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Opinião SBTpedia: Criada por Silvio Santos, 'estratégia de guerrilha' chega às novelas na TV

Dos muito legados que Silvio Santos trouxe para a TV brasileira, um deles foi eternizado: a estratégia de guerrilha para competir com a Globo. Se não pode com eles, vire uma alternativa a eles, trabalhe para pegar a migração deles.

O maior exemplo histórico dessa estratégia foi a série “Pássaros Feridos”, sucesso absoluto na sua primeira exibição, batendo a Rede Globo. Naquela oportunidade, Silvio Santos inaugurava na TV a estratégia de esperar a novela da Globo acabar para colocar seu principal produto no ar. Em 1994, a estreia de “Éramos Seis” era anunciada em chamadas, sem o menor constrangimento, para depois da novela da Globo “Fera Ferida”. Mais recentemente, em 2008, a estratégia ganhou até slogan: “Hoje, após A Favorita, troque de canal e veja Pantanal” e a reprise da Manchete rendeu mais de 20 pontos de pico e inúmeros minutos de liderança para o SBT.

Muito mais que uma estratégia de horário na grade, a guerrilha para combater a Globo vem ganhando, com o passar do anos, novas caras. Uma delas é a forma de se buscar um público-alvo específico em determinado tipo de produto para combater o “geral” da Globo.



Sim, estamos falando das novelas. Desde 2012, o SBT lançou a dramaturgia infantojuvenil com “Carrossel”, já exibiu “Chiquititas”, está no ar com “Cúmplices de um Resgate” e já prepara o remake de “Carinha de Anjo”. Trata-se de uma sequência de pelo menos 6 anos, se formos considerar que Carinha de Anjo só deve terminar entre o final de 2017 e 2018. E como o SBT chegou a esse produto com audiência estável e faturamento expressivo em produtos licenciados? Obviamente não foi ao acaso. Ao observar a identidade que o SBT sempre teve com produtos destinados às crianças e também o fato de sempre se dar bem com novelas mais leves, com conteúdo mais familiar.

Assim como o SBT, a Record também buscou especializar o gênero “novelas”. Após inúmeros insucessos na dramaturgia desde “Máscaras”, a Record viu que estava alcançando audiências expressivas com minisséries bíblicas. Foi a deixa que precisavam para apostar na área e colocar no ar “Os Dez Mandamentos”, que vem atingindo a liderança com regularidade em pleno horário nobre. Diante de tanto sucesso, a Record, numa estratégia ousada e arriscada, programou para depois do fim da novela duas reprises de minisséries do mesmo gênero, onde imaginam conseguir evitar uma quebra de público e fazer uma ponte até a próxima bíblica “A Terra Prometida”.

Veja que tanto o caso do SBT quanto o caso da Record trata-se claramente de uma estratégia de guerrilha. Em situações difíceis de se fazer emplacar uma novela fora da Globo, a ideia foi correr por fora, se diferenciar das demais, criar um nicho específico de público. “Eu vejo novela na Globo”, esse é o trivial, o normal. “Eu vejo novela com conteúdo infantojuvenil no SBT”, “eu vejo novela com conteúdo bíblico na Record”. Ou seja, a especialização de um gênero tão amplo trouxe sucesso às emissoras.

Talvez ainda seja muito cedo para decretar o sucesso da ‘guerrilha’ de especialização. Mas, num primeiro momento, ela se mostra muito efetiva e com resultados positivos. Em longo prazo, poderemos ver se haverá um desgaste nessa linha, se as emissoras terão que voltar a apostar em novelas sem destinação específica ou encontrar novos nichos definidos de público.

Curiosamente, em ambos os casos, SBT e Record, existe a expectativa de criar um segundo horário de novelas em 2016. A primeira encontra problemas financeiros e até de estrutura (estúdios) para ver concretizado esse sonho. A segunda, tem problemas de grade, afinal não seria conveniente mexer no Cidade Alerta no seu momento de maior audiência (entre 19h30 e 20h30).



Nesse caso, fica a pergunta: esse segundo horário de novelas também poderia buscar um nicho específico? Veja que o atual horário do SBT tem como diferencial um público-alvo pela faixa etária e não por gênero em si da novela. Na nova trama, que seria adulta (como de regra são as novelas “normais”), o SBT teria que buscar alguma inovação de gênero. Apostar em comédias românticas, ao estilo Uma Rosa com Amor? Retomar as novelas de época, gênero que ganhou apoio da crítica com Éramos Seis, Pupilas, Sangue do Meu Sangue e Os Ossos do Barão? Nesse último caso, pesaria dois pontos negativos: o fato desse tipo de novela ter restrições comerciais e o fato da Record ter “Escrava Mãe” (também de época) como carta na manga para colocar no ar a qualquer momento.

Independente do caminho futuro a seguir, essa especialização de produtos de teledramaturgia na TV aberta pode abrir espaço para as emissoras conseguirem combater o assédio dos canais pagos aos seus telespectadores e também reforçar a identidade de cada emissora com seu público. Está provado que produto com perfil de público específico não quer dizer audiência restritiva. Pelo contrário.

Fonte: SBTpedia (www.sbtpedia.com.br)

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