Opinião: Um novo projeto para o estado

Por Fernando Bezerra Coelho

Senador pelo psb

gsfercoe@senado.leg.br

Desde a década de cinquenta do século passado, portanto, lá se vão sessenta anos, Pernambuco e o Nordeste, sob a liderança técnica de visionários como Celso Furtado e o padre Lebret, tiveram como meta implantar aqui um parque industrial que resgatasse a região de sua dependência da cana, do cacau, do algodão e do gado. Isto, mal ou bem, conseguimos. Aí estão Suape, Pecém, Camaçari, refinarias, petroquímicas, estaleiros e montadoras. Mas a verdade é que reduzimos muito pouco o gap que nos distancia das regiões mais desenvolvidas do país. O Nordeste conta com aproximadamente trinta por cento da população brasileira e menos de quinze por cento do PIB nacional. O grande retardatário do desenvolvimento econômico e social continua a ser o Nordeste, em especial o Semiárido.

Sob a liderança de sertanejos do porte de Nilo e Osvaldo Coelho e de uma miríade de grandes e pequenos empresários, apostou-se na irrigação, desenvolveu-se a fruticultura, com destaque para o polo Petrolina e Juazeiro, a produção de grãos na Bahia, Maranhão e Piauí, alastraram-se os polos de confecção, viabilizou-se a extração do gesso, manteve-se a duras penas a bovinocultura de leite e fez-se a ampliação e modernização da avicultura e da ovinocaprinocultura. Mas temos agora de fazer muito mais. É hora de novos sonhos para concretizar o Pernambuco e o Nordeste do Século 21. A bandeira mais do que nunca é a interiorização do desenvolvimento. Temos que levar mais fábricas para o agreste e o sertão, fábricas que precisem de pouca água e deem muito emprego. Por que não, pelos mesmos motivos, levar para o interior um polo de alta tecnologia ou a simples instalação de call centers. Precisamos contemplar Pernambuco com a infraestrutura necessária, concluir a Transnordestina e a Transposição incluindo os seus ramais, como o do Agreste e Entremontes, que abre a possibilidade da irrigação chegar ao sertão central e ao Araripe, duplicar a BR 232 até Arcoverde, duplicar a estrada de Petrolina a Lagoa Grande, instalar aeroportos dignos desse nome, implantar e recuperar outros perímetros irrigados, como o Pontal e o Moxotó (Ibimirim), levar água a quem precisa enfrentar a seca, investir na mobilidade e no saneamento da região metropolitana do Recife.

Não podemos perder a oportunidade de explorar ainda mais o efeito alcançado com a instalação de tantas fábricas em Suape, promovendo a interação delas com a economia local. Precisamos reverter algumas chagas sociais deixadas pelo desemprego que se seguiu à finalização das obras. Mas o que precisamos mesmo, revendo planos de tantas décadas, é de nos convencermos de que o que traz mesmo o progresso é o desenvolvimento do homem, através da promoção da saúde pública e da educação, da prioridade ao conhecimento, da valorização da cultura e da garantia de condições de vida dignas e emancipadoras. Na vertente anticíclica da crise, estamos desafiados a recuperar a economia de modo a que ela possa financiar um estado eficiente e justo, disposto a liderar esse projeto.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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