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Pneus podem ser base de muros de contenção em encostas no país

O uso de pneus para a construção de muros de contenção em comunidades carentes de todo o país está sendo estimulado pela Fundação Instituto de Geotécnica (Geo-Rio), órgão da Secretaria Municipal de Obras da prefeitura do Rio de Janeiro, que elaborou um manual de orientação para os moradores, a fim de que, em um sistema de mutirão, eles possam executar a obra usando a tecnologia.

Pesquisa feita há alguns anos pela Geo-Rio, em parceria com o Departamento de Engenharia Civil do Centro Técnico-Científico da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CTC/PUC-RJ), com apoio da Universidade de Ottawa, do Canadá, identificou as vantagens e confirmou a eficácia da técnica.

O orientador do estudo, professor Alberto Sayão, da PUC-RJ, destacou que, além do ganho em termos ambientais, a utilização dos pneus como matéria para a construção de muros de contenção é mais barata que a construção dos muros convencionais, denominados muros de peso, feitos em geral de alvenaria ou concreto.

Experiências feitas pela Geo-Rio, com base nas conclusões da pesquisa, mostraram bons resultados. Um projeto pioneiro foi realizado em Jacarepaguá, com 60 metros (m) de comprimento por 4 m de altura que, atualmente, está envolvido pela urbanização da área, informou Sayão. Nesse muro experimental, foram utilizados 15 mil pneus. Outros dois muros com uso de pneus foram erguidos na favela de Rio das Pedras e em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro.

Além do Canadá, outros países já experimentaram os pneus na construção de muros de contenção com sucesso, entre os quais a França, lembrou Alberto Sayão. Embora ainda seja uma técnica nova no Brasil, a pesquisa identificou a melhor metodologia de construção. “Ficou uma coisa simples, rápida e barata, com a vantagem de minimizar o impacto ambiental de descartar pneus nos rios, no meio ambiente.”

Segundo o professor da PUC-RJ, a técnica já foi adotada, também, pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná, e na construção de barragem na Usina de Manso, em Mato Grosso. Há ainda experiências em curso em Minas Gerais e Santa Catarina. “O problema é quando fazem muros sem seguir as instruções da Geo-Rio, sem orientação técnica, porque, nesse caso, os muros de pneus malfeitos sofrem rupturas ou colapsos. Aí, as pessoas que não conhecem põem a culpa na técnica, quando a culpa é da má execução”, afirmou. “Se for benfeito, ele é muito seguro”.

Amarração

Para a construção dos muros de contenção, os pneus são amarrados uns aos outros com cordas ou com arames revestidos de material plástico para garantir a durabilidade e evitar a corrosão do arame. Sayão ressaltou que a técnica não exige mão de obra especializada nem grandes maquinários. O muro pode ser feito manualmente, com a vantagem de usar mão de obra da própria comunidade que vai ser beneficiada. “Tem um aspecto social também”.

O diretor de Estudos e Projetos da Geo-Rio, Luiz Otavio Vieira, confirmou que a utilização de pneus usados traz um benefício grande na contenção de encostas, principalmente em comunidades carentes, “porque é uma técnica de construir muros muito simples e barata”. Os pneus seriam fornecidos de graça.

A Reciclanip, entidade ligada à Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), coletou no Brasil – e destinou de forma ambientalmente correta – mais de 114,5 mil toneladas de pneus inservíveis durante o primeiro trimestre deste ano. Desde 1999, quando começou a coleta pelos fabricantes, 3,11 milhões de toneladas de pneus inservíveis foram coletados e destinados adequadamente, o que equivale a 623 milhões de pneus. Segundo informou a assessoria da Anip, os investimentos feitos pelos fabricantes no programa, desde 1999, alcançam R$ 724 milhões até março de 2015.

A metodologia de execução do muro de contenção de pneus é simples, disse Luiz Otavio Vieira, da Fundação Geo-Rio. As próprias associações de moradores podem construir os muros seguindo o passo a passo do manual da Geo-Rio.  Segundo o diretor da entidade, a eficácia da tecnologia na contenção de terrenos está comprovada. Além disso, o custo corresponde à metade do preço de um muro de concreto, “no mínimo”. Segundo ele, há resistência de alguns moradores de comunidades, devido à aparência feia do muro de pneus, mas esse problema pode ser resolvido com vegetação ou a construção de um muro de alvenaria na frente, que oculte os pneus.

A ideia é replicar a tecnologia no país inteiro. “[Em] qualquer lugar que tenha problemas. Onde cabe um muro de peso, você pode fazer um muro de pneus”, disse Vieira.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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