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Tribuna SBTpedia: Qual é e qual deveria ser o sentido de 'SBT #Compartilhe', por Gabriel Reis

Qual é e qual deveria ser o sentido de “SBT #Compartilhe”


Por Gabriel Reis* (gabrielviannareis@gmail.com)

No seu aniversário de 31 anos, o SBT lançou seu novo slogan (que permanece até hoje): “SBT #Compartilhe”. Agora, passados mais de três anos, a grande questão a ser respondida é: no que o SBT, como televisão aberta, conseguiu se aproximar do seu público na internet e em especial nas redes sociais? Ficou só no slogan?

A ideia do “compartilhe” sendo antecedido pela hashtag (#) era justamente aproximar a emissora dos milhares de fãs ou telespectadores, e que estes, passassem a assistir e a propagar naturalmente o conteúdo da emissora pela internet, como já é praxe em diversas empresas na web. A partir do lançamento da campanha o SBT tomou boas atitudes em relação a este objetivo como: o lançamento do aplicativo da emissora no celular onde é possível assistir a todo conteúdo nacional produzido pelo SBT; a maior utilização de hashtags que demarcam cada programa; a disponibilização dos conteúdos da emissora em sua página oficial no YouTube; a exibição do sinal do SBT ao vivo, em HD, gratuitamente, através do sbt.com.br. No entanto, ainda é muito pouco se levarmos em conta a expansão cada vez maior da oferta de conteúdo online. Abaixo citarei uma série de melhorias que poderiam ser feitas nesse sentido. 


Criação de uma plataforma própria de vídeos on-demand


Apesar da criação de uma plataforma própria mobile, grande parte dos acessos aos conteúdos da emissora na internet são feitos através da página da emissora no YouTube. A dependência do site pertencente ao Google não parece fazer sentido numa empresa de comunicação do tamanho do SBT, que acaba entregando parte das receitas geradas pelos seus vídeos ao YouTube. E vale ressaltar que apesar da ausência de um conteúdo feito exclusivamente para web, há uma série de vídeos da emissora que são hits no YouTube. A famosa pegadinha da “Maldição de Chucky” exibida no “Programa Silvio Santos” tem mais de 27 milhões de visualizações no YouTube (sendo mais de 70% delas na página oficial da emissora). É necessário criar um novo produto para chamar atenção, a Globo fez isso na última semana com o “Globo Play”, que vai disponibilizar a programação da emissora através do aplicativo; e diversas outras emissoras já seguiram por esse caminho: como o Esporte Interativo, com o “Esporte Interativo Plus”; e a ESPN, com o “Watch ESPN”. 

Pegadinha “A Maldição de Chucky” exibida no “Programa Silvio Santos” e fenômeno na web 


Aquisição de direitos de exibição de conteúdos para exibição via internet


Como grande parte da programação do SBT é compostas por conteúdos internacionais, muitas vezes estes não ficam disponíveis na web. Uma ideia para fortalecer o público internauta é a aquisição dos direitos para exibição via internet desses produtos. Já há exemplos concretos em relação a isso: “Chaves”, que o SBT exibe com exclusividade na TV aberta desde 1984, está no catálogo do Netflix; e “Supernatural” chegou a ser disponibilizada no próprio site do SBT em 2009.

Padronização e unificação de campanhas online e engajamento da base de fãs


Apesar de alguns programas da emissora já utilizaram hashtags oficiais de interação com os telespectadores, a prática ainda não é unânime na emissora. As novelas da tarde e as infanto-juvenis, que são sucesso de audiência, não fazem uso desse recurso e desperdiçam a oportunidade de se promover no Twitter. O que acontece muitas vezes são os próprios fã clubes criarem suas próprias tags para promover as novelas. Isto é bom, mas acaba gerando uma despadronização na divulgação dos produtos. O Teleton deste ano foi um sucesso absurdo de audiência, mas começou sem uma padronização em relação a tag utilizada no Twitter: uns usavam “#SomosTodosTeleton”, outros “#TeletonBrasil”, alguns “”#Teleton2015”. A padronização tem que ser dada pela emissora para posterior engajamento de uma enorme base de fãs, que poderia tranquilamente ser contactada para ajudar na promoção de novos programas. Esse engajamento junto aos twitteiros só foi visto no “Teleton” (com a bancada de twitteiros) e na final do “MasterChef”, onde a Band chamou twitteiros de sucesso para “aquecer” a final. 


Maior interatividade entre telespectador e programas na TV


O SBT foi a primeira emissora do Brasil a exibir tweets de telespectadores no vídeo (o fato ocorreu no “Esquadrão da Moda” em 2009), mas vale ressaltar que só exibir não basta, é preciso interagir, restringir-se apenas a exibição é repetir algo que vem sendo feito desde a década de 90, com a exibição de mensagens enviadas via SMS por telespectadores. Hoje é possível responder e interagir muito mais rapidamente via internet e o telespectador também deseja participar do programa (nem que seja de casa), como se estivesse no auditório. 


Utilização maior das plataformas online


Apesar de possuir quase 10 milhões de fãs no Facebook e quase 3 milhões no Twitter, o SBT mal utiliza suas plataformas online. Hoje, dia 01 de novembro (até às 16h20, enquanto escrevo este texto), foram apenas três postagens no Facebook e quatro no Twitter, até blogs amadores possuem um ritmo maior de postagens. O internauta não vai se engajar com essa ausência de conteúdo, cabe à emissora atiçar o público.

A TV aberta ainda é o maior veículo de comunicação de massa no Brasil com sobras, mas o SBT, como emissora gingante que é, não pode e nem deve relaxar nessa realidade. Se o dever da emissora é comunicar e entreter, isso deve ser feitos nas mais diversas plataformas, inclusive online.

*É graduando em Comunicação Social (Rádio e TV) pela Escola de Comunicação da UFRJ. Teve passagens pela TV Boas Novas e pelos canais Esporte Interativo, onde foi coordenador de programação. Atualmente escreve artigos de opinião às segundas-feiras no “SBTpedia”

Fonte: SBTpedia (www.sbtpedia.com.br)

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