Opinião: Música de Pernambuco no mundo

Por André Rio

Cantor e Compositor

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Uma sombrinha de frevo, num salto solto de uma passista, rasga o céu de Londres. Sim, em Londres, ao som de J. Michilles (Tá pegando fogo, tá queimando a massa…) primeiro frevo gravado por mim em 1990 e que abriu o repertório do meu show, este ano, na terra da Rainha. Nesse instante, num relampejo, meu pensamento  lançou-se ao Bairro de São José, berço do nosso centenário gênero musical e nascente da minha alma de artista. Quando criança, nos idos anos setenta, corria de mãos dadas com o destino, fazendo o passo e entoando os hinos dos blocos, troças e seguindo as orquestras de metais, sem sequer imaginar que um dia estaria sendo acompanhado por uma multidão, ao cantar e conduzir os inúmeros blocos que são a alegria e a magia do carnaval pernambucano.

Em 1998, ao voltar de uma apresentação no festival de Montreux, onde fizera uma participação no show da cantora Cristina Amaral, percebi que meu destino estava traçado: divulgar a música pernambucana no mundo. Intrigava-me ver  uma maciça presença dos ritmos da Bahia e do samba carioca como representantes da música brasileira e uma participação pequena de Pernambuco, nos festivais  Europeus. Inquieto culturalmente, idealizei o projeto Viva Pernambuco, uma caravana musical, que ano a ano viria a levar vários parceiros, artistas como Nana Vasconcelos, Almir Rouche, Spok, Maestro Forró, Carla Rio, Ed Carlos, Lula Queiroga, Alcimar Monteiro, Paulinho Leite, Luciano Magno, Benil, Elba Ramalho, a se apresentarem  nos maiores palcos de música da Europa. O Viva Pernambuco é  um verdadeiro mosaico de gêneros e ritmos musicais que compõem a riqueza cultural pernambucana, que se debruça na obra dos maiores compositores e artistas do nosso lugar e nas minhas próprias canções, mostrando, assim, que Pernambuco é um estado de espírito musicalmente plural.

Desde 1999, o Viva Pernambuco plantou profundas raízes no velho continente e percorreu grandes espetáculos em lugares como: Genebra, Zurich, Londres, Montreux, Milão, Roma, Torino, Madrid, Berlim, Coburg, Lisboa, Porto, Amsterdã, dentre outros. Já no continente americano, tivemos o prazer de levar o frevo para o Brasilian day, em Nova York, aportando sempre com o objetivo de difundir nossa música, com os tambores do nosso maracatu solto e virado, nosso frevo rasgado e o baião que o Rei Gonzaga nos ensinou.

A receptividade, sempre efusiva, da música pernambucana no exterior é motivo de orgulho e alegria, incentivando a todos nós,  artistas, que respaldados no amor que nutrimos pelas nossas mais arraigadas raízes, temos a certeza de que a nossa expressão é  mais do que simplesmente pernambucana, é universal e profunda, como deve ser a verdadeira arte.

Da flor da infância até hoje, tenho muito orgulho de continuar fazendo minha parte para que o nosso som, nossos ritmos pernambucanos, rosa mais cara da cultura do povo, agora e quiçá, sempre, seja definitivamente hasteada nos mais remotos rincões do mundo.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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