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Mensagens de amor marcam as lápides do Cemitério de Santo Amaro

Declarações de amor ao ar livre, gravadas para sempre nas lápides resistentes ao tempo, povoam o Cemitério de Santo Amaro, o maior do Recife. Quando o singelo “saudades eternas” não basta para demonstrar o tamanho do sentimento dos que ficaram, há quem lance mão de textos poéticos e até reveladores da personalidade de seus mortos. Um passeio entre os túmulos no dia de finados, lembrado nesta segunda-feira, reserva escritas emocionadas de mães para filhos, de mulheres para os maridos ou de toda uma família para alguém que partiu. Se faltam palavras, surgem símbolos. No feriado, uma família buscou agradar o parente de 36 anos que partiu deixando biscoitos de chocolate e refrigerante sobre o túmulo.

Em novembro de 1944, uma mãe, chamada Emília, mandou escrever na sepultura do filho de nove anos: “Dorme aqui, meu filho querido, teu sono eterno sereno, mas jamais em meu sentido, dormirá teu nome ameno”. Perto dali, um outro alguém citou Santo Agostinho para expressar a própria dor: “Uma lágrima pela morte evapora-se. Uma flor sobre o túmulo logo murcha. Só a oração sobe até Deus”, diz uma frase gravada em setembro de 2004.

O sofrimento de uma mulher pela perda do marido, em 1934, pode ser lido até hoje por quem visita o Cemitério de Santo Amaro, na verdade chamado Senhor Bom Jesus da Redenção. “Que a sua vida de sofrimentos suportados com resignação fosse para que tenha o eterno repouso na mansão de Deus. Paz. Eterna saudade de sua desolada esposa, assinou a mulher para o marido morto aos 69 anos.

Alguns preferem gravar esperança no lugar da dor. “A saudade que dela sentimos seja suavizada pela esperança de um dia nos encontrarmos no céu”, diz uma frase gravada em outubro de 1933 para uma mulher morta aos 84 anos. Perto dali, como não imaginar o caráter do personagem alvo desta dedicatória? “Resignação no sofrimento, coragem na adversidade, honradez nos compromissos, aversão às maledicências foram os ensinamentos que o teu exemplo ofereceu aos filhos que por ti foram ilimitadamente amados. Eternas Saudades”.

Há quem prefira por fotos de família no lugar das dedicatórias. Um belo exemplar disso é um retrato em preto e branco de um casal, posto provavelmente pelo marido ou pelos filhos, sobre o túmulo da mulher morta aos 55 anos, em 11 de fevereiro de 1957.
O advogado José Paulo Cavalcanti Filho diz ser curioso sobre o tema e até já anotou cerca de 50 frases que ele considerou curiosas em um caderno. “Cada placa dá um conto. Certa vez, encontrei uma mensagem que falava sobre alguém que não acreditava em Deus e que agora iria encontrá-lo. Em outra, citaram que o único defeito da morta era falar demais”, lembrou.

Mensagem de finados

O arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, falou aos católicos, ontem, sobre a necessidade de fazer o bem e de entender o sentido da morte. “A morte nos possibilita a vivência da verdadeira vida, por mais dura que seja a realidade. Não devemos ter medo de morrer porque a morte não é o fim. Que a enfermidade não nos desespere”, falou. O religioso presidiu a missa dos mortos no Cemitério de Santo Amaro, às 10h, e no Parque das Flores, às 16h.
Como todos os anos, milhares de pessoas dedicaram um momento de seu tempo para ir aos cemitérios. A aposentada Ivanise Ramos Santos, 83 anos, foi homenagear o marido, com quem ficou casada por 53 anos. “Ele me deu dois filhos que são tudo para mim, maravilhas na minha vida”, disse. Entre os túmulos mais visitados, o da Menina sem Nome e o do ex-governador Eduardo Campos. “Acompanho a história da família desde a época de Miguel Arraes. Era um homem que lutava pelos pobres”, disse Inácia dos Santos, 62.
No mesmo cemitério, vinte jovens da Bomba do Hemetério ligados à ONG Escola Comunitária de Saberes Integrados fizeram pela primeira vez uma homenagem às vítimas de acidentes de trânsito com a apresentação de uma peça.
No próximo dia 14, o mesmo grupo participa de uma ação para chamar a atenção para os acidentes de trânsito no estado. O ato acontecerá na BR-101, às 10h, e vai contar com um crucifixo de 20 metros feito com restos de carros batidos. O material foi confeccionado na Faculdade Maurício de Nassau.
No Cemitério do Pacheco, em Tejipió, velas provocaram um incêndio de pequenas proporções na grama próxima a alguns túmulos. Não houve feridos. Cerca de 3 mil litros de água foram utilizados na ocorrência.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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