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Zezé Motta lembra preconceito por fazer par romântico com Marcos Paulo na TV: ‘Diziam que mudavam de canal’

São 71 anos de vida, quase 50 de carreira e muitas histórias sobre racismo para Zezé Motta contar. Algumas delas foram relembradas pela atriz, após o episódio sofrido por sua colega, Tais Araújo, que no fim de semana denunciou ataques racistas sofrido em sua página no Facebook. Em solidariedade, Zezé usou sua rede social para lembrar um caso parecido ocorrido com ela em 1984, quando gravava a novela “Corpo a corpo”, fazendo par romântico com o ator e diretor Marcos Paulo, morto em 2012.

Em seu relato, Zezé afirma que sofreu rejeição do público por conta da sua cor de pele.

“Já trabalhei em mais de vinte novelas em pouco mais de 45 anos fazendo TV. Contracenei com a Ruth em ‘Corpo a corpo’. Interpretei a filha dela numa trama que marcou minha carreira. Fazia uma jovem de classe média que tinha um romance com o personagem do saudoso Marcos Paulo. O relacionamento não foi bem recebido por parte do público. Teve gente que me dizia: ‘Eu mudo de canal quando você aparece ao lado do Marcos Paulo’. Outras pessoas falavam que não acreditavam na veracidade do casal”.

Zezé Motta com Marcos Paulo na novela 'Corpo a corpo'

Zezé Motta com Marcos Paulo na novela ‘Corpo a corpo’ Foto: Reprodução

Mas não foi só no trabalho que a atriz foi alvo de preconceito. No desabafo, Zezé lembra que perdeu um casamento por racismo.

“Na vida real eu tive um namorado branco, e a família dele aceitava. Mas foi só a gente decidir de se casar para começar uma confusão. A mãe dele foi parar no hospital e não teve casamento”, lembra a atriz.

Em outro post, Zezé lembra mais dois casos marcantes de racismo que aconteceram com ela. Num deles, ela estava acompanhada da amiga Elke Maravilha, e no outro do cantor Caetano Veloso, que acabou tomando as dores da atriz.

“Tive inúmeros casos, muitas vezes na vida. Pegando Salvador como exemplo e considerando que a Bahia é uma pequena África, lembro de dois. Estava numa festa com a Elke (Maravilha), de classe média alta, sem outros negros além de mim, começaram a perguntar por que eu estava ali, quem me levou? Um clima horrível. Noutra vez, estava na praia com Caetano (acho que era no Farol da Barra), passou um cara gritando “Pra quem será que ela deu pra fazer sucesso”? Eu estava vivendo um momento de exposição. O Caetano foi lá e enfrentou o cara, deu um passa-fora nele, que saiu com o rabo entre as pernas…”.

Zezé Motta

Zezé Motta Foto: Arquivo/Reprodução

Zezé terminou o texto parabenizando a atitude de Tais Araújo e afirmando que é preciso denunciar os ataques sem perder a ternura.

“Precisa denunciar, mas sem perder a ternura pra não virar guerra, ou vão jogar bananas de todos os lados. Quando pensamos que avançou, acontece outro fato e depois outro e depois outro. São pessoas invejosas e sem amor no coração. E também que toda pessoa que não é racista deve sofrer com isso. E ainda, que a dor do racismo não muda, segue igual. É igual a sofrer por amor, a gente acha que quando tiver com mais idade aprende, não, tudo se repete. É gastar nosso tempo lutando contra mesquinhos!”

Fonte: Jornal Extra (http://extra.globo.com)

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