Últimas

Petroleiros fazem ato na Refinaria de Cubatão; grupo segue trabalhando há 8 dias

Cerca de 300 petroleiros em greve fizeram hoje ato na entrada da Refinaria Presidente Bernardes, no polo petroquímico de Cubatão. Os trabalhadores protestam contra o plano de negócios da Petrobras e por reajuste salarial. Os grevistas tentaram barrar a entrada de cerca de 3 mil terceirizados contratados para trabalhar na parada obrigatória para manutenção de segurança dos equipamentos da refinaria. A Polícia Militar foi para o local, onde acompanhou o protesto e para garantir a entrada dos terceirizados. Não houve confronto.

Na maior e mais importante unidade da refinaria, a Unidade de Fracionamento Craqueamento Catalítico (UFCC), responsável pela conversão do gás-óleo em gasolina, a parada para manutenção começou em 10 de outubro. Cada dia parado nessa unidade gera um prejuízo estimado em mais de R$ 1 milhão. A estratégia do sindicato foi atrasar em duas horas a entrada dos terceirizados hoje, o que pode acarretar em mais demora no prazo de entrega da unidade.

Na mesma refinaria, aproximadamente 30 funcionários estão trabalhando há oito dias. Eles fazem parte do último turno de operações antes da deflagração da greve da categoria na última quinta-feira. A refinaria precisa funcionar sem interrupção e, desde o início da greve, não houve rendição.

Inicialmente, 90 funcionários estavam nessa situação, e foram sendo liberados aos poucos conforme as visitas de Oficiais de Justiça, que cumpriam decisão de uma liminar. A Justiça determinou que os funcionários que deixarem os postos não poderão ser penalizados.

O Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista defende a paralisação total das atividades da refinaria para que os funcionários possam sair do local, sem risco de acidente ou explosão. A refinaria trabalha com alta capacidade de conversão gás-óleo, gerando derivados de grande valor de mercado. São produzidos 178 mil barris por dia, que tem como destinos a cidade de São Paulo, a Baixada Santista e as regiões Norte, Nordeste e Sul do país.

A Agência Brasil conversou com um dos empregados, que preferiu não se identificar com receio de retaliações, que ficou confinado por alguns dias na refinaria. O petroleiro contou que saiu da refinaria no último sábado (31) após permanecer três dias praticamente sem dormir. Segundo ele, foi montado um alojamento com colchonetes para o descanso dos trabalhadores, mas longe do seu local de trabalho. “Eu não cheguei a conhecer esse alojamento, pois eu não podia ficar longe da minha unidade. Se tivesse uma situação de emergência, eu deveria estar no meu posto”, disse.

Os empregados, relatou ele, não têm deixado as salas para fazer refeições e acabam dormindo nas próprias cadeiras de trabalho. “Cheguei no meu limite nesses três dias quase sem dormir”. No setor em que trabalha, o descumprimento ao número mínimo de pessoas trabalhando gera riscos de incêndio e até mesmo explosão, de acordo com o petroleiro.

Adaedson Bezerra da Costa, coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista, disse que os trabalhadores não deixam a refinaria com receio de sofrerem algum tipo de penalidade. “O trabalhador não consegue se impor contra isso, porque ele tem medo de sofrer punição lá na frente”, disse.

A reportagem foi ao setor administrativo da refinaria, mas não foi localizado nenhum representante da empresa. A assessoria da sede da Petrobras também foi procurada, porém não se pronunciou hoje (5).

Produção de petróleo
Em nota, a Petrobras informou ontem que a produção de petróleo no Brasil teve queda de 8,5 %. Este percentual representa 178 mil barris de petróleo da produção diária da companhia. Na avaliação da empresa, o resultado mostra que a greve dos petroleiros, coordenada pelas entidades sindicais, ainda afeta as operações.

A Petrobras destacou que está adotando ações para reduzir os impactos do movimento grevista.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *