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Líder das Farc afirma que paz com Bogotá entrou em etapa irreversível

O líder das Farc, Timoleón Jiménez
Foto: AFP RODRIGO ARANGUA
O líder das Farc, Timoleón Jiménez
Foto: AFP RODRIGO ARANGUA

A guerrilha das Farc concordou com a proposta do governo da Colômbia de acelerar o processo de paz negociado em Cuba através de uma nova metodologia nas discussões, e afirmou que o diálogo entrou em uma etapa praticamente irreversível.

Em uma entrevista divulgada na noite de terça-feira, o líder máximo da organização guerrilheira, Timoleón Jiménez, disse ter aceitado a proposta do presidente Juan Manuel Santos de imprimir uma velocidade maior às discussões, a fim de terminar com um conflito armado de meio século.

“Há uma proposta que é muito interessante”, afirmou Jiménez, ou “Timochenko”, em um vídeo das Farc postado no YouTube.

Jiménez aludiu assim à iniciativa lançada por Santos na semana passada de convocar uma espécie de cúpula para resolver de vez os acordos e assinar a paz antes de 23 de março, como se comprometeram as duas partes em Havana 23 de setembro, depois de três anos de discussões.

Até agora, a negociação transcorreu através de ciclos de até cinco dias, tratando de temas específicos.

A proposta de uma nova metodologia foi examinada por Jiménez e Enrique Santos, irmão e enviado do presidente colombiano.

“Em uma carta pessoal que mandei ao presidente, eu disse que me parecia que esse método de ciclos não era o melhor”, comentou o chefe das Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc).

“Se redesenharmos isso, nomearemos uma espécie de direção executiva integrada pelos dois chefes das duas delegações (…) e acho que assim vai nos servir”.

No fim de semana, Jiménez negociou com Enrique Santos as diferenças que surgiram sobre o alcance do acordo sobre o tema da justiça.

Na entrevista YouTube, que teve trechos já divulgados esta semana, Jiménez qualificou o encontro “de bastante produtivo” e deu a entender que as partes tinham conseguido superar os desacordos em grande medida.

“Expressei, em nome das Farc, as inquietações que sofremos, as angústias que temos, porque no fim das contas, nós não nos fechamos e dissemos ao governo: ‘pronto, revisemos novamente o acordo’ e imediatamente foi convocada a comissão de juristas, os três do governo e os dois nossos, para que fizessem uma revisão”, disse o líder rebelde.

Ao final deste exame, o governo e as Farc alcançaram um novo entendimento em torno do acordo de justiça para as vítimas do conflito armado de meio século, que deixou centenas de milhares de mortos e milhões de deslocados.

Comprometidos em um processo de paz iniciado há três anos, as Farc e o governo negociam seis grandes temas para acabar com o conflito armado.

Até agora, conseguiram consensos parciais em três pontos (reforma agrária, drogas ilícitas e participação política dos rebeldes). Ainda restam concluir os relacionados à reparação e justiça para as vítimas, o desarmamento das Farc e o referendo sobre os acordos.

Considerado um dos pontos mais delicados da negociação, o acordo sobre a justiça inclui a criação de um tribunal especial, julgamentos e penas de prisão para responsáveis por crimes contra a humanidade, tomada de reféns, execuções extrajudiciais e violência sexual, mas anistia para crimes políticos.

Só a discussão do tema justiça levou 15 meses de árdua negociação.

Com um histórico aperto de mãos, o presidente Santos e Jimérez selaram o pacto judicial em 23 de setembro em Cuba, e se comprometeram a avançar firmemente rumo à assinatura da paz definitiva antes de 23 de março de 2016.

No entanto, após este encontro surgiram divergências a respeito do alcance do convênio da justiça, que inclusive pareceram atravancar os diálogos.

As partes mantêm em reserva o conteúdo explícito do acordo e só publicaram trechos em um comunicado no dia do encontro Santos-Timochenko.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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