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Nome do relator do processo contra Cunha no Conselho de Ética sai hoje

O processo que pode culminar com a cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), teve início oficialmente nesta terça-feira. Mas se a vida dele não está fácil com as acusações de lavagem de dinheiro e cobrança de propina investigada na Operação Lava-Jato e com protestos de militantes do MST na porta da residência oficial em pleno feriado de finados, o peemedebista não pode reclamar do primeiro dia no Conselho de Ética. Dois dos três deputados sorteados para relatar o processo — o favorito Fausto Pinato (PRB-SP) e Vinicius Gurgel (PR-AP) — são de legendas aliadas a ele. O terceiro nome é do deputado Zé Geraldo (PT-PA).

O nome do relator será anunciado hoje pelo presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA). “Quero escolher um nome que dê celeridade ao processo e faça justiça, dando ao país a resposta que ele precisa”, disse Araújo. Integrantes do colegiado acreditam que Pinato ganha força por ser advogado e, em tese, ser mais resistente às pressões externas. Gurgel trabalhou na campanha de Cunha para a presidência da Casa, tendo sido, inclusive, coordenador da campanha no Amapá.

PR e PRB têm integrantes estratégicos na Mesa Diretora. O PR tem o segundo vice-presidente, Fernando Giacobo (PR-PR), e o líder da legenda na Casa, Maurício Quintella Lessa (AL), almoça constantemente com Cunha e outros parlamentares na residência oficial do peemedebista. Já o PRB está contemplado na Primeira-Secretaria com um dos mais fiéis escudeiros: Beto Mansur (SP).

“Qualquer um dos dois que for está escolhido. Só complica se o escolhido for o PT (Zé Geraldo)”, admitiu um dos coordenadores da tropa de choque de Cunha na Casa, o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP). “Alguns até defendem que seja escolhido o Zé Geraldo, para deixar a bomba no colo do PT e ver o que eles vão fazer”, provocou o parlamentar.

Além de ser do PT, outras questões diminuem as chances de Zé Geraldo ser escolhido. Ele apoiou a representação feita contra Cunha na Corregedoria da Casa, o que, em tese, lhe torna impedido para relatar um processo sobre o qual ele já teria opinião formada. No mais, o petista paraense também poderia se sentir constrangido pela posição adotada, na semana passada, pelo diretório nacional do PT, que defendeu, seguindo as orientações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a bancada de deputados não partisse com muito fôlego para cima de Cunha para que este não acelerasse os pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Oficialmente, os três sorteados prometem isenção. “PT é PT, governo é governo e Conselho de Ética é Conselho de Ética. Se for escolhido relator, agirei de acordo com a minha consciência”, garantiu Zé Geraldo. “Eu não tenho medo de pressão, quem pega pressão é panela”, afirmou Vinicius Gurgel. “Quem está aqui e integra o Conselho de Ética tem que estar preparado para superar as barreiras”, completou Pinato.

Na prática, mesmo com arroubos de coragem proferidos pelos três candidatos a relator, o processo que se iniciará no Conselho de Ética é delicado. Primeiro, porque nunca um presidente da Câmara enfrentou um processo de cassação de mandato. Segundo, porque Cunha é temido por uma parte dos deputados e odiado por outros tantos, acusado de manipular os ânimos da Casa e de modificar as regras para garantir as vitórias nas matérias que lhe interessa.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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