Equipe do Ministério da Fazenda prepara debandada

Diante da decisão do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de deixar o cargo o mais rapidamente possível — a aposta no Palácio do Planalto é de que ele não chegará ao fim de janeiro —, subordinados dele já começam a preparar o desembarque.

Irritados com o descompromisso da presidente Dilma Rousseff com o ajuste fiscal, secretários e assessores não querem manchar o currículo e ser lembrados como integrantes de um governo que naufragou.

O primeiro a abandonar o barco foi Fabrício Valle Dantas Leite, que vinha respondendo pela função de adjunto da Secretaria Executiva da Fazenda. Ele foi exonerado, a pedido, no último dia 15. Ele deve ser substituído por Giovana Victer, que, até a semana passada, era secretária de Planejamento de Niterói (RJ).

Mas fontes do governo garantem que ela pode assumir o comando da Secretaria Executiva no lugar de Tarcísio Godoy, que está em férias e já manifestou sua insatisfação no cargo. A confusão é tanta que o ministério se recusa a informar qual vaga Giovana realmente ocupará.

Outro que já está com o pedido de demissão pronto é o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, como informou ontem o Correio. Ele, que é muito próximo de Levy — os dois trabalharam juntos na Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro —, vem criticando abertamente os desentendimentos dentro do governo para executar o ajuste fiscal. Desde que foi empossado, Saintive defendeu um corte drástico nos gastos para recuperar a credibilidade das contas públicas, mas sempre foi voto vencido

Como secretário do Tesouro, cabe a Saintive formular as principais políticas para atingir o superavit primário (economia para pagamento de juros) e impedir o crescimento da dívida pública. Como a presidente Dilma tem escutado mais o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, na hora de definir as políticas de redução de despesas, em detrimento da opinião de técnicos do Tesouro, o secretário está desconfortável no cargo.

Acordo
“O quadro é de fim de festa na Fazenda”, disse um dos assessores mais próximos de Levy. “Infelizmente, foi o governo, com suas escolhas erradas, que levou a essa situação”, acrescentou. Para ele, mesmo que o ministro negue publicamente que ainda não pediu demissão, é certo que ele sairá. Inclusive, Levy já teria recebido sinal verde do Bradesco, de onde saiu para entrar no governo, para retornar ao banco. “Estamos falando de uma pessoa competentíssima, que foi humilhada por um governo medíocre”, emendou o técnico.

Para o economista Christopher Garman, da Eurasia Group, em Nova York, Levy não deverá deixar o governo antes da conclusão do processo de impeachment da presidente Dilma. “A potencial saída de Levy e o rebaixamento do país pela Fitch não são suscetíveis de alterar as chances de impeachment, mas a dependência da presidente de sua base de esquerda durante a batalha vai minar a capacidade de ela entregar um ajuste fiscal depois do processo”, afirmou. Pelas contas do analista, a coalizão mais à esquerda pode garantir até 130 dos 171 votos necessários para a presidente evitar o impedimento.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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