Imprensa romena aponta 'irresponsabilidade' de proprietários e autoridades por incêndio em boate

A investigação sobre o incêndio mortal em uma boate em Bucareste continuava neste domingo, em meio a uma atmosfera de indignação e com acusações da imprensa contra os donos do estabelecimento e as autoridades locais por
A investigação sobre o incêndio mortal em uma boate em Bucareste continuava neste domingo, em meio a uma atmosfera de indignação e com acusações da imprensa contra os donos do estabelecimento e as autoridades locais por “irresponsabilidade”. © AFP DANIEL MIHAILESCU

Bucareste (AFP) – A investigação sobre o incêndio mortal em uma boate em Bucareste continuava neste domingo, em meio a uma atmosfera de indignação e com acusações da imprensa contra os donos do estabelecimento e as autoridades locais por “irresponsabilidade”. Mais duas pessoas morreram na madrugada deste domingo, elevando o número de mortos na tragédia a 29, segundo anunciou o secretário de Estado do Interior, Raed Arafat. Dos 146 feridos hospitalizados, 35 “estão em estado crítico” e 40 em estado grave, informou, por sua vez, o ministro da Saúde Nicolae Banicioiu.

O Ministério Público romeno deve ouvir os três proprietários da boate Colectiv, instalada numa antiga fábrica de sapatos no centro da capital romena, onde a tragédia ocorreu. “Coincidência, maldição ou indolência criminal?”, questionava neste domingo a capa do jornal Evenimentul Zilei, que garante que outras duas boates de um dos proprietários da Colectiv foram destruídas por incêndios nos últimos anos. Já o editorial do jornal Gandul, acusou as autoridades de não ter aumentado os controles e a supervisão das casas noturnas do país após o registro de acidentes semelhantes.

Segundo testemunhas, entre 300 e 500 jovens assistiam a um show de hard rock da banda “Goodbye to Gravity”, que promovia o seu novo álbum na véspera do Dia das Bruxas, quando o incêndio foi declarado. O incêndio teria sido iniciado após uma explosão durante um espetáculo pirotécnico. Um pilar e uma parte do teto pegaram fogo, que rapidamente se espalhou em razão da má qualidade do material de isolamento acústico, altamente inflamável, segundo uma fonte da polícia. Segundo um representante da empresa responsável pelo isolamento acústico, os donos da boate escolheram o material mais barato, sem se preocupar com os riscos de um incêndio e sem pedir a autorização dos bombeiros. Além disso, apenas uma porta de saída estava aberta no momento da tragédia. Várias pessoas ficaram feridas após serem pisoteadas pela multidão que tentava sair apressadamente do local em meio ao pânico, enquanto outras sofreram intoxicação por monóxido de carbono.

Solidariedade

Os investigadores passaram dez horas no sábado recolhendo provas do local da tragédia, e agora devem concentrar-se nas declarações de testemunhas. “Nós identificamos os feridos hospitalizados, cujo estado de saúde permite que relatem o que aconteceu”, indicou o Ministério Público. De acordo com vários relatos, a maioria das vítimas foram intoxicadas pela fumaça espessa que invadiu o local.

“Para sair, tive que pisar sobre corpos deitados inconscientes em frente à única porta aberta”, narrou um dos sobreviventes. Perante esta tragédia, a pior em décadas em Bucareste, espalhou-se por toda a Romênia uma onda de solidariedade. Centenas de pessoas correram para centros de transfusão na capital e em outras grandes cidades para doar sangue. Na internet, amostras de solidariedade se multiplicavam para as famílias das vítimas, e vários artistas anunciaram sua intenção de entregar a renda de seus futuros shows. Este incidente lembra a tragédia da boate Kiss, ocorrida em uma casa noturna no sul do Brasil, em janeiro de 2013, onde 242 pessoas morreram. O incêndio também foi causado por um fogo de artifício disparado por um membro de uma banda que se apresentava no local. A maioria das vítimas, jovens que participavam de uma festa universitária, morreu por asfixia.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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