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Pesquisa online levanta dados de origem e destino no Recife

Foto:Juliana Leitão/DP/D.A.Press
Foto:Juliana Leitão/DP/D.A.Press
Recifenses e moradores da Região Metropolitana do Recife (RMR) já podem acessar o site da Pesquisa de Origem e Destino 2015, lançada oficialmente ontem. O objetivo é levantar dados capazes de revelar as necessidades atuais de mobilidade da população e entender como as pessoas e para onde são os fluxos de deslocamento dentro do Recife. Os moradores da cidade têm até janeiro de 2016 para responder o questionário online, através do desktop, tablet, notebook ou celular. Após a compilação das informações, em fevereiro de 2016, a Prefeitura do Recife usará os dados para a elaboração do Plano de Mobilidade Urbano (PMU), que deve ser entregue até maio de 2016. O prazo oficial do Governo Federal, para entrega do PMU, foi abril de 2015.

A Pesquisa de Origem e Destino é um dos eixos do Projeto de Lei da Informação de Mobilidade, encaminhado à Câmara Municipal do Recife na última segunda (16). Ele pretende normatizar direitos e deveres referentes ao procedimento de coleta de informações sobre a mobilidade urbana junto aos polos geradores de viagens do Recife. Além da Pesquisa de Origem e Destino das Pessoas, o projeto de lei prevê mais cinco eixos de trabalho de pesquisa, todos fontes de informação sobre os deslocamentos realizados na cidade: Pesquisa de Origem-Destino de Cargas, Contagens de Tráfego, Pesquisa de Ocupação Veicular Individual, Pesquisa de Ocupação Veicular Coletivo, Pesquisa de Percepção da Mobilidade.

Após concluir o questionário online, será gerado um código que identificará que a pessoa participou da pesquisa. Esse número deve ser guardado pelos cidadãos, pois ele será utilizado como pré-requisito, por exemplo, para matrícula em escolas e universidades públicas e atendimento na saúde. Pessoas jurídicas, sobretudo aquelas que são polos geradores de tráfego, também devem responder um questionário específico, a ser lançado até o fim deste ano. Caso as empresas e empreendimentos de impacto não respondam, não terão emissão e/ou renovação da licença de funcionamento.

De acordo com o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Antonio Alexandre, a gestão usará todo o sistema de capilaridade dos órgãos e estruturais municipais para atingir as áreas onde o acesso à internet é mais escasso ou mais difícil. “Estamos trabalhando de forma a entender a mobilidade de forma ampla. Com as informações que vamos levantar, inclusive, a ideia é revisar a partir delas o Plano Diretor da cidade e a Lei de Uso e Ocupação do Solo. Mas este momento marca a coleta de dados”, afirma o presidente do Instituto Pelópidas Silveira, João Domingos.

Para reduzir os custos com a pesquisa, o Instituto Pelópidas Silveira (ICPS) desenvolveu uma nova metodologia de recolhimento de dados. Se antes esse trabalho era feito de porta a porta, o que demandava dinheiro e tempo, agora foi desenvolvido um software pelo cientista em mobilidade urbana e secretário executivo de Planejamento Territorial do ICPS, Sideney Schreiner. “A ideia é que com esse software os dados possam ser atualizados ano a ano”, coloca Schreiner.

Outra novidade é que a pesquisa se detém a informações mais impessoais. Por exemplo, em 1997, os itens do questionário perguntava nome, idade, situação do imóvel e bens pessoais. Nesta nova pesquisa, os recifenses não precisarão se identificar, sendo necessário apenas colocar o código postal da residência e do trabalho, ocupação, a média de renda mensal e o ano de nascimento.

A recomendação do Ministério das Cidades é de que as pesquisas de origem e destino sejam atualizadas pelo menos a cada 10 anos. Como a metodologia tradicional de pesquisa domiciliar é muito cara, a maioria dos municípios não conseguem seguir a recomendação federa. Há cidades que chegam a gastar R$ 6 milhões para desenvolver o trabalho, entre contratação de pessoal, desenvolvimento de base de dados e de projetos. “Apesar disso, o Ministério das Cidades não destina recursos públicos para a elaboração de estudos e planejamentos de mobilidade”, completa o engenheiro de transportes, e consultor da Secretaria das Cidades Maurício Pina.

A última pesquisa de origem e destino foi realizada em 1997. Normalmente, ela é realizada pelos órgãos com gerência metropolitana, no caso de Pernambuco, o Grande Recife Consórcio. Como o Recife foi a responsável por desenvolver a tecnologia que propiciou uma metodologia mais eficiente e mais barata, a Secretaria das Cidades vai aproveitar o sistema para estender, em 2016, a pesquisa por toda a região metropolitana.

A pesquisa de origem e destino mapeia os deslocamentos da população, os modais utilizados e os polos geradores de tráfego. Ela é fundamental para o planejamento futuro da mobilidade de uma região. Um questionário online havia sido lançado em outubro, pelo Instituto Pelópidas Silveira, como projeto piloto para ser testado pelos próprios funcionários da prefeitura, antes de ser aberto para os recifenses.

Sem a pesquisa, o Plano de Mobilidade Urbana é inviabilizado. E sem o PMU, o município não consegue captar recursos junto ao Ministério das Cidades para a execução de projetos de mobilidade, como a construção de ciclovias, ampliação e qualificação do sistema rodoviário urbano ou expansão das linhas de metrô. Atualmente, cerca de 1,6 milhão de pessoas vive nos 225 km² de território recifense. Já 2,3 milhões de pessoas vivem nos 3 mil km² do território metropolitano ao Recife.

Segundo o engenheiro e doutor em Mobilidade Urbana, Oswaldo Lima Neto, a matriz da pesquisa de origem e destino, realizada em 1997, era para fazer o Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), que só  foi elaborado em 2008, quando da atualização da matriz em 2007. “O PDTU tem a função de fazer a projeção das necessidades futuras e suas soluções, a partir de como a cidade está, com dados coletados na pesquisa de origem e destino”, disse Oswaldo. Na RMR, a primeira pesquisa realizada com esse objetivo foi em 1972, comandada pela Sudene.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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