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Conversa entre Cunha e Lewandowski foi marcada pelo constrangimento

Lewandowski recebeu no gabinete o presidente da Câmara para o encontro que durou 25 minutos: Cunha ficou de costas para os repórteres. Foto:Rosinei Coutinho/ SCO/STF
Lewandowski recebeu no gabinete o presidente da Câmara para o encontro que durou 25 minutos: Cunha ficou de costas para os repórteres. Foto:Rosinei Coutinho/ SCO/STF

Num gesto de desconfiança e extrema cautela, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, surpreendeu a todos ao permitir que a imprensa tivesse acesso livre, na tarde de ontem, ao seu gabinete para acompanhar de perto o encontro com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). Com as portas abertas, jornalistas se posicionaram a uma distância de aproximadamente quatro metros da mesa de reunião e puderam ouvir o que era conversado entre eles. Durante 25 minutos, o peemedebista, acusado de esconder pelo menos US$ 5 milhões de propina em contas secretas na Suíça, tentou esclarecer em vão dúvidas sobre a decisão do STF em relação ao rito do impeachment da presidende Dilma Rousseff (PT). Lewandowski, de maneira bastante formal, repetiu algumas vezes que não poderia falar sobre teses e hipóteses, não respondeu a nenhum questionamento específico em relação à decisão tomada na semana passada e ainda afirmou que não há margem para dúvidas sobre a determinação da Corte.

Eduardo Cunha estava sentado numa posição de costas para os repórteres. Falava sempre muito baixo. Poucas palavras eram audíveis. Inicialmente, afirmou que a decisão do STF poderia causar uma paralisia na Casa em relação à tramitação do processo porque suscitava bastantes dúvidas. “Temos uma preocupação institucional muito grave”, afirmou. O peemedebista pediu celeridade e informou ao presidente do Supremo que, em razão das várias interpretações, apresentará em 1º de fevereiro embargos de declaração, espécie de recurso para esclarecer pontos obscuros de uma determinação do Supremo.

Diferentemente de Cunha, Lewandowski respondia de forma intencional sempre num tom mais alto, o que possibilitava ser ouvido pelos jornalistas. Ele insistiu que os embargos de declaração, de maneira geral, são apresentados após a publicação do acórdão. Disse também que questionar a decisão antes de ela ser publicada “pode ter um efeito intempestivo”. Chegou a responder a Cunha que alguns ministros da Corte entendem ser “um exercício de futurologia” questionar eventuais omissões antes de o STF publicar o acórdão, decisão final de um tribunal superior.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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