Após atentados do ISIS, EUA e França querem acabar com a criptografia, WiFi público e proibir o TOR

Da Redação do site Tudocelular.com.br

Não é de hoje que o governo de alguns países ocidentais querem restringir a liberdade na internet e o direito de proteção de dados dos usuários, com a alegação de que isso seria importante no combate ao terrorismo. Porém, os recentes ataques na França deram nova força ao discurso. Dessa vez, o que está em pauta nos EUA e na França é o fim da criptografia e das redes WiFi públicas.

Nesses tempos de guerra ao terrorismo, houve até mesmo algumas personalidades como Donald Trump que fez declarações cômicas – fechar a internet – mas que demonstram muito bem as intenções de grupos conservadores de cercear alguns direitos fundamentais da rede digital. Porém, há autoridades mais sérias com propostas menos ridículas que podem, efetivamente, se tornar um problema para os defensores da internet livre.

Na França, alguns documentos do ministério do Interior foram vazados pelo jornal Le Monde., Eles propõe fechar as redes de wi-fi públicas e proibir o uso do Tor, o famoso software que permite navegar na rede sob anonimato, que em tese impossibilita o rastreamento dos usuários. Os franceses também incluem uma medida que obrigaria os serviços de VoIP a entregar as chaves de criptografia a pedido do governo.

As propostas ainda serão apresentadas ao parlamento e, segundo o Le Monde, leva algum tempo para que sejam postas em votação. Os documentos vazados também alegam que as redes WiFi se tornam um problema de segurança porque é difícil identificar quem está utilizando os serviços.

Já nos EUA, o presidente Obama encontrou-se essa semana com a pré-candidata à presidência, Hillary Clinton, para debater medidas semelhantes, e fizeram um apelo às empresas de tecnologia do país para que deixem de incluir mecanismos de proteção à privacidade em suas plataformas e produtos. As companhias, no entanto, já se juntaram para pressionar Obama a incentivar o uso de criptografia e contrariar o pedido de agências de inteligência.

Uma das maiores preocupações em relação à proibição do Tor é que a ferramenta tem sido fundamental para diversos grupos ativistas que combatem governos opressores, entre outras causas importantes. Um exemplo clássico foi a ocasião em que Edward Snowden trouxe à tona as suas denúncias sobre a espionagem da NSA sobre os cidadãos. Sem o Tor, o contato com a diretora do documentário Citizenfour, Laura Poitras, não seria possível. O filme de Poitras descreve o seu encontro com Edward Snowden e suas revelações sobre a espionagem dos EUA.

Outro problema que as intenções dos EUA e França trazem aos grupos ativistas é relacionado à proteção de dados dos usuários, que ficaria prejudicada caso essas medidas sejam adotadas. A criptografia é vista como um direito humano pela própria ONU, e um documento recente de David Kay, relator especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos, reafirma isso.

Criptografia e anonimato, separadamente ou em conjunto, criam uma zona de privacidade para proteger opinião e crença.

Como bem ressalta o site jornalístico independente Outras Palavras, “uma das metas explícitas de grupos como o ISIS é destruir as liberdades individuais do Ocidente, vistas pelos fundamentalistas como sinal de decadência”. Com esses projetos em pauta nos governos da França e dos EUA, parece que eles acabarão por contribuir o próprio inimigo que juram combater.

Fonte: Tudocelular.com.br
Notícia originalmente postada pelo site Tudo Celular.

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