ANA segura vazão de Sobradinho e Xingó

Ontem, o reservatório de Sobradinho atingiu o volume útil de 1,2%, próximo de zero. Foto: Alcione Ferreira /DP
Ontem, o reservatório de Sobradinho atingiu o volume útil de 1,2%, próximo de zero. Foto: Alcione Ferreira /DP

A Agência Nacional das Águas (ANA) adiou para 20 de dezembro o prazo para autorizar a redução da vazão das barragens de Sobradinho e Xingó, de 900 metros cúbicos por segundo para 800 metros cúbicos por segundo. As duas usinas são as principais responsáveis pelo fornecimento de energia elétrica do Nordeste. A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) pediu aos órgãos reguladores que diminuição da vazão das barragens acontecesse a partir do dia 1º de dezembro para garantir a segurança hídrica das populações ribeirinhas localizadas às margens do Rio São Francisco. Ontem, o reservatório de Sobradinho atingiu o volume útil de 1,2%, próximo de zero. A previsão da Chesf é que a usina paralise a geração de energia neste mês.

De acordo com o diretor de Operações da Chesf, José Ailton de Lima, no próximo dia 15 haverá nova reunião de avaliação da bacia do São Francisco. Segundo ele, se não chover na bacia nos próximos dias e a situação hídrica se agravar, é possível que a ANA e o Ibama antecipem a redução da vazão das barragens. Atualmente, a vazão praticada nas barragens de Sobradinho é de 900 metros cúbicos por segundo. “Hoje estamos soltando mais água do que devíamos soltar. Quanto mais acelera a liberação da água, se aproxima mais rapidamente do volume morto. Estamos caindo 0,1% ao dia. Teoricamente, em 10 dias atingimos zero.”

Lima destacou que a preocupação agora é com a segurança das populações riberinhas que se abastecem das águas dos reservatórios. Ele argumenta que, ao reduzir 100 metros cúbicos por segundo, a vazão das barragens vai liberar mais água para o consumo humano. “Envolve desde as pessoas que pegam água no rio com latas para levar para as casas, os agricultores que usam as bombas de irrigação e as captações para o abastecimento humano feito pelas companhias de saneamento.”

A crise hídrica na bacia do São Francisco é uma das mais graves dos últimos 30 anos. Tanto que pela primeira vez desde que foi inaugurada em 1979, a hidrelétrica de Sobradinho vai parar a geração de energia hidrelétrica. O reservatório da usina que tem a capacidade de geração de 1.050 megawatt (MW), hoje só gera apenas 180 MW, o que representa 10% da capacidade total instalada de 10 mil MW da Chesf. Mesmo com a paralisação de Sobradinho, a companhia descarta o risco racionamento de energia no Nordeste.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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