Startups apresentam soluções para desafios da administração pública

Elton Alisson | Agência FAPESP projetos inovadores – Um kit que realiza os principais exames de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como diabetes e colesterol, interpreta os resultados e produz, em 20 minutos, uma avaliação de risco completa para o paciente.

Uma plataforma que disponibiliza o histórico de consultas e exames dos pacientes em um só local e envia alertas para eles sobre horários que devem tomar medicamentos prescritos pelos médicos.

E um software que consegue prever, com um mês de antecedência e em um raio de 400 metros, locais que poderiam se tornar focos de dengue.

Esses são alguns projetos inovadores apresentados por startups – empresas nascentes de base tecnológica – ao governo do Estado de São Paulo para ajudar a administração pública a solucionar desafios nas áreas da saúde, educação e facilidades ao cidadão.

Os projetos são três dos 15 finalistas da primeira edição do Pitch Gov SP – programa lançado em setembro com o objetivo de mapear e selecionar startups que possuem negócios inovadores em áreas prioritárias para o governo do Estado de São Paulo.

Os representantes das startups selecionadas apresentaram suas soluções para representantes do governo do Estado de São Paulo, grandes empreendedores e potenciais investidores, em um evento realizado no Palácio dos Bandeirantes.

“Estamos muito satisfeitos com esta primeira edição do Pitch Gov, que teve 304 inscrições de projetos em áreas estratégicas para a população de São Paulo”, disse o governador Geraldo Alckmin durante o evento.

“São Paulo tem o tamanho de um país – é maior do que a Argentina em termos de população e PIB – e precisa de boas soluções para servir à população”, afirmou.

Durante o evento, as 15 startups selecionadas apresentaram suas soluções para uma banca de especialistas com o objetivo de avaliá-las e analisar a viabilidade de implementá-las no setor público.

Até o final deste mês, as comissões de análise de cada uma das áreas dos projetos selecionados enviarão um relatório para as secretarias de governo responsáveis com sugestões dos projetos mais indicados para a formalização de um convênio.

Os secretários das pastas terão 30 dias para convocar as startups para a fase de testes.

As startups que tiverem seus projetos aprovados poderão buscar apoio no Fundo Inovação Paulista, criado pela Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP), que conta com patrimônio de R$ 105 milhões e participação da FAPESP, do Sebrae-SP, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Banco de Desenvolvimento da América Latina entre seus investidores.

Para isso, deverão apresentar o projeto e as documentações da empresa à gestora do Fundo, a SP Ventures, que fará a análise para o investimento.

Mas, além do Fundo, a Desenvolve SP também possui outras linhas de financiamento especiais para a inovação, com baixas taxas de juros e longos prazos para o pagamento.

“Além da Desenvolve SP, que possui uma linha de financiamento para estimular a inovação, também temos no Estado de São Paulo a FAPESP”, disse Alckmin.

Os projetos apresentados passaram por análise das secretarias de governo envolvidas, juntamente com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups).

Para selecioná-los foram levados em consideração quesitos como a existência de protótipos funcionais, maior aderência aos desafios propostos, maturidade do projeto, experiência da equipe, modelo de negócios, escalabilidade – alcance ao maior número de pessoas, com menor custo – e real possibilidade de serem implementados.

A área que recebeu o maior número de propostas foi a de educação, com 136 inscritos.

“Não temos um número preestabelecido de quantas startups vamos selecionar”, disse Karla Bertocco, subsecretária de Parcerias e Inovação do governo do Estado de São Paulo, à Agência FAPESP. “Vamos analisar a solução e a viabilidade de implementação de cada projeto”, reiterou.

Nova edição

Durante o evento, Alckmin anunciou que o Governo do Estado de São Paulo está estudando o lançamento da segunda edição do Pitch Gov SP voltada para as áreas de cultura, esportes, mobilidade urbana, energia e saneamento básico.

“Na questão da mobilidade urbana, por exemplo, os trens e o metrô transportam diariamente 7,5 milhões de pessoas em São Paulo. Queremos parcerias com startups para buscar boas soluções para melhorar o serviço público, a qualidade do atendimento, reduzir os custos e melhorar esse serviço para a população”, afirmou Alckmin.

De acordo com Bertocco, a ideia é que a FAPESP possa ajudar na seleção dos desafios tecnológicos que serão apresentados àsstartups nessas novas áreas.

“Há projetos apresentados pelas startups que fazem sentido para a FAPESP apoiar e outros não. A ideia é que a Fundação ajude a selecionar aqueles que têm maior interface com o que já apoia”, afirmou.

Parceria com o governo

Segundo André Diamand, presidente da ABStartups, já há outros estados brasileiros também interessados em implementar projetos semelhantes ao Pitch Gov SP.

“Hoje há mais de 4 mil startups no Brasil e a parceria com o governo é importante porque significa escala, que é algo muito relevante para uma empresa em sua fase inicial”, disse durante o evento.

Já na avaliação de Romero Rodrigues, fundador e presidente do conselho de administração da Buscapé – conhecida como um dos maiores exemplos de startup brasileira –, ao compartilhar os principais problemas e desafios da administração pública, o governo ajudar a acelerar o desenvolvimento das startups.

“Ao fazer isso, o governo passa a ser uma plataforma de inovação para as startups, que podem aumentar o impacto de seus projetos na sociedade e, ao mesmo tempo, agregar mais valor aos seus negócios”, avaliou.

“Em contrapartida, o governo também pode se tornar mais leve, rápido e aumentar a eficiência de suas ações”, disse Rodrigues durante o evento.

Fonte: Rede Notícia www.redenoticia.com.br

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