Últimas

Projeto Loon simula a estratosfera na terra para testar resistência dos seus balões

Da Redação do site Tudocelular.com.br

Uma das iniciativas da Google para levar a internet aos povos onde não há conexão acessível foram os balões que fornecem rede wi-fi. Mas para que projeto Loon seja capaz de levar a conectividade com a Internet para lugares onde ela não está normalmente disponível, os balões que levam o equipamento que possibilitam o acesso precisam se manter flutuando no ar durante semanas, até meses.

Isso em si já é um desafio, porque é praticamente impossível construir os balões aqui na superfície terrestre e testar sua resistência na estratosfera, ou seja, tudo parece ser feito na base da tentativa e erro. Isso porque lá no alto, o ar não recebe a temperatura da mesma forma que ocorre no nível do mar.

Para os mais curiosos: Nas partes mais altas da atmosfera, o calor transmitido ao ar chega em menor intensidade, e a temperatura não oscila tanto, mesmo estando mais próximo do sol. Isso ocorre porque o sol, na verdade, emite pouco calor. A temperatura que sentimos na superfície é o calor absorvido e “devolvido” pela terra e mares. Basta pensar no Everest, por exemplo. No topo de montanhas elevadas, a variação térmica não ultrapassa 1 ºC.

As temperaturas abaixo de zero, claro, prejudicam os balões. Testar um balão que irá percorrer a estratosfera durante meses certamente é uma dificuldade interessante para os mais curiosos. Balões são produzidos aqui na terra, geralmente à temperatura ambiente, mas eles são expostos a condições muito mais complicadas no alto. Por outro lado, pode-se testar um pedaço de material do balão e submetê-la a testes de stress. Mas uma única peça irá se comportar de forma diferente em comparação com a coisa toda.

Parece que o melhor teste seria envolvendo um balão inteiro na estratosfera, mas isso seria caro, lento e impraticável. Então, a Alphabet decidiu inverter a situação: encontrou uma maneira de “trazer” um pedaço da estratosfera para a terra afim de testar um balão inflado sob suas condições adversas.

Claro, a Alphabet não vai literalmente pegar um pedaço da estratosfera. O que a companhia decidiu fazer foi reproduzir o ambiente e suas condições em um lugar fechado. Para isso, recorreu à ajuda dos laboratórios climáticos McKinley Climatic Laboratories na Flórida, que se especializou em fazer isso. Tudo é realizado em um hangar gigante que pode reproduzir as temperaturas extremamente frias da estratosfera, só que aqui na superfície. O laboratório é contratado também pela força aérea dos EUA para testar seus próprios aviões naquelas condições.

A companhia divulgou o projeto em sua página dedicada ao Loon no Google Plus.

As condições em que os balões do projeto Loon são fabricados aqui na terra são muito diferentes das condições acima na estratosfera, onde nossos balões têm de enfrentar temperaturas de sub-congelamento. Ao longo do tempo, estas condições podem colocar pressão significativa sobre o material do balão. Neste vídeo, a fabricação de Mahesh Krishnaswamy nos mostra como a equipe foi capaz de acelerar as melhorias na duração do balão, no design e fabricação – trazendo a estratosfera para a terra!

Os dados que os testes poderão proporcionar trarão duas informações valiosas. A primeira é como a mudança de temperatura entre o dia e a noite e na variação de altitude, expandindo e contraindo o balão, afetaria o material. A segunda, e mais prática, é quanto tempo os balões podem suportar essas variações antes de estourar, e onde primeiro o estouro ocorre.

As informações obtidas nestes testes ajudaram a Alphabet a aperfeiçoar não só seus materiais, mas também seu processo de fabricação. Agora, um balão pode ser feito com apenas duas pessoas cuidando do processo, o que é um grande progresso que deverá acelerar bastante as pesquisas.

Confira o vídeo abaixo (em inglês).

[embedded content]

O Loon faz parte do grupo de projetos que passaram a se chamar “X”, após a separação da Google das demais iniciativas da Alphabet. Os balões já foram testados na Austrália, Brasil e Nova Zelândia, e o governo do Sri Lanka firmou um acordo para levá-los oficialmente ao seu país, que será o primeiro a testar a tecnologia juntamente com múltiplas empresas de telecomunicação.

Fonte: Tudocelular.com.br
Notícia originalmente postada pelo site Tudo Celular.

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *