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Artigo: O Sapato Alto por Zurica Peixoto (1914 – 2005)

Penedo, 1931

 

Todos os dias, ao passar pela casa de calçados, detinha-me à vitrine para olhar o lindo sapatinho. Era perdida por aquele sapato de verniz, de salto alto, que deveria ficar-me admiravelmente.

 

Sempre estava pedindo a mamãe me comprasse o sapatinho; ela, porém, achava-me muito menina para usar salto alto.

 

– Ora, mamãe – dizia-lhe eu -, estou quase uma moça, e, depois, o salto baixo não é chic, é deselegante.

 

Como devia ser bom rodopiar em cima dos saltos!…

 

E, tanto fiz, tanto aperreei que obtive o consentimento para comprá-lo.

 

Entrei na sapataria, calcei-o, e ficou bonzinho no meu pé.

 

Nisto, o caixeiro ajeitou os espelhos para que eu pudesse mirar-me. Oh!… Ali estava a minha figura elegante, alta, e que pezinho encantador!… Quase não deixava o espelho, admirando-me.

 

Afinal, decidi-me a pagar e mandar embrulhar o sapatinho tão desejado.

 

Tornei a casa e vim pensando pelo caminho na próxima festa que houvesse, na qual estrearia o salto alto…

– – –                                     – – –                                – – –

 

(Nota: Zurica, 17 anos incompletos)

 

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