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Interferência política no caminho do hub

Se depender da presidente Dilma Rousseff (PT), o centro de voos domésticos e internacionais do grupo Latam, disputado por três estados do Nordeste, será instalado no Ceará, governado por seu aliado, Camilo Santana (PT). Dilma tem contado com a interlocução do ministro da Educação, Aloízio Mercadante, que foi no final de outubro ao estado cearense, mas tem ouvido ponderações técnicas de outros aliados. O impasse coincidiu com o adiamento da decisão do grupo empresarial, que escolheria a sede nordestina do empreendimento no final deste mês. O Rio Grande do Norte continua correndo por fora da disputa, segundo informações de empresários, enquanto Pernambuco tenta se antecipar e finalizar os estudos possíveis para se mostrar como opção econômica mais viável antes dos concorrentes. O governo estadual se sustenta no que tem escutado de caciques do Planalto, de que a preferência da presidente não terá um peso deciso.

O senador Fernando Bezerra Coelho cita argumentos explicitados pelo próprio ministro da Aviação, Eliseu Padilha, de que o estado pernambucano tem mercado para crescer e, uma vez que a Infraero administra o aeroporto dos Guararapes, o hub daria um impulso financeiro para aportar em outros 200 aeroportos regionais. 

Mercadante, contudo, articula para levar o hub para o Ceará, onde Camilo Santana vislumbra o empreendimento como sua maior vitrine política. O cearense tem a simpatia de Dilma e alega que Pernambuco já foi beneficiado demais no governo Eduardo Campos, que recebeu a Refinaria Abreu e Lima e atraiu a fábrica da Fiat/Jeep com o apoio do ex-presidente Lula. Camilo Santana inclusive conversou com Mercadante, quando o aliado esteve em Fortaleza para participar da entrega do Prêmio Escola Nota Dez. 

Mais do que o jogo de articulação política, contudo, a expectativa é de que prevaleçam argumentos técnicos, uma vez que o grupo Latam enfatiza a importância da infraestrutura para concretizar o investimento. Não é à toa que Pernambuco corre para se antecipar mesmo após os empresários terem adiado a escolha do estado onde instalará o hub para o próximo ano. No Ceará, por sinal, o adiamento da decisão caiu como uma luva porque a concessão do Aeroporto Internacional Pinto Martins para a iniciativa privada só ocorrerá entre fevereiro e março de 2016 e, depois disso, ainda haverá todo o processo licitatório para ver quem administrará o aeroporto. 

Embora lideranças da oposição pernambucana estejam desconfiadas de que a preferência política de Dilma possa influenciar, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Thiago Norões, procurou evitar polêmicas, especialmente depois de o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, dar declarações que apontavam a simpatia do governo federal pelo Ceará – algo que o próprio Levy se esforçou para negar depois. 

Segundo Thiago Norões, o papel do estado é apresentar os próprios pontos positivos. O secretário explica que a Latam não sabe, por exemplo, quem vai gerir o aeroporto cearense, porque o resultado da licitação só deve sair em meados do próximo ano ou depois. “Com a gente (de Pernambuco), eles sentam na mesa com o dono do aeroporto (a Infraero), com o governo do estado e a Prefeitura. Estamos trabalhando para entregar todos os elementos de decisão (ao grupo Latam) no final do mês de novembro. Isso inclui o plano de negócios, o modelo de negócios do novo terminal que vai ser construído, como vai ser custeado… Estamos detalhando o que o governo vai contribuir, detalhando todos os números”, declarou Norões. O senador Humberto Costa (PT) não foi localizado para falar sobre essa disputa política, mas também conversou com Dilma, ressaltando a posição geográfica privilegiada e o potencial de desenvolvimento do estado.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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