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China expulsa repórter francesa que questionou o terrorismo no país

A China informou neste sábado que não renovará as credenciais de imprensa para uma jornalista francesa, na prática expulsando a profissional, após uma dura campanha da mídia local contra ela pelo fato de a repórter ter questionado a linha oficial de igualar a violência étnica no oeste do país, uma área com grande concentração de muçulmanos, ao terrorismo global.

Já esperando que isso ocorresse, a jornalista Ursula Gauthier, da revista francesa L’Obs, disse na noite de sexta-feira que estava preparada para deixar a China. Ela deve partir em 31 de dezembro, tornando-se assim a primeira jornalista estrangeira a ser forçada a deixar o país desde 2012, quando foi expulsa a norte-americana Melissa Chan, que trabalhava para a Al Jazeera em Pequim. “Eles querem uma desculpa pública por coisas que não escrevi”, disse Gauthier. “Eles me acusam de escrever coisas que não escrevi.”

Em comunicado por escrito, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês disse que Gauthier não pode mais ter direito a trabalhar no país, porque ela apoiava “o terrorismo e atos cruéis” que mataram civis e porque ela se recusou a pedir desculpas. O porta-voz disse que a China sempre protegeu os direitos legais da imprensa estrangeira e dos correspondentes que atuam no país, mas “não tolera a liberdade para o incentivo ao terrorismo”.

A jornalista qualificou neste sábado as acusações como absurdas e disse que o apoio ao terrorismo é moral e legalmente errado. “Eu deveria ser legalmente processada, se fosse esse o caso”, afirmou. “Tudo isso é retórica. É feito apenas para barrar correspondentes estrangeiros no futuro em Pequim.”

Em 18 de novembro, Gauthier escreveu um texto dizendo que Pequim proclamava sua solidariedade com Pequim, mas ao mesmo tempo buscava apoio internacional por sua conduta em relação à região muçulmana de Xinjiang, onde o governo chinês igualava a violência étnica ao terrorismo global. A repórter disse que alguns dos ataques violentos em Xinjiang envolvendo membros da minoria uigur pareciam ser feitos no próprio país, sem sinal de vínculos com o exterior.

Pequim atribui a violência na área ao terrorismo com laços no exterior. Em seu texto, Gauthier enfocava um ataque a uma mina em uma região remota de Xinjiang, que segundo ela mais parecia uma ação de uigures contra os trabalhadores da mina, da etnia han, majoritária no país. Os uigures se sentem discriminados em relação à etnia han. O texto da jornalista já havia sido criticado duramente pelo governo chinês e pela imprensa estatal. Fonte: Associated Press.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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