No Recife, Bolsonaro diz que namora partido de Feliciano e chama pernambucano de "ovelha negra"

O deputado federal do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro (PP), conhecido nacionalmente por sua posições ultraconservadoras, foi recebido com bastante entusiasmo na Assembleia Legislativa de Pernambuco na manhã desta sexta-feira (6). O parlamentar, que teve dois compromissos na Casa, concedeu às 8h da manhã uma coletiva de imprensa, e logo depois, participou de uma audiência pública sobre o desarmamento à convite do deputado estadual da bancada evangélica Joel da Harpa (Pros).

Aos jornalistas, o parlamentar não escondeu suas pretensões de disputar à Presidência da República nas eleições de 2018. Bolsonaro revelou que pode mudar até de partido para não ter seus desejos contrariados. Ele cogita sair do PP para o PSC, do deputado e pastor Marco Feliciano. A articulação foi intitulada por Bolsonaro como “namoro”.

O problema é que, o PSC, mesmo na oposição, tem o vice-líder do governo na Câmara, o deputado federal de Pernambuco Silvio Costa Filho, que foi tratado pelo convidado “ilustre” como “ovelha negra do partido”. Isso porque Silvio está ganhando notoriedade na Câmara em defender o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

“Eu sou daquela linha: os incomodados que se retirem. Dentro do PSC, ele é uma ovelha negra. Não vou criticar sua atuação parlamentar. É um direito dele defender quem quer defender, votar com quem bem entender, no caso, o governo”, disse Bolsonaro, que ainda reforçou que sabe “conviver com seus contrários”.

“Existem 13 deputados no PSC, e, geralmente, o placar no PSC é 12 a 1. E ele (Silvio Costa) não sofre qualquer retaliação no PSC, assim como eu não sofro dentro do PP. O Silvio Costa, como tantos, outros não são um problema pra mim”, frisou.

Em cima do muro no caso Eduardo Cunha

Bolsonaro, que é conhecido também em virtude de suas afirmações polêmicas evitou, no entanto, fazer avaliações sobre a cassação do presidente da Câmara, o deputado do Rio de Janeiro Eduardo Cunha (PMDB).

“Vamos resolver o caso da Dilma, no caso o impeachment, depois resolver o caso de Eduardo Cunha”, disse ao ser perguntado se seria contra ou a favor da cassação de Cunha. Bolsonaro não revelou sua posição sobre o caso e disse que aguarda o parecer do Conselho de Ética da Câmara. “Eu só posso dar meu voto lá em Brasília, assim como o meu filho, quando se processa e chegar em plenário”.

Cunha é acusado de ter mentido à CPI da Petrobras ao negar que possuía contas no Exterior. Posteriormente, a pedido da Procuradoria-Geral da República, um inquérito foi aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar se contas atribuídas a Cunha na Suíça foram abastecidas com propina do esquema de corrupção da Petrobras investigado na Operação Lava-Jato.

Ao falar de Eduardo Cunha, Bolsonaro citou um processo que, segundo ele, foi acusado injustamente. “Nós não somos integrantes do Conselho de Ética. Assim como eu falei, eu também sofro processo. Eu tenho que ter, pelo menos, a suspeição da inocência. O caso da Preta Gil, por exemplo, foi arquivado porque o CQC não entregou a fita bruta, onde o jornalista Marcelo Tas inverteu as respostas de forma criminosa. Não apresentou a fita bruta para não gerar provas contra si. O caso foi arquivado”.

Em 2011, ele foi processado pela cantora Preta Gil ao ser perguntado se teria problemas em ter um filho gay ou que algum dos seus filhos fossem casados com uma mulher negra. Sobre os gays, respondeu que seus filhos tinham “educação” e por isso não correriam esse “risco”. Já em relação a Preta, que é filha do cantor Gilberto Gil, disse que seus “filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu”. O caso foi arquivado.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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