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Após lambida em participante, 'Pânico na Band' é banido de evento


Site organizador do evento publicou uma nota de repúdio ao programa humorístico


Redação Correio 24h

O programa “Pânico na Band” foi banido das próximas edições da Comic Con Experience, segundo informou nesta segunda-feira (7) o site Omelete, um dos organizadores do evento. A punição veio após uma reportagem em que dois repórteres aparecem zombando de participantes e um deles chega a lamber uma cosplayer.

Programa “Pânico” na Comic Con (Foto: Reprodução/Band)

O Omelete publicou uma nota de repúdio ao programa humorístico. A cobertura em questão foi feita pelos repórteres Aline Mineiro e Lucas Selfie – foi ele quem lambeu a participante, que estava fantasiada de Estelar, dos “Jovens Titas”. A jovem não gostou e reclamou na hora. “Não faz isso (…) Não tem a menor graça”.

A nota diz que o programa foi “incapaz de lidar com o diferente, trazendo para dentro da CCXP seus preconceitos de gênero e seu franco desrespeito, entrevistando cosplayers com grosseria – chegando a lamber uma visitante”.

Na reportagem, Lucas e Aline estavam fantasiados de nerds, abordando os entrevistados de maneira que foi caracterizada como invasiva. Depois que a reportagem foi ao ar, a jovem que levou a lambida desabafou no Facebook reclamando de toda a situação. “Não tem palavras que descrevam o ódio e o nojo que me bateram na hora. Que coisa e…, repugnante. Invasão de privacidade, falta de respeito. Nojo”, escreveu a jovem.

Veja a cena:

 

O “Pânico na Band” e a emissora não se manifestaram até o momento.

Leia a íntegra da nota do Omelete:

Na CCXP – Comic Con Experience, todas as pessoas são bem-vindas e incentivadas, sem preconceitos, a ser quem são – ou quem desejam ser. É um ambiente harmonioso que defendemos, um lugar onde cosplayers, nerds, gamers, cinéfilos, leitores de quadrinhos e simples curiosos convivem com respeito. Numa convenção de cultura pop, o contrato social que sonhamos para nós – em que toda diferença é aceita e celebrada – torna-se realidade.

É com tristeza e um sentimento de desgosto, então, que assistimos à maneira como o programa Pânico na Band, incapaz de lidar com o diferente, traz para dentro da CCXP seus preconceitos de gênero e seu franco desrespeito, entrevistando cosplayers com grosseria – chegando a lamber uma visitante. Depois desse incidente lamentável o Pânico na Band foi banido da CCXP 2015 e de todas as atividades organizadas a partir de hoje.

Não se trata aqui de discutir limites de humor. A cobertura do Pânico na Band da CCXP 2014, inclusive, foi muito bem-humorada e eles foram credenciados para a nova edição dentro desse espírito. No entanto, assédios moral e sexual são temas seríssimos e preocupações constantes em convenções de cultura pop no mundo inteiro – assim como fora delas. As atitudes do Pânico na Band dentro da CCXP representam um retrocesso que não podemos aceitar. Ninguém pode, não mais.

O senso de humor é um componente fundamental do cosplay. Nesta segunda-feira a web ainda se diverte com as imagens dos trajes mais inventivos que passaram pelos quatro dias da convenção, do meme de Pulp Fiction às crianças vestidas de Coringa. Mas o cosplay também é uma forma de expressão que ajuda muita gente a fantasiar, com segurança, com aquilo que deseja para si. Pessoas aderem ao cosplay para se tornarem mais fortes, usando a interpretação e a confecção de seus trajes para lutar contra quadros de depressão, para manifestar sua sexualidade, para trabalhar sua auto-estima, como um super-herói.

O Omelete, que integra a organização da CCXP, repudia com indignação a postura inaceitável do Pânico na Band porque ela desmancha esse encanto do qual depende qualquer convenção de cultura pop. Mas os cosplayers, os nerds, os gamers, os cinéfilos e os leitores de quadrinhos são maiores, mais unidos e mais fortes. E um dia o contrato social de tolerância que estabelecemos dentro dessas convenções vai se espalhar porta afora, como um coro.

Tags:Polêmica, Pânico, Banido, Omelete

Fonte: iBahia.com.br
Matéria publicada pelo site iBahia. Todos os créditos e direitos para o referido portal.

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