Opinião: Desconcentrar o desenvolvimento

Por Douglas Cintra

Senador pelo PTB

opiniap.pe@dabr.com.br

A economia pernambucana  experimentou, na última década, um período de elevado crescimento econômico, acima da média do país. Esse ciclo pode ser explicado por um robusto conjunto de projetos de investimentos estruturantes e por outros fatores comuns à economia brasileira e nordestina, como a ampliação do consumo das famílias, impulsionado pelo crescimento do salário-mínimo, redução do desemprego e das transferências oriundas do nosso sistema de proteção social.

Entretanto, para que esse ciclo de crescimento possa ser sustentável e mais equilibrado, Pernambuco precisa superar grandes desafios. Primeiro, precisamos desconcentrar a produção e a renda, de modo a reduzir suas disparidades internas, que, historicamente, moldaram a formação econômica de Pernambuco.

A localização dos investimentos estruturantes, sobretudo os industriais, por exemplo, ocorreu preponderantemente na Região Metropolitana do Recife. A RMR detém hoje 64,6% do PIB estadual, 70% do produto industrial e cerca de dois terços dos empregos gerados pela indústria no estado.

Para que esta desconcentração tenha êxito, é fundamental fortalecer os Arranjos Produtivos Locais, os chamados APLs, caracterizados pela prevalência dos micro e pequenos negócios, que mantêm vínculos indissociáveis com a economia local, gerando emprego e renda e dinamizando a atividade econômica.

Os nossos APLs, importante base da economia do interior, têm como principais destaques o polo de confecções do Agreste, o de gesso no Araripe e o de fruticultura e vitivinicultura no sertão do São Francisco. Esses APLs enfrentam sérios entraves, como deficiências na qualificação profissional e na gestão dos negócios.

Há soluções, porém, para superar estes obstáculos. Passam, a nível do governo estadual, muito resumidamente, por uma política tributária mais justa e racional e por ações mais efetivas na capacitação e desenvolvimento tecnológico.

Na Zona da Mata, precisamos recuperar a vitalidade do setor sucroalcooleiro – ampliando o acesso às exportações de açúcar e desenvolvendo suas potencialidades para o aproveitamento de fontes renováveis de energia – como o etanol e o bagaço da cana.

Independente de setores, Pernambuco precisa melhorar os fatores estruturais da competitividade, de modo a atrair novos investimentos, que estão cada vez mais disputados. Nesse caso, dois aspectos são críticos: a infraestrutura e a educação. No primeiro caso, alguns projetos rodoviários são fundamentais: o Arco Metropolitano e a extensão da extensão da duplicação da BR 232, da BR-104 e da BR 423, além das indispensáveis requalificações da malha rodoviária estadual.

No segundo caso, a melhoria da qualidade do ensino fundamental e médio é elemento crucial para a formação de uma mão-de-obra mais qualificada – o que determina o aumento da produtividade do trabalho e se converte em melhores salários e redução de desigualdade de renda. Há muito o que fazer: no  ranking do IDEB de 2013, Pernambuco situou-se apenas na 17ª posição entre os 27 Estados da Federação e o Distrito Federal.

Além disso, Pernambuco tem o desafio de adensar suas cadeias produtivas a partir dos investimentos estruturantes, como o polo automotivo de Goiana e o polo petroquímico de Suape, entre outros.

Nosso estado, portanto, precisa transformar os frutos do crescimento e dos investimentos nos últimos anos em fatores que proporcionem um verdadeiro desenvolvimento econômico e social, buscando um modelo sustentável e mais equilibrado.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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