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O passeio do medo em um Recife assombrado

No Poço da Panela, um casarão onde funciona um ateliê, é um ponto de encenação. Foto: Roberto Ramos DP/D.A Press
No Poço da Panela, um casarão onde funciona um ateliê, é um ponto de encenação. Foto: Roberto Ramos DP/D.A Press

As histórias escondidas por trás dos muros de casarões, cemitérios e becos do antigo Recife estão sendo reveladas através de contação das lendas urbanas e encenação em tours pelas ruas da cidade. O grupo do Recife Mal Assombrado, projeto que leva à população um turismo diferente do convencional, é composto por atores que encenam histórias de assombração que sobreviveram ao passar dos séculos. De contos dos tempos coloniais às lendas urbanas difundidas entre moradores nas ruas, o passeio resgata memórias vividas principalmente pelos mais velhos com personagens caracterizados no estilo da época. 

O grupo, em atuação desde julho de 2014, surgiu após uma viagem de César Costa, diretor do espetáculo e proprietário da Agência Via Dourada Turismo, à Escócia. “Conheci um grupo que fazia um tour contando as histórias pelos túneis da cidade. Esse foi o ponto de partida, e logo eu me interessei pelo livro Assombrações do Recife Velho, de Gilberto Freyre, que me inspirou. O público hoje tem, grande parte, mais de 40 anos de idade”, comentou.

O Poço da Panela, na Zona Norte do Recife, é um dos palcos para as encenações. O local, que mantém grande parte das lendas urbanas de séculos passados, resiste com becos e casarões antigos. As aparições sobrenaturais do bairro são contadas em diversos aspectos: luzes fantasmagóricas vistas à noite pelas janelas, barulhos de correntes e móveis sendo arrastados, e até lobisomens. Uma das histórias populares entre os moradores mais antigos do Poço da Panela menciona um busto localizado perto da igreja do bairro, representando a imagem do abolicionista José Mariano Carneiro da Cunha, que morou no bairro no século 190. O busto do pernambucano foi colocado sobre uma coluna de pedra, mostrando nos pulsos correntes quebradas que representam o símbolo da vitória diante da opressão. 

“Alguns moradores do Poço da Panela contam que, em certas noites, a estátua ganha vida e é possível ver um homem andando pelas ruas”, ressaltou o diretor. Um casarão escolhido pelos atores do Recife Mal Assombrado é onde funciona hoje o ateliê do artista plástico Jobson Figueiredo, 73, situado em frente à Igreja da Saúde, também no Poço da Panela. “Quando fiz a reforma do casarão todos os trabalhadores tinham medo de ficar no ateliê à noite. Então eu decidi fazer uma reunião com os fantasmas para decidir como iríamos conviver”, contou o artista plástico.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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