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Estado Islâmico perde líderes valiosos após ataques da coalizão

A coalizão internacional dirigida pelos Estados Unidos atingiu o núcleo do grupo Estado Islâmico (EI) com a eliminação de dez de seus dirigentes em ataques na Síria e no Iraque, estimam vários especialistas.

Entre estes dez líderes do EI, eliminados em dezembro, alguns estariam vinculados aos ataques de 13 de novembro em Paris, que deixaram 130 mortos.

Em particular Charaffe el Muadan e Abdel Kader Hakim, que dispunha de “muitos contatos na Europa”, anunciou o exército americano.

“Devido ao seu papel operacional e a sua experiência, estas figuras são um recurso humano inestimável e uma grande perda para o EI”, disse à AFP Mathieu Guidère, professor da Universidade Jean Jaures de Toulouse, no oeste da França.

Os Estados Unidos acreditam que são “responsáveis técnicos e comandantes intermediários, mas não são os que tomam as decisões, e sim as executam”, segundo os especialistas.

O Pentágono também anunciou a eliminação no Iraque de Khalil Ahmad Ali al Wais – emir da província de Kirkuk (nordeste) – e de Yunes Kallach, “emir financeiro adjunto” do EI, assassinado em Mossul (norte).

“A morte vai pesar na direção do EI, que precisa encontrar um substituto de confiança”, disse na terça-feira o coronel Steve Warren, porta-voz da coalizão anti-EI com sede em Bagdá.

Segundo Hicham al-Hachimi, um especialista iraquiano, Al Wais, mais conhecido por seu pseudônimo Abu Waddah, também dirigia os serviços de comunicação interna do EI.

“Por um lado, o Estado Islâmico perdeu sua capacidade operacional e sua capacidade de execução, e pelo outro sua capacidade de trabalhar em equipe, sob uma estrutura hierarquizada”, resumiu o especialista, ao comentar a morte destes dirigentes.

Segundo Guidère, são perdas qualitativas difíceis de compensar. “Há muitos candidatos, mas o que é escasso não é a quantidade, mas a qualidade”, afirmou.

Estas eliminações “podem indicar que os Estados Unidos dispõem de melhores informações” ou que “as práticas de segurança dos responsáveis do EI enfraqueceram”, opinou Yezid Sayigh, analista do Centro Carnegie de Beirute.

“Os líderes com mais experiência foram neutralizados (estão mortos ou feridos) e substituídos por outros com menos experiência”, segundo Sayigh.

A morte dos dirigentes pode alimentar as divisões internas, considerou Mia Bloom, professora na Georgia State University.

Nos últimos meses, o grupo Estado Islâmico sofreu vários revezes, tanto no Iraque quanto na Síria, que frearam o avanço espetacular alcançado em 2014.

Nesta semana, no Iraque, o exército iraquiano retomou a cidade de Ramadi e na Síria uma coalizão de rebeldes árabes e curdos conquistou um importante alvo estratégico no norte do país.

“A partir de agora, o grupo vai se concentrar em conservar o que foi conquistado, o que o coloca em uma situação defensiva”, considerou Sayigh.

“É algo arriscado para a organização, mas isso lhe permitirá entrar em uma luta sangrenta”, advertiu o analista.

A coalizão internacional dirigida pelos Estados Unidos e pela aviação russa intensificaram os ataques aéreos contra Raqa, a capital do Estado Islâmico na Síria.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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