando não confiar no Pentágono.

Além disso, Kate Stegeman, porta-voz da MSF no Afeganistão, explicou à AFP que “nós não vimos o resumo do relatório e estamos no escuro sobre o resultado” da investigação, conduzida por três generais americanos que não pertencem ao estado-maior da Otan no Afeganistão.

A ONG, duplamente atingida pelos bombardeios contra seu hospital de Kunduz e em 27 de outubro contra o de Haydan, no Iêmen, publicou nesta quarta-feira fotos e uma breve biografia de seus 14 funcionários, todos os afegãos, mortos em Kunduz.

Confusão
O foco do relatório americano reside na atribuição de responsabilidades nas falhas na cadeia americana de comando.

Imediatamente após o atentado, o general Campbell indicou que o ataque americano havia sido realizado por solicitação do exército afegão, segundo o qual combatentes talibãs estavam escondidos no interior do hospital.

Ele também assegurou perante uma comissão do Congresso americano que suas forças “não visavam” hospitais, mesmo tendo inimigos em seu interior.

Na época, as forças afegãs estavam envolvidas em violentos combates com o Talibã em Kunduz, grande cidade do norte do país, então nas mãos dos insurgentes.

A MSF admitiu recentemente que “vinte” talibãs recebiam tratamento em seu hospital, mas garantiu que transmitiu as coordenadas GPS do hospital para os exércitos afegão e americano antes do ataque.

A organização também alertou as autoridades assim que as primeiras bombas caíram, o que não impediu que o bombardeio continuasse por quase uma hora.

Os funcionários entrevistados pelo New York Times ressaltaram que o ataque não cumpriu algumas das regras do compromisso militar americano no Afeganistão.

Uma autoridade também informou ao Wall Street Journal que “havia certa confusão quanto ao alvo que eles estavam atirando”.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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