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Esquerda acerta aliança inédita para governar Portugal

O líder dos socialistas portugueses, Antônio Costa, anunciou na noite desta sexta-feira que apresentará ao seu partido um programa de governo apoiado em uma aliança inédita da esquerda contra o atual Executivo conservador.

Os acordos já “estão fechados na parte mais difícil, a do programa” com o Partido Comunista, o Bloco de Esquerda e os Verdes, declarou Antônio Costa em entrevista à rede de televisão SIC.

Os comunistas e o Bloco de Esquerda confirmaram o acordo com o Partido Socialista, o que na prática aponta para o fim do governo de direita de Pedro Passos Coelho.

Antônio Costa tranquilizou os sócios europeus de Portugal, reafirmando que respeita “os compromissos internacionais” do país e que buscará “um déficit no orçamento inferior a 3% do PIB, que terá uma trajetória de redução progressiva”.

Segundo Costa, os partidos de esquerda radical estão dispostos a colocar entre parênteses sua rejeição ao tratado europeu sobre orçamento, firmado em 2012, e sua exigência de renegociação da dívida pública, em torno de 130% do PIB.

Os principais obstáculos nas negociações com a esquerda radical eram o acordo europeu sobre o gasto público e a insistência dos comunistas em renegociar a dívida.

“As condições para se formar um governo do PS, dirigido por mim, estão reunidas”, afirmou Costa, acrescentando que os partidos da esquerda radical “optaram” por não entrar em um eventual executivo socialista, limitando-se a um apoio parlamentar.

O líder dos socialistas reconheceu que será necessário “trabalhar ainda mais para garantir a estabilidade” do futuro governo “ao longo de toda a legislatura”.

No poder desde 2011, a coalizão de direita venceu as legislativas de 4 de outubro, mas perdeu a maioria absoluta após quatro anos de rigor orçamentário.

A esquerda portuguesa e os Verdes somam 122 deputados dos 230 do Parlamento, uma maioria necessária para rejeitar o programa de governo de direita e provocar sua queda.

“Conseguimos derrubar o muro que dividia a esquerda portuguesa” e que “excluía partidos que representam quase dois milhões de eleitores”, afirmou Costa.

O Bloco de Esquerda, formado em 1999 entre movimentos marxistas e trotskistas, assinalou que o acordo com os socialistas busca “proteger o emprego, os salários e as pessoas” após quatro anos de austeridade.

Esta aliança entre socialistas e a esquerda radical é a primeira desde a chegada da democracia em Portugal em 1974, e parecia inimaginável há algumas semanas devido a divergências históricas.

O Partido Comunista reunirá no domingo seu comitê central para aprovar o acordo com os socialistas, que por sua parte convocarão no mesmo dia uma comissão política para aprovar o programa de governo.

Na próxima terça-feira, uma decisão do Partido Socialista em conjunto com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista contra o programa do atual governo provocará sua demissão.

Mas a última palavra cabe ao presidente de Portugal, o conservador Aníbal Cavaco Silva, até o momento oposto a ideia de entregar o poder a um governo apoiado por partidos da esquerda radical.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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