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Estudo reforça elo entre zika e síndrome

Um estudo realizado por dois pesquisadores pernambucanos reforçou a ligação entre o zika vírus e a síndrome de Guillain-Barré (SGB), doença neurológica que bloqueia a passagem de estímulos nervosos e pode causar paralisia. A pesquisa foi conduzida pela chefe do setor de neurologia do Hospital da Restauração, Lúcia Brito, e pelo colaborador da Fiocruz Carlos Brito. Segundo Lúcia, o estudo identificou a presença do zika no líquido espinal e no sangue de seis pacientes com a síndrome. Antes, a relação só havia sido apontada em uma pessoa.

Os pesquisadores remetaram as amostras para o Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, da Fiocruz Pernambuco, que analisou o material. Os novos resultados foram apresentados em Brasília, durante reunião no Ministério da Saúde.

“O zika foi o responsável pela doença nesses pacientes. Há uma forte suspeita de que em outros também. Estamos aguadando a liberação de material para processar os exames”, explicou a médica e pesquisadora Lúcia Brito. Segundo ela, ainda não há uma data para recebimento dos resultados finais dos exames.

Para o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e responsável pela identificação da chegada do zika vírus no Brasil, Kleber Luz, “a ligação da síndrome com o vírus é inequívoca”.
O número de casos de SGB cresceu de forma expressiva entre abril e junho, pouco depois que os estados nordestinos apresentaram o aumemto do zika. Em Pernambuco já são 131 registros da SGB. Rio Grande do Norte, Paraíba e Maranhão também registraram crescimento no quantitativo de notificações.

As suspeitas sobre a relação entre a infecção pelo zika e a síndrome surgiram na Polinésia, quando pesquisadores identificaram um aumento do número de SGB logo depois de uma epidemia da doença. “Nos chamou a atenção o crescimento do número de casos aqui em Pernambuco, então decidimos investigar. A infecção pelo zika, por si só, pode ser branda. Mas ela tem potencial de provocar sérios problemas, tanto para fetos quanto adultos”, lembrou o pesquisador e coordenador da análise, Carlos Brito.

Em Pernambuco, foram mais de 80 mil casos de zika, segundo Brito. Ele afirmou, porém, que “é preciso lembrar, porém, que nem todos os casos de SGB são decorrentes do vírus”. Em estudo preliminar com 127 casos suspeitos de SGB, dos quais 41 pacientes por entrevista, foi evidenciada a associação com a possibilidade de infecção prévia em 22 (54%). Dentre esses, o exantema (manchas no corpo) foi observado em 15 (68,2%).

Especialistas discutem agora com governo estratégias para tentar acompanhar o impacto da zika e as relações com SGB. Entre as propostas está criar um grupo para identificar, o mais rapidamente possível, primeiros sinais da síndrome e encaminhar pacientes para tratamento. A ideia é também organizar um comitê de estudo para avaliar qual a evolução da SGB.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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