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Dilma e Temer disputam para emplacar aliados na comissão do impeachment

A presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer travam uma disputa de bastidores pela escolha dos integrantes, e do controle, da comissão especial responsável por examinar o pedido de impeachment da petista. Até aqui, apenas 14 dos 65 integrantes do colegiado foram indicados. A lista final será divulgada em sessão extraordinária da Câmara dos Deputados, hoje, às 18h. De um lado, Temer escalou como seu articulador na Casa o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS), com os dois pés fora do governo. Do outro, o Palácio do Planalto conta com o apoio do jovem líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), para conseguir ter maioria na comissão.

Com a entrada em cena do grupo de Temer, o jogo interno de forças no PMDB se altera. O líder da bancada tem a prerrogativa de indicar todos os representantes da legenda, mas uma parte, encabeçada pelos deputados Osmar Terra (RS) e Lúcio Vieira Lima (BA), está rebelada e quer que todas as alas do partido sejam contempladas. Até a demissão de Padilha, a disputa pelo controle da comissão se dividia entre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e a presidente Dilma Rousseff. Além dos votos da oposição, as bancadas do PTB, PP, PSD e PSC são aliadas de Cunha.

O Palácio do Planalto ofereceu a Picciani o Ministério da Aviação Civil e pressiona os demais ministros do PMDB a apoiarem as articulações do líder, mas isso pode provocar outras baixas na Esplanada, como a saída do ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (RN), ex-presidente da Câmara e aliado incondicional de Temer. Ao mesmo tempo, a presidente Dilma tenta manter Padilha no governo. Hoje, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, terá encontro reservado com Padilha e os líderes de partidos da base aliada entregarão a lista de indicados para o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini.

Alternativa de poder

Nos bastidores, o vice-presidente Michel Temer tem afirmado aos seus interlocutores que não pretende mover uma palha a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas se movimenta como alternativa de poder. Hoje, inclusive, terá encontro privado com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Uma aliança entre os dois pode selar o destino da petista, uma vez que o governador paulista foi o líder do PSDB que mais resistiu à proposta de impeachment.

Na semana passada, Temer se reuniu com um grupo de senadores de oposição favoráveis ao afastamento da presidente Dilma, integrado pelos tucanos José Serra (SP), Aloysio Nunes (SP) e Tasso Jereissati (CE); o presidente do DEM, José Agripino (RN); e os peemedebistas Waldemir Moka (MS) e Ricardo Ferraço (ES). O grupo manifestou apoio ao vice-presidente da República, caso ele venha a assumir a Presidência. Temer agradeceu, mas desconversou em relação ao impeachment. Disse que era um assunto com o qual não poderia se envolver e repetiu a tese da pacificação nacional.

A presença de José Serra no encontro sinalizou para a cúpula do PSDB e para os demais partidos de oposição um possível engajamento num governo de transição encabeçado por Temer, caso Dilma seja afastada do poder. O tucano é apontado como futuro ministro da Fazenda, uma posição estratégica, tendo em vista as eleições de 2018. No dia seguinte, o líder da bancada do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), defendeu a realização do recesso parlamentar e o adiamento da decisão sobre o impeachment para o próximo ano.

O gesto foi interpretado pelo grupo pró-impeachment como uma manobra do presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), para ganhar tempo. Líder nas pesquisas de opinião para a sucessão de Dilma, Aécio apoia o impeachment, mas aposta mesmo é no pedido de cassação dos mandatos da presidente e do vice por crime eleitoral que tramita no Tribunal Superior Eleitoral e investiga as contas de campanha de Dilma. Nesse caso, haveria novas eleições.

O encontro de Temer e Alckmin, hoje, pode ser decisivo para unificar os caciques tucanos. O apoio de Alckmin ao impeachment e a eventual participação do PSDB num governo de transição nacional teria o efeito reflexo de atrair os caciques do PMDB que ainda apoiam Dilma – o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o líder da bancada na Casa, Eunício Oliveira (CE), além do ex-presidente José Sarney –, isolando o jovem líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ).

Temer é uma esfinge, porém, dois de seus principais aliados estão em campo: o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, que coordenou o Plano Temer — um documento intitulado Uma ponta para o futuro, que sintetiza as propostas do que seria um governo de transição — e o ministro demissionário da Aviação Civil, Eliseu Padilha, que sempre foi o principal articulador político de Temer no Congresso.

Agenda

Confira a tramitação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados:

Hoje

» Eleição da comissão especial destinada a dar parecer sobre o impeachment de Dilma Rousseff

» Reunião para eleição, em votação secreta, do presidente e do relator da comissão especial do impeachment

10 sessões

» Prazo para Dilma Rousseff apresentar sua defesa

5 sessões

» Prazo para o relator concluir o parecer com posicionamento sobre a abertura de processo

48 horas

» O parecer é incluído na ordem do dia da sessão seguinte para ser votado em plenário

» Caso receba 342 votos pela aprovação, a presidente é afastada e o processo é aberto pelo Senado; Com 171 votos pela rejeição, o pedido é arquivado

Confira os 23 nomes já escolhidos para a comissão especial

– PT

José Guimarães (CE)

Sibá Machado (AC)

Carlos Zarattini (SP)

Paulo Teixeira (SP)

Paulo Pimenta (RS) 

Arlindo Chinaglia (SP)

Wadih Damous (RJ)

Henrique Fontana (RS)

– PCdoB 

Jandira Feghali (RJ)

– PSB 

Fernando Bezerra Coelho Filho (PE)

Luiza Erundina (SP)

– PSDB

Carlos Sampaio (SP)

Bruno Araújo (PE)

PV

Sarney Filho (MA)

– Solidariedade

Arthur Maia (BA)

Paulo Pereira da Silva (SP)

– PRB

Jhonatan de Jesus (RR)

Vinicius Carvalho (SP)

– PDT

Afonso Motta (RS)

Dagoberto Filho (MS)

– PSOL

Ivan Valente (RJ)

– PMN

Antônio Jacome (RN)

– PPS

Alex Manente (SP)

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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