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Empresas de mineração lutam para sobreviver em meio a grave crise

Preços do minério de ferro despencaram abaixo dos US$ 40 no começo de dezembro de 2015, seu menor nível desde maio de 2009. Foto: AFP/Arquivos.
Preços do minério de ferro despencaram abaixo dos US$ 40 no começo de dezembro de 2015, seu menor nível desde maio de 2009. Foto: AFP/Arquivos.

As empresas de mineração lutam pela sobrevivência depois de um ano de forte queda dos preços das matérias-primas e de sobreoferta, que poderiam provocar novos fechamentos em 2016.A avidez tradicional da China pelas commodities diminuiu e o consumo interno está se tornando o motor do crescimento da segunda economia mundial, em detrimento dos investimentos maciços.

Paralelamente, as grandes empresas mineradoras continuam aumentando sua produção –  acentuando a derrubada dos preços – e são acusadas de querer, com esta política, tirar definitivamente do jogo concorrentes de menor porte.

O preço do minério de ferro – usado para fabricar aço – despencou abaixo dos 40 dólares a tonelada no começo de dezembro, seu nível mais baixo desde maio de 2009; o preço do carvão térmico caiu 80% com relação ao seu ápice em 2008 e a cotação do barril do petróleo está em seu mínimo em oito anos. Estas depreciações tiveram um grave impacto na atividade mineradora em todo o mundo, empurrando para o precipício os menores atores e erodindo orçamentos governamentais das economias mais dependentes de recursos naturais, como a da Austrália.

No Chile, primeiro produtor mundial de cobre, os investimentos estrangeiros diretos, concentrados principalmente no setor de mineração, caíram 10% entre janeiro e agosto, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Até mesmo grandes nomes do setor, como a Anglo-American, cotada na bolsa de Londres, tiveram que cortar sua planilha em quase dois terços e fechar minas deficitárias.

A gigante suíça Glencore planeja cortar sua dívida reduzindo os investimentos e vendendo ativos. Em outubro, pôs à venda a mina de cobre Lomas Bayas, no Chile, e a de Cobar, na Austrália. “Só é preciso olhar qualquer preço da ação para saber que foi um ano traumático para os mercados de matérias-primas e para as empresas mineradoras”, disse à AFP Andrew Driscoll, chefe de pesquisas de recursos da CLSA.

Segundo analistas, as mineradoras pediram empréstimos demais e superestimaram o crescimento da demanda. “Aumentaram muito sua capacidade de produção e agora temos excedentes em cada commodity”, afirmou Daniel Morgan, analista do setor no banco UBS.

“Acho que é, sem dúvida, um dos anos mais difíceis que a indústria mineradora já enfrentou”, acrescentou, comparando a situação à da crise financeira de 2007-2008, à da crise financeira asiática de 1997 e, inclusive, à registrada após a queda da União Soviética, em 1991.

O banco Goldman Sachs avaliou na semana passada que o setor do minério de ferro necessitava “hibernar durante um longo período”, prevendo que os preços se manteriam abaixo dos 40 dólares durante três anos.

A Agência Internacional de Energia (AIE) assegurou, em meados de dezembro, que a produção energética mundial poderia estar saindo da idade do carvão, devido à menor demanda chinesa e ao auge das energias renováveis como alternativas a este combustível fóssil extremamente poluente.

A Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decidiu este mês manter inalterados seus limites de produção, apesar dos apelos de países como a Venezuela para reduzi-los, a fim de apoiar os preços do petróleo, que estão em seus níveis mais baixos em anos.”Tivemos uma grande festa de 2011 a 2015, e agora, sentimos a ressaca”, disse Mark Gordon, analista da Breakaway Research.

Mais fechamentos e redução de custos
Com uma demanda que deveria seguir a tendência da economia chinesa à desaceleração, haverá ajustes do lado da oferta, segundo analistas, para os quais as mineradoras demoraram demais para conter sua produção.

A adaptação deveria, por isso, se acelerar no ano que vem, com novos fechamentos, de forma a restabelecer um equilíbrio entre oferta e demanda. “Há sinal de luz no fim do túnel, mas se você é um produtor de alto custo, se tem muitas dívidas, então, as coisas continuarão sendo muito difíceis”, avalia Driscoll.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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