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Filmagens do longa-metragem Amores de Chumbo terminam neste domingo no Recife

Augusta, Aderbal e Juliana, que formam o trio de protagonistas, cederam entrevista coletiva sobre o projeto. Fotos: Beto Figueiroa/ Divulgação
Augusta, Aderbal e Juliana, que formam o trio de protagonistas, cederam entrevista coletiva sobre o projeto. Fotos: Beto Figueiroa/ Divulgação

 
“Estou dormindo muito tranquila”, assegura Tuca Siqueira, que neste domingo conclui as filmagens de Amores de chumbo, seu primeiro longa-metragem de ficção. “É como se eu estivesse flutuando”, assume a cineasta, que ao longo das últimas três semanas enfrentou o desafio de dirigir os consagrados atores Juliana Carneiro da Cunha, Aderbal Freire Filho e Augusta Ferraz. Eles interpretam três antigos amigos que vivenciam, no Recife, o ressurgimento de um triângulo amoroso iniciado na época da ditadura. “É uma história de amor. O foco não é o regime militar. A questão política está no pano de fundo”, antecipa a diretora.

A tranquilidade de Tuca durante o processo de produção reforça as boas expectativas que surgirão em torno do projeto principalmente por causa do elenco de peso, que tem ainda a participação de atores como Cláudio Ferrário e Rodrigo Riszla. A principal locação foi um apartamento em Casa Forte, onde vivem os personagens Miguel (Aderbal) e Lúcia (Augusta), cujo casamento entra em um momento delicado com o retorno de Maria Eugênia (Juliana), que passou quatro décadas na França depois de ser presa e torturada pelos militares no Brasil.

“O roteiro me encantou. Fui chamada para fazer uma enamorada, não uma mãe ou uma avó”, diferencia Juliana em comparação com os convites que costuma receber. “Maria Eugênia tem uma correlação comigo porque vivo na França, meu avô era pernambucano e tive uma babá pernambucana que marcou minha infância”, acrescenta a atriz, que é neta do deputado federal e escritor Francisco Solano Carneiro da Cunha (1887-1963). Aderbal interpreta o ex-namorado da personagem dela, Miguel, um sociólogo e também ex-preso político, agora casado com Lúcia, pesquisadora de arte popular.

“Recebo muitos convites legais e nem sempre posso atender, mas achei esse projeto maravilhoso por mostrar que falar de amor não significa abandonar o posicionamento político”, observa Aderbal, que já havia contracenado com Juliana (e Marco Nanini) em 1984 na peça Mão na luva, que também dirigiu. “O filme é super atual. É sobre ter memória”, acrescenta Ferrário, que interpreta Bosco, um “eterno militante”, segundo Tuca.

Filme é o primeiro longa de Tuca Siqueira
Filme é o primeiro longa de Tuca Siqueira

De acordo com a cineasta, que é filha de ex-presos políticos, o filme não terá imagens de época e nem flashbacks. “A tortura, a censura, o terror e o medo estão ali, mas só como uma metáfora”, explica Augusta Feraz, cuja personagem não chegou a ser presa ou participar da luta armada no passado. Rodrigo Riszla interpreta o filho do casal, que, de acordo com ele, “está no momento de começar a cuidar dos pais”.

Sinopse oficial: Quarenta anos separam Maria Eugênia, escritora pernambucana radicada na França, do casal Miguel e Lúcia, que acabam de comemorar união de quatro décadas. O retorno de Maria Eugênia suscita dúvidas e desconfianças há muito tempo guardadas. Miguel, professor de Sociologia e ex-preso político, deseja encarar a verdade, e Lúcia, parceira de vida que se dedicou a tirá-lo da prisão, quer fugir dela. É pelo ponto de vista desses três personagens centrais que revivemos a história política e social da época do chumbo; uma história que mudou o rumo de muitas vidas.

QUEM É QUEM:

Aderbal Freire Filho (Miguel)
Além de atuar, é um dos mais respeitados diretores de teatro do Brasil. Entre os espetáculos que dirigiu estão Hamlet, com Wagner Moura, Macbeth, com Renata Sorrah, e Mão na luva, com Marco Nanini e Juliana Carneiro da Cunha. Ao lado de Paulo José, protagonizou o filme Juventude, de Domingos Oliveira.

Juliana Carneiro da Cunha (Maria Eugênia)
Bailarina e atriz, vive em Paris e costuma trabalhar no Brasil e na França, onde participou de montagens de Maurice Bejart e Ariane Mnouchkine, entre outros diretores. No cinema, atuou em filmes como Lavoura arcaica, de Luiz Fernando Carvalho, e O veneno da madrugada, de Ruy Guerra,

Augusta Ferraz (Lúcia)
É uma das mais atuantes atrizes do teatro pernambucano, com participações em mais de 70 espetáculos. Guiomar, a filha da mãe, A emparedada e A arte de trepar estão entre seus trabalhos mais conhecidos. Em 2015, foi homenageada no festival Janeiro dos Grandes Espetáculos.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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