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Faltou diálogo nos últimos anos

Mesmo com as dificuldades impostas pela crise econômica, o governador Paulo Câmara (PSB) fez um balanço positivo das atividades que foram possíveis realizar ao longo deste ano. Um início de gestão que levou o socialista a adotar medidas duras para equilibrar as contas do estado e adequar a máquina à realidade financeira do país. Foi preciso enxugar, cortar, ajustar para manter os serviços funcionando e realizar alguns avanços. Entre os desafios que apontou para o seu governo está à disposição de lutar para manter o polo naval no Complexo de Suape que, na avaliação dele, não pode retroceder depois de um investimento de R$ 2 bilhões. “O que faltou no Brasil nos últimos anos foi diálogo, e a Petrobras está repetindo os mesmos erros”, observou o governador, referindo-se à possibilidade de suspensão dos contratos de encomendas de navios. Na entrevista, concedida no Palácio do Campo das Princesas na quarta-feira, Paulo Câmara avaliou o atual cenário político-econômico e o que ele projeta para 2016. Mas foi quando falou do ex-governador Eduardo Campos que ele deixou transparecer a emoção. Em entrevista exclusiva ao Diario de Pernambuco, o socialista garantiu que “sempre esteve preparado” para governar Pernambuco e que Eduardo está fazendo falta “não só ao estado, mas ao Brasil”. 

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O que senhor aponta como avanço na educação?
É importante ressaltar que foram divulgadas duas informações importantes em 2015. Das 10 melhores escolas do país, a partir do Enem de 2014, seis estão em Pernambuco, e isso também nos coloca, diante da prova do Ideb que foi feita em 2015 e que vai ser divulgada em 2016, a possibilidade de melhorar as notas, ou seja, Pernambuco avançou da 21ª colocação para a quarta. Mas o mais importante para a gente não é a colocação. O mais importante é a gente continuar melhorando as notas. Nós fomos quarto com 3.6, que é uma nota ainda que considero muito aquém do que a gente precisa para ter uma educação de qualidade. Então esse é o desafio que foi feito em 2015: estimular e preparar nossos alunos para o Ideb. E vamos esperar que os resultados sejam satisfatórios em 2016. E outro indicador que foi importante e que foi divulgado em 2015 e se refere a 2014 foi a questão da taxa de abandono. Em 2007, Pernambuco tinha a penúltima maior taxa de abandono escolar com 24%, e hoje nós temos a menor taxa de abandono, de 3.5%. O que foi mais positivo no dado é que nós já éramos primeiro em 2013 com 5.2%. O segundo era São Paulo, com 5.6%. Pernambuco manteve a primeira colocação e diminuiu ainda uma taxa que já era baixa. São Paulo continuou com cinco e uns quebradinhos. Então, mostra realmente que o caminho da escola integral que a gente adotou é um caminho que, além de melhorar a qualidade do ensino, também vem contribuindo para reduzir a taxa de abandono. Outra coisa importante de 2015 foi a instituição do Passe Livre para os alunos da rede pública. Não existia isso. É uma medida que veio para ficar. Assim como a manutenção de programas que já vinham desde o governo Eduardo, como entrega do material escolar, do kit, do fardamento, a merenda. Estamos lançando um concurso para três mil vagas. Conseguimos inaugurar cinco escolas técnicas. Então, nós temos um projeto de ter 40 escolas técnicas funcionando até 2018. Está faltando oito para a gente conseguir esse objetivo. Em 2015 já conseguimos avançar em cinco. Também concluímos seis escolas de referência, que possibilitará uma melhor estrutura para o estudante. O Programa Ganhe o Mundo também foi mantido, apesar do dólar que aumentou muito este ano. A gente conseguiu manter mil vagas em 2015 e vamos oferecer mil vagas em 2016 para os alunos estudarem as línguas inglesa e espanhola fora do Brasil. Outro resultado importante tivemos na Olimpíada Brasileira de Robótica. Pernambuco foi o quarto lugar nacional com a escola estadual José de Alencar, em Paulista. Essa Olimpíada Brasileira de Robótica não é só escola pública, mas todas as escolas privadas e públicas. Nós tiramos o quarto lugar no ensino médio, e o Recife tirou o primeiro lugar no ensino fundamental. Isso é fruto do trabalho de uma equipe de professores e alunos aplicados. As pessoas ficam loucas por Robótica. Isso está se espalhando pelo estado, e essa experiência de Paulista (município) vai servir para a gente replicar em várias escolas. Os equipamentos que eles utilizaram não são os top (de linha) que outras escolas tinham. A gente também vai cuidar de comprar (novos), porque Robótica mexe com muita coisa. É ótimo para matemática. Vamos incentivar isso.

E na área de esportes?
O destaque é o Ganhe o Mundo Esportivo, que foi introduzido em 2015. Mandamos 11 alunos para o exterior. Para você participar do Ganhe o Mundo não é preciso só saber fazer esporte. Você tem que ter nota boa. Então, fora a nota, você ainda tem que ter habilidade esportiva. A gente está aumentando para 20 alunos em 2016, e 100 quadras estão sendo construídas em 58 municípios, para a gente também promover junto às escolas uma maior prática esportiva. Isso é um programa que a gente faz com o governo federal. Em 2016, Pernambuco vai sediar também a prova Tour de France (etapa para Recife). Todo mundo que assiste diz que é ótimo. Na próxima semana, vou sancionar a lei de incentivo ao esporte que vai possibilitar apoio privado a clubes, alunos, estudantes com práticas esportivas…
 
O que o senhor define como mais importante na área da saúde em 2015?
Acho que o ponto principal para se colocar é a situação da decretação da situação de emergência por 180 dias devido às doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Pernambuco foi o primeiro estado a detectar a vinculação ou a possível vinculação desses casos com a microcefalia, no dia 22 de outubro. De lá pra cá, nós fizemos uma série de atividades com o Comitê de Mobilização Social contra a Dengue, que envolve muitas instituições. Todos os protocolos que Pernambuco iniciou estão sendo replicados no Brasil. Criamos o Plano Estadual de Enfrentamento a doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, que prevê a capacitação de profissionais. Estamos disponibilizando R$ 25 milhões, R$ 15 milhões para adaptar a nossa rede de saúde à condição de tratar essas crianças, porque já são mais de 200. Em média, tínhamos 10 por ano, R$ 5 milhões para as campanhas de comunicação e R$ 5 milhões para a compra de equipamentos para serem disponibilizados para os municípios. Os municípios hoje são os grande atores, porque eles têm que colocar gente para olhar casa por casa, olhar o quintal das pessoas, tratar os focos, e a gente vai contar com a mobilização de 750 homens do Exército que estão sendo treinados também para ajudar nos municípios diante da redução do quadro de agentes de controle de endemias, pois se criou um piso nacional para esses agentes, e o dinheiro ficou no mesmo patamar que é encaminhado do governo federal para os estados e municípios. Então, 40% dos agentes foram demitidos em Pernambuco. Isso também é uma das grandes causas de ter tido um avanço tão grande de dengue em nosso estado, e consequentemente de zika e chikungunya, que entraram no Brasil no ano passado e que já está dando um efeito muito grave em virtude da sua correspondência com a microcefalia.

E a rede de saúde tem como atender essa demanda?
Novas estruturas de hospitais estaduais estão sendo preparadas para tratar as pessoas. Hoje, a microcefalia no Brasil já atinge 549 municípios, 19 estados e, sem dúvida nenhuma, se não cuidarmos com a atenção devida, pode se configurar no maior problema de saúde pública já existente no país. Os casos já estão sendo devidamente registrados no outros estados. Pernambuco apresenta hoje o maior número de registros em virtude de ter sido o primeiro a alertar, de a sua vigilância estar bem-estruturada. A partir do momento em que esse alerta teve início, os outros estados começaram a notificar. Isso deixa de ser uma questão de Pernambuco e do Nordeste e já é uma questão nacional, com muitos estados tendo notificações.

E nas demais áreas?
Outras áreas de saúde na qual avançamos foi o Hospital Berlamino Correia, em Goiana, com a reforma da emergência adulta e pediátrica, e a preparação para o aumento da oferta de serviço na região do entorno do município. Aquela é uma das regiões de Pernambuco que deve crescer mais rapidamente nos próximos anos, em virtude do polo automobilístico que está se instalando lá e da manutenção de programas como o Mãe Coruja, que vai ter um efeito importante fora e que já faz todo o acompanhamento pré-natal e pós-nascimento das crianças. O programa agora vai dar assistência às mães de crianças que nascem com microcefalia. É muito importante enfatizar que este ano a ampliação do serviço de saúde ficou muito prejudicada pela impossibilidade de credenciamento de novos serviços junto ao governo federal. Então, mesmo que o estado quisesse abrir novas Upas, como algumas que estão praticamente prontas, sem o credenciamento do governo federal fica praticamente impossível. Toda a concentração de recursos na saúde está sendo destinada aos serviços que estão funcionando. Vamos buscar fazer com que funcionem melhor, porque a gente já está vendo que há superlotação das unidades de saúde e um conjunto maior de reclamações em relação ao atendimento e à demora para operações e exames. Em um português muito claro para vocês, porque não estou aqui para esconder nada, a crise econômica faz com que os municípios fechem unidades de saúde, e isso faz com que as pessoas se dirijam ao hospitais estaduais em um viés diferente do que era antes. Recife tem cuidado da atenção básica, e o estado, da média e alta complexidade. Isso leva mais gente aos hospitais públicos que estão impossibilitados de ampliar serviços por causa de recursos e também de credenciamento federal. A crise também tem levado ao SUS as pessoas que tinham antes um plano de saúde e não têm mais. A saúde hoje é um grande desafio, porque já havia uma crise no financiamento muito clara e agora vem uma crise econômica. A gente vai ter que redobrar os esforços em 2016, principalmente para manter os serviços funcionando bem, para não atrasar medicamento, para pagar fornecedor em dia e pagar terceirizados, para que ela possa chegar às pessoas mais rapidamente.

O Pacto pela Vida ainda atende o objetivo para o qual foi criado?

É também outro desafio enorme do Brasil. Pernambuco foi o estado que ganhou destaque justamente por ter diminuído a violência de 2007 a 2013. Foi o único estado que reduziu sete anos seguidos a violência. Em 2014 já aumentou e em 2015 está aumentando novamente. Nós tínhamos uma redução de 34%, 35% em 2013, e hoje a redução está em torno de 27%. O Pacto pela Vida é uma política que a gente entende como certa, consistente, que salvou mais de 10 mil vidas e que agora tem o desafio de, mais uma vez, voltar a reduzir os homicídios.

O programa saiu dos trilhos?
Não é que saiu dos trilhos. A violência aumentou no país todo. O aspecto econômico prejudica. Essa questão das drogas prejudica demais. Quanto mais droga, quanto mais vício, mais forte o mercado. Isso afeta na violência. Nós tínhamos uma curva descendente até o mês de julho em relação ao começo do ano. Tivemos problemas com questão salarial, entrega de programa de Jornada Extra de Segurança (PJES), discussão sobre círculo único, discussões desnecessárias porque não cabia a nós discutir isso, que é uma questão federal. Foram muitas conversas. O ambiente só começou novamente a clarear agora. A mudança de comando precisou ser feita em muitas áreas. Não estão funcionando, vamos mudar, vamos tentar reagir de outra forma. Então, sistematicamente, a gente vê também, por parte da sociedade civil, querendo nos ajudar. Então, nossa forma de trabalhar está começando a ser entendida com mais clareza por todos, e os resultados vão acontecer.

O que mais foi feito em 2015 para combater a violência?
Em 2015, nomeamos 1,1 mil soldados que foi o que a gente pode aproveitar do concurso que já existia e, ao mesmo tempo, no espaço fiscal que nós tínhamos. Fizemos a maior promoção da história da polícia para motivar (a corporação). Nossos protocolos de apreensão de armas e de drogas são positivos este ano. Quanto mais apreensão de armas, melhor para a região onde isso acontece. Também estamos preocupados com a quantidade de drogas que está entrando no território nacional, com a facilidade em que entra no território nacional e com a rapidez, principalmente do crack, de viciar as pessoas. É uma política que precisa ser também preventiva para evitar o consumo, para termos o desarmamento e, ao mesmo tempo, diminuirmos o número de homicídios e de crimes contra o patrimônio.

Quanto à mobilidade, o que a população pode esperar para 2016?
É o nosso desafio entregar as obras. O terminal Norte/Sul estaremos entregando em fevereiro. A Mendes Junior (construtora), por conta do envolvimento dela com os problemas da Petrobras, entregou a obra do Leste/Oeste não concluída. Por conta disso, tivemos que fazer todo o levantamento do remanescente para, com base nesses projetos que só finalizaram agora, a gente poder licitar a finalização dessas obras, o que vai acontecer no próximo ano, mas que ainda vai durar todo o exercício de 2016. O Norte/Sul ficará pronto em fevereiro, mas o Leste/Oeste só será entregue à população no início de 2017.


Qual o andamento do Projeto de Navegabilidade do Rio Capibaribe?

Estamos finalizando a dragagem. Tivemos que fazer adaptações nas estações, mas a gente pretende começar em 2016 a fazer as obras das quatro estações que já estão autorizadas, já estão em licenciamento, para que a gente possa, pelo menos, da BR-101 até o Derby, ter quatro estações, já iniciando esse projeto.

Recursos hídricos vão continuar sendo prioridade de investimento em 2016?
Vai. Depende do cumprimento de uma sinalização que o governo federal fez de autorizar pelo menos uma operação de crédito em 2016 para obras hídricas. Em 2014 foi assinado o Programa de Aplicativos Fiscais (PAF), que não autorizou novas operações em dezembro. Este ano, o governo manteve essa política errada de não autorizar as operações de crédito sob o argumento de que precisava fazer superávit e não fez. Fez foi um déficit de R$ 100 bilhões e não autorizou nem estados nem municípios a fazerem operações de crédito em valores entre R$ 10 bilhões e R$ 20 bilhões. Isso prejudicou o emprego, os investimentos e a geração de renda, e só fez agravar a situação dos estados e municípios. O resultado fiscal vai ser tenebroso. O governo mostrou que também errou aí, e agora está revendo isso. Tudo indica que vai haver essa sinalização para que a gente possa utilizar esses recursos de operações de crédito em obras hídricas. Isso vai me ajudar a utilizar alguns recursos próprios do estado em outras obras que precisam ser feitas também na saúde, educação…

Mas essas operações de crédito serão para quando?
Está para 2017, mas eles estão querendo autorizar uma em 2016. Pelo menos sinalizaram isso, só que estamos no governo Dilma. Então, vamos ver como é que vai ser.

Como está a questão dos empréstimos com organismos internacionais?
Essas são operações que já estavam na Cofiex. Então, é mais grave ainda, porque já estavam prontas para serem liberadas. A da Prefeitura do Recife está desde 2014 pronta para ser autorizada. Perdemos um ano e meio para autorizar uma questão que ia ajudar o Recife, que ia ajudar o estado.

E o orçamento 2016?
O orçamento já está adaptado com R$ 900 milhões a menos, ou seja, o que nós economizamos em 2015 já replicamos em 2016. O orçamento está muito enxuto. A gente vai continuar buscando reduções, mas não dá para fazer um corte tão grande porque a frustração de receita não vai ser tão grande como foi em 2015, O orçamento já está muito bem adequado à realidade recessiva que estamos vivendo.

Como o senhor avalia o crescimento de Pernambuco diante da crise?
Pela primeira vez em 20 anos, Pernambuco vai ter um crescimento do ICMS nominal de 2.2%, inferior à inflação. Em um ano que era muito ruim, a arrecadação em Pernambuco crescia, pelo menos, acima da inflação, e este ano isso não vai ocorrer. Então, com 2.2% houve um incremento de apenas R$ 253 bilhões em arrecadação em relação ao ano passado. Uma frustração que chega quase a R$ 1 bilhão se compararmos com a série histórica que estava no nosso orçamento. Havia um certo otimismo de que o Fundo de Participação dos Estados (FPE) fosse melhorar em virtude do fim das desonerações, mas a recessão fez também com que ele não crescesse em níveis satisfatórios. Também não cobre a inflação… E o grande gargalo para investimento foram as operações de crédito, onde nós só captamos 207 operações que já estavam sendo finalizadas e levou uma frustração de receita de pelo menos um R$ 1,5 bilhão este ano, sem contar as tendências que nós tínhamos em relação ao ICMS. Recursos hídricos teve a maior destinação de recursos, com R$ 269 milhões. Este ano foi difícil, no qual trocamos o pneu com o carro andando, mas que também nos fez trabalhar, enxugar, cortar, integrar e nos preparar para começar 2016, que eu entendo que será em condição mais satisfatória do que a que a gente começou 2015, diante de tantos percalços que foi o ano de 2015.

Como o senhor pretende resolver o atraso dos repasses dos tercerizados em 2016?
Desde outubro estou tentando regularizar essa questão. Eu espero acabar 2015 com 90% disso resolvido.

Precisou fazer corte ?
Precisou, de R$ 300 milhões em tendência de contratos de terceirizados que precisaram ser cortados dentro do plano de contigenciamento. Agora, o que nos espera em 2016? Espera um ano onde a gente não vai poder também dar os reajustes que as pessoas entendem que são devidos. Então, são novas repactuações. São novas conversas. Vamos trabalhar com mais previsibilidade que faltou em 2015 diante do agravamento, a cada mês, do cenário econômico foi previsibilidade. Então, vamos ter condições de conversar com os fornecedores e com empresas prestadoras e dizer: olha, eu não posso dar aumento aqui, mas você vai receber todo mês no dia tal. Tivemos, em virtude da crise financeira, alguns problemas de fluxo de pagamento nos meses de junho, julho e agosto, e desde setembro nós estamos andando e corrigindo isso.

Como pretende acabar com o passivo de cinco meses?
Nós não vamos acabar com um passivo de cinco meses. A gente vai acabar aí com um passivo de no mínimo 30 dias, dependendo da área. Tem área que a gente vai finalizar o ano com tudo resolvido.

O ano foi difícil?
Não fizemos o que desejávamos, mas foi um ano onde fizemos o que foi possível fazer.

Como está a liberação das parcelas do FEM?
Não adianta dizer que o FEM está atrasado. O dinheiro do FEM está guardado. Agora, só vou liberar a quem prestar contas direitinho. Se a obra estiver bem-feita… Pressão não adianta. Não funciona comigo. O FEM vai ser liberado. Não conheço nenhum prefeito que reclame desses recursos da forma que eles foram geridos ou repassados para os municípios.

O documento que oficializa a cessão da área da Base Aérea para o hub da Latam chegou ao estado?
Ainda não, mas a perspectiva é de receber ainda este mês. Tudo aquilo que foi solicitado, fizemos, inclusive a engenharia financeira, mostrando que há um plano de negócios que é novo para a Infraero e novo também para a Tam, mas que é viável e feito em outros locais do mundo, que tem viabilidade e que pode ser feito aqui. Então, a gente tem uma expectativa de que esse processo tenha um desfecho positivo para a gente.

E a questão do polo naval?
Nós vamos para cima. Depois de um investimento de quase R$ 2 bilhões no Complexo de Suape, na preparação de Pernambuco para receber esses empreendimentos e esses estaleiros, a gente não pode, por má gerência da Petrobras e da sua subsidiária, achar que está certo cancelar encomendas sem a devida discussão e o devido diálogo. O que faltou no Brasil nos últimos anos foi diálogo, e a Petrobras está repetindo os mesmos erros achando que pode encerrar o círculo, voltar ao que era antes. Isso é uma pauta importante. Ainda em dezembro quero ter a oportunidade de ir ao Rio e à Petrobras discutir o assunto e colocar de maneira muito clara o que a gente já falou por correspondência e telefone: a nossa indignação sobre como isso está sendo conduzido.

O senhor confia que pode reverter essa situação ou será necessário partir para outras instâncias?
Eu acho possível reverter, mas vamos usar todos os artifícios e todas as articulações necessárias. Nós achamos que vale a pena fazer isso. Depois de uma curva de aprendizado do Estaleiro Atlântico Sul, de produtividade, de qualificação de gente; o Promar fez tudo direitinho, tudo acertado, cumpriu tudo o que foi acertado, acontecer um negócio desse para retroceder, para voltar a trazer navio de Singapura…

Pretende encontrar o presidente da Petrobras (Ademir Bendine) ainda este mês?
Já liguei para ele, pedi audiência, e se não resolver vou falar com a presidente da República. O que não pode é uma situação dessa.

A presidente Dilma tem atendido seus pleitos, incluindo para o polo naval?
Não. Mas tem me ouvido.

Basta isso?
Não. Nesse caso (polo naval) tem que resolver, mas na saúde, na questão da microcefalia, a gente vê ações do governo e preocupações. Não houve ainda recursos, mas tem o desejo de resolução. Eu acho que essa questão naval é uma situação estratégica para o Brasil. Não é uma situação simplória. Se não houver a concordância com os nossos argumentos, a gente mais uma vez vai ter a consciência de que nós pensamos diferente.

Como o senhor avalia este ano politicamente?
Entendo que o conjunto de forças que nos apoiaram estão nos ajudando. Nós contamos com a Assembleia Legislativa para aprovação de projetos importantes para Pernambuco. Entendo que eu tive a capacidade de buscar abrir portas, de buscar conversar, de ouvir, ter com a classe política a melhor relação possível. Eu não tenho preconceito contra nada, e isso facilita a minha opinião formada sobre tudo. Isso facilita a interlocução, e eu tenho este ano que agradecer a compreensão não apenas da classe política, mas de todos os pernambucanos.

Nas suas viagens pelo interior, quem a população culpa pela crise?
O poder público. Mas tem um entendimento claro de que a crise é nacional, não é restrita a Pernambuco. Pelo contrário, fomos um dos poucos estados que pode se preparar e atravessar a crise como está atravessando. Se a gente for comparar com outros estados, vai ver em dezembro meses de muita frustração, de muito parcelamento, de muita moratória, e isso, em Pernambuco não vai ocorrer.

Quando o senhor ganhou a eleição disse que não estava preparado para governar sem Eduardo Campos. O que o senhor diz um ano depois?
Eu digo que eu estou preparado, como estava preparado para governar Pernambuco como sempre estive. Agora, eu gostaria muito de ser governador em 2015, 2016, 2017 com Eduardo vivo, estando aqui nos ajudando. Ele estaria fazendo bem não só a Pernambuco, mas ao Brasil. Ele está fazendo falta. Políticos como ele estão fazendo falta, porque têm capacidade de articulação, de decisão. Ele é um líder natural. Seria presidente e se não tivesse ganhado essa eleição estaria conduzido o Brasil para solução dessas crises. Eu não tenho a menor dúvida disso.

E 2018?
Não estou preocupado com isso. Eu vejo 2018 como uma coisa ainda tão longe… Nós estamos finalizando 2015 com um processo de impeachment aberto, com projetos no TSE abertos, com um presidente da Câmara dos Deputados, que é o segundo na linha sucessória, sem legitimidade de estar ali, ou seja, nós estamos em um momento crucial das instituições, para a democracia, para o futuro do Brasil, e a gente só vai chegar ao final de 2016 tendo eleições legitimadas, democráticas, com as instituições funcionando bem se a gente atravessar essa questão. A gente precisa superar essa questão do impeachment para um lado ou para outro porque, eu já disse e vou repetir, eu não considero golpe. É uma coisa que está na Constituição. Acho que esse processo precisa ser finalizado e tem que ser conduzido com serenidade, responsabilidade e legitimidade. Entendo que vamos ter um julgamento acima do que está colocado na denúncia do processo de impeachment, das questões se Dilma fez pedaladas ou não. Vamos questionar o processo em si. O processo político vem ocorrendo desde as eleições. O processo de impeachment não vai se dar apenas sobre se houve pedalada e crime de responsabilidade ou não. Ele vai levar a questão da governabilidade, as questões das denúncias, tudo em consideração. É fundamental que isso seja resolvido porque, se não for com a brevidade necessária, discussão transparente e direito ao contraditório, a gente vai ter 2016 com as mesmas intrigas, com as mesmas denúncias, com esse mesmo jogo contra o país.

O que é pior para o Brasil hoje: Cunha ou Dilma?
Cunha já mostrou que não tem legitimidade para conduzir os trabalhos da Câmara e Dilma vai enfrentar um processo de impeachment. Vai caber ao Parlamento julgá-la. O governo de Dilma não está fazendo bem ao Brasil. Isso eu não digo de hoje. Isso eu disse na campanha eleitoral. O partido ao qual eu pertenço não integra a bancada do governo, não tem cargos no governo. Nós somos contrários a essa política do governo Dilma que está fazendo mal ao país. Tá errada e precisa ser corrigida. Independentemente de a presidente ficar ou sair, se não o Brasil vai ter um ano de 2016 pior do que 2015.

Os ajustes fiscais feitos são suficientes?
O que tínhamos que fazer, já fizemos. O governo federal precisa fazer alguns ajustes senão a conta dele não fecha. Gasta mais do que arrecada. Ele tem que mexer tanto na despesa quanto na receita. A discussão da receita está resumida à CPMF e não é uma discussão que vai ocorrer, porque ninguém vai discutir CPMF em um ambiente desse. Então, enquanto não resolver a questão política, é muito difícil o governo avançar em ajustes fiscais ou em qualquer outra coisa.
Como entrar 2016 sem recursos federais para combater o que vem sendo hoje o maior problema de saúde pública, que é a microcefalia?
A gente vai ter ajuda dos pernambucanos, que estão conscientes de que agora não é mais um simples caso de dengue, que é muito grave, porque pode matar, mas na cultura das pessoas, já é uma coisa do seu dia a dia. A informação chegando mais rápido, o estado dando condições aos municípios de também formarem os seus exércitos, a gente sabe que a população vai reagir, como já reagiu em outros momentos. Quando se teve foco, determinação, as pessoas foram para cima e houve os resultados. Então, a gente espera que em 2016 haja respostas a tudo isso que a gente está preparando. É fundamental que essas respostas sejam no dia a dia. Não dá mais para cuidar de dengue só no início do ano. Vai ter que cuidar do mosquito os 365 dias do ano, porque um vírus circulando pode representar a perda de uma vida.

Mas como o senhor definiria este ano de 2015?
Nos dá uma frustração em muitas das áreas onde a gente via que com algum recurso a gente podia avançar muito. Abrir novos serviços de saúde… Foi um ano onde nós tivemos que trabalhar com o que nós já tínhamos e manter o que nós já tínhamos funcionando minimamente bem.

Qual a palavra que define 2015?
Desconfortável.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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