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Indústria do cinema comemora queda do site pirata Mega Filmes HD

Conhecido como um dos maiores eventos de exibição e distribuição de cinema da América Latina, o Expocine 2015 termina nesta quinta-feira, 19, reunindo alguns dos principais nomes da indústria da sétima arte no mundo. A feira, realizada em São Paulo, se encerra um dia após a prisão dos administradores do site pirata Mega Filmes HD.

A ação da Polícia Federal desmantelou aquele que é considerado o maior website da América Latina na distribuição ilegal de conteúdo protegido por direitos autorais, incluindo filmes ainda em cartaz e séries de TV. Reunidos no Expocine, executivos do mercado internacional de cinema comemoraram a batalha vencida na guerra contra a pirataria.

Entre eles estavam representantes da Motion Pictures Association (MPA), órgão que defende os interesses de seis dos principais estúdios de cinema do mundo: a Warner Bros., a 20th Century Fox, a Universal Studios, a Paramount, a Sony Pictures e a Disney. Juntas, essas produtoras são responsáveis por franquias milionárias, como Star Wars, Velozes e Furiosos e Harry Potter.

Durante o evento, Ygor Valerio, vice-presidente jurídico da divisão latino-americana da MPA, concedeu com exclusividade entrevista ao Olhar Digital para falar sobre o assunto. O executivo é idealizador de uma iniciativa chamada 4C, ou a “Coalização do Cinema Contra o Camcording“.

Reprodução

Camcording nada mais é do que a prática de se filmar a tela do cinema durante as sessões de determinados filmes, colocando aquele vídeo na web ou em DVDs piratas com o longa-metragem na íntegra e sem autorização. Segundo Ygor, esse é um dos principais métodos utilizados na obtenção de cópias piratas de filmes.

A coalizão representada por Ygor Valerio e apoiada pela MPA pretende unir os principais exibidores do cinema brasileiro, incluindo Kinoplex, Cinemark e outras redes, para elaborar práticas de repressão e combate ao camcording dentro de suas salas. Confira a entrevista abaixo:

OLHAR DIGITAL: Hoje vocês comemoraram a queda do Mega Filmes HD, e uma das propostas do 4C é aumentar a punição para o crime de violação de direitos autorais. Como exatamente isso seria feito?

YGOR VALERIO: É importante diferenciar as situações. O Mega Filmes HD era um distribuidor de arquivos digitais ilegalmente adquiridos e sem licença para atuar. O tema do 4C é o camcording, isto é, a origem do conteúdo. É muito comum no mundo inteiro: o sujeito entra na sala de cinema, com uma câmera escondida, grava o filme – numa qualidade nem de perto tão boa quanto um filme lançado de maneira oficial, mas boa o suficiente para ser assistido na internet. Uma vez disponibilizada essa gravação para sites e redes de bit-torrent, esse filme se espalha pelo mundo inteiro.

Hoje no Brasil, isso é, sim, uma infração penal, só que a pena é muito branda. Se alguém for pego gravando filme no cinema, o máximo que vai acontecer com ele – a não ser que uma investigação comprove um objetivo de lucro com a gravação -, é que ele vai ser levado para a delegacia, vai assinar um termo e ir embora. Não vai ser efetivamente punido. Acreditamos que um aumento dessa pena, ou a criação de um dispositivo legal contra, especificamente, o camcording, vai sim inibir essa prática no Brasil.

OD: Mas organizações como o Partido Pirata, e também muitos usuários de sites como o Mega Filmes HD, dizem que a pirataria ajuda na democratização do acesso à cultura…

YV: Às vezes tem-se a impressão de que a gravação dentro do cinema acontece por algum objetivo libertário, ou porque, simplesmente, quer-se compartilhar aquele conteúdo. Isso não é verdade. A gravação do conteúdo dentro da sala de cinema acontece por um objetivo comercial. É criminoso, mas é um objetivo comercial. Aquela cópia pirata pode ser vendida no mercado negro por alguns milhares de dólares, dependendo do título.

O indivíduo que vai ao cinema gravar esse filme e depois vende esse conteúdo, ele é um agente dessa cadeia criminosa de pirataria física ou virtual no mundo inteiro. É importante destacar isso para que as pessoas não achem que a gravação dentro do cinema é um crime menor ou tem pouca importância. Ela é a origem, a fonte do conteúdo e que prejudica não só as produtoras estrangeiras mas também as nacionais.

OD: Prejudica de que forma?

YV: Duas semanas depois do lançamento de um filme, o número de acessos a esse filme, só no Mega Filmes HD, era equivalente ao número de pessoas que foram ao cinema assistir. Um exemplo é o filme “Vai que Cola”, lançado recentemente e que foi gravado no cinema. Então, quer dizer, o prejuízo para a indústria nacional e internacional é gigante.

OD: Além do camcording, existe a questão do Popcorn Time e outros serviços do estilo “Netflix pirata”, que oferecem streaming de filmes ilegalmente na internet. Isso também preocupa a indústria?

YV: Sem dúvida. A pirataria sempre vai muito na onda da realidade comercial. A ascenção desses grandes websites de streaming pirata e a ascenção do Popcorn Time veio de maneira muito conjunta com a ascenção de vários serviços de streaming como o Netflix. O streaming é realmente uma preferência do consumidor, e o pirata, que também tem seus consumidores, está muito atento a essa realidade.

OD: Como a tecnologia pode ajudar no combate à pirataria e ao camcording em si?

YV: Não há ainda uma solução tecnológica definitiva para o problema. O que existem são tecnologias que permitem a investigação desse delito. A tecnologia de marca d’água, por exemplo, permite que o investigador do tema saiba exatamente onde um determinado arquivo foi gravado. Só que o pirata que grava dentro da sala de cinema não tem nenhuma característica especial. Eu adoraria que ele tivesse uma luz piscando ou alguma característica peculiar, mas ele não tem.

Normalmente, a reação acontece só depois que o conteúdo já foi pirateado. Ela pode acontecer na sala de cinema sempre que as equipes de segurança que nós distribuímos nas épocas de lançamento pelas salas identifiquem alguém gravando – com uma câmera ou com o celular. Essa pessoa pode ser retirada da sala e levada a uma autoridade policial. Mas ainda não existe um “sensor de piratas”.

Fonte: Olhar Digital
Matéria originalmente postada no site olhardigital.uol.com.br

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